Ouro em casa: Rafaela Silva 'subiu' monte olímpico do Judô há 10 anos
Judoca carioca derrubou algozes no caminho da maior conquista da carreira no 'quintal de casa'

O ano de 2026 marca uma década dos Jogos Olímpicosno Rio de Janeiro em 2016. O primeiro ouro daquela campanha brasileira foi conquistado por alguém que conhecia muito bem os caminhos do Rio de Janeiro. Rafaela Silva, nascida e criada na capital fluminense, subiu ao lugar mais alto do pódio no dia 8 de agosto de 2016.
A caminhada de Rafaela no esporte começou num projeto criado por outro medalhista olímpico. O Instituto Reação, de Flávio Canto, foi o responsável por captar o talento na menina que crescia na favela da Cidade de Deus.
Rafa chegou ao Rio de Janeiro como um nome consolidado no esporte. Já era campeã mundial, campeã dos Jogos Mundiais Militares e duas vezes medalhista nos Jogos Pan-Americanos (prata em Guadalajara-2011 e bronze em Toronto-2015).
Ela chegava no Rio pressionada pelo desempenho na Olimpíada anterior. Em Londres-2012, Rafa foi desclassificada por um golpe ilegal contra a húngara Hedvig Karakas. Ela saiu chorando do tatame. Nas redes sociais, brigou com torcedores brasileiros, mas depois pediu desculpas e fez uma previsão.
A disputa no Rio
O terceiro dia dos Jogos Olímpicos caiu numa segunda-feira. A Arena Carioca 2, na Barra da Tijuca, dentro do Parque Olímpico, receberia as lutas do judô.
A estreia foi contra a alemã Myriam Roper: um ippon com 45 segundos de luta levantou a arena. Depois, se impôs contra uma adversária dura: a então número 2 do mundo, Jandi Kim, foi superada com um wazari.
O confronto vital veio nas quartas de final. Rafaela enfrentou a húngara Hedvig Karakas, contra quem tinha sido eliminada em 2012. O início da luta foi tenso com duas punições, mas Rafa se recuperou. O wazari fez a torcida brasileira vibrar e deu a vantagem que não seria superada. A brasileira estava nas semifinais.
A semifinal guardou ainda mais emoção. A luta foi para o Golden score, a 'prorrogação' no judô. A romena Corina Caprioriu, prata em Londres-2012 e no Mundial de 2015, foi vítima de mais um wazari.
Rafaela enfrentou Sumiya Dorjsuren, da Mongólia. O começo da luta foi tenso, sem golpes e com punições. Rafa achou mais uma vez um wazari, que chegou a ser revisado pela possibilidade de ser ippon. A pontuação não foi revertida, mas a vantagem da brasileira não foi superada.
Lembrando do sofrimento que passei em Londres, que me criticaram, que eu era uma vergonha para minha família, e hoje eu pude fazer todos os brasileiros com essa medalha aqui dentro da minha casa. O macaco que tinha que estar na jaula em Londres hoje é campeão olímpico dentro de casa e hoje eu não fui uma vergonha para a minha família.
Pós Rio-2016
Rafaela seguiu em alto nível após o ouro olímpico. A judoca continuou entre as principais atletas da categoria, até que sofreu uma punição por doping.
A brasileira ficou suspensa de 2019 até 2021 e perdeu os Jogos Olímpicos. Ela testou positivo para fenoterol, substância presente em remédios para asma, após o Pan de 2019.
O retorno foi triunfal e em 2022 voltou a ser campeã mundial. Em 2023, conquistou o ouro do Pan-Americano em Santiago e se tornou a primeira atleta do judô a ser campeã olímpica, mundial e pan-americana.
Rafa foi bronze nos Jogos Olímpicos de Paris em 2024 na disputa por equipes. Para o ciclo de 2028, a atleta de 34 anos subiu de categoria. Ela saiu do peso leve (até 57kg) e foi para o peso meio-médio (até 63kg).
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



