Enviado especial a Paris - Caio Bonfim conquistou, nas primeiras horas desta quinta-feira (1º),
Caio Oliveira de Sena Bonfim é natural de Sobradinho, no Distrito Federal. O brasileiro foi medalhista de bronze nos Mundiais de Atletismo em Londres (2017) e Budapeste (2023).
O atleta já havia batido na trave no pódio olímpico. No Rio de Janeiro, em 2016, ficou em 4º lugar. Caio também conquistou duas medalhas de prata nos Jogos Pan Americanos (Lima 2019 e Santiago 2023).
Atualmente, Caio Bonfim é detentor de dois bronzes em mundiais e 12 títulos brasileiros. Ele também é dono do recorde sul-americano na marcha de 20km e ocupa a 3ª posição no ranking mundial.
Agora, o Brasil tem cinco medalhas nesta edição olímpica. Rayssa Leal, Larissa Pimenta e equipe de ginástica artística feminina ficaram com o bronze. Willian Lima tem uma prata. Bia Ferreira já tem pódio garantido, mas ainda resta saber qual será a cor.
O brasileiro faz parte do Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) das Forças Armadas do Brasil. Caio Bonfim é terceiro sargento da aeronáutica. Ele também recebe bolsa atleta.
Mãe atleta e pai treinador
Gianette Bonfim, mãe de Caio, foi atleta e oito vezes campeã da marcha atlética. Ela chegou a ter índice olímpico para participar dos Jogos Olímpicos de 1996, mas não competiu e foi a primeira incentivadora do filho no esporte. Ele é treinado pelo pai, João Sena.
“Eu não sei... teve um dado momento da prova que eu vi aquela decisão. O Caio ficava na frente e atrás, ele gosta de fazer isso. Quando começou a decidir a prova, faltando 4km para acabar, foi a hora que fiquei mais calma”, disse a mãe do atleta à TV Globo.
“Comecei a falar para mim mesmo.. o que Deus tem para gente, tem. O resultado vai ser isso. Consegui chegar. A medalha faltava para coroar nosso trabalho de anos, décadas. Felicidade acho que é a palavra máxima”, completou.
Caio treina no Distrito Federal, no estádio Augustinho Lima. Ele e a família organizam e administram o Centro de Atletismo de Sobradinho, organizado pela família Bonfim.
Antes de se dedicar exclusivamente ao atletismo, Caio se aventurou em outro esporte. O brasileiro chegou a fazer parte das categorias de base do Brasiliense, time do Distrito Federal.
Drama na infância
Caio precisou superar o primeiro desafio da vida logo aos sete meses. O atleta teve meningite aos sete anos de idade, além de duas pneumonias.
Por não derivados de leite devido a uma intolerância à lactose e pela falta de cálcio, os ossos se fragilizaram. O resultado foram as pernas tortas.
Caio foi operado quando tinha três anos e teve as pernas realinhadas. Os médicos consideravam difícil o menino voltar a caminhar.
Caio é o principal nome da marcha atlética no Brasil. Está na quarta Olimpíada.
A virada
Caio começou a se dedicar para a Marcha Atlética em 2007, aos 16 anos. O atleta dividia os treinos de atletismo com o futebol.
Com o apoio dos pais, foi campeão brasileiro nas categorias de base. A evolução no esporte foi premiada com feitos inéditos como o 4º lugar na Rio 2016, além de destaque em Mundiais e Jogos Pan-Americanos.
A prova
O brasileiro começou a prova com o maior ritmo entre todos os atletas. Logo nos primeiros quilômetros chegou à liderança e abriu vantagem sobre o pelotão que vinha atrás.
Neste momento, ele sofreu duas advertências da arbitragem. Se tomasse a terceira, sofreria punição de dois minutos e estaria fora de uma disputa pelo pódio.
Por garantia, Caio Bonfim diminuiu o ritmo e permitiu a chegada do pelotão da frente. Foi onde ele ficou até a reta final na prova, ao lado dos principais concorrentes.
No quilômetro 14, o brasileiro voltou à liderança, acompanhando de perto pelos rivais.
A partir daí se formou um pelotão menor. Caio Bonfim ficou até o fim entre os primeiros, mas o equatoriano disparou no final para ficar com o ouro.