Presidente da Codemge/Codemig detalha patrocínio a América, Atlético e Cruzeiro
Serão mais de R$ 32 milhões em patrocínio para o trio da capital após proibição das bets em território nacional

O Governo de Minas Gerais anunciou nesta terça-feira (29) um acordo de mais de R$ 32 milhões em patrocínio para América, Atlético e Cruzeiro após a proibição das bets no Brasil. À Itatiaia, Luísa Barreto, Presidente da Codemge/Codemig, uma das empresas patrocinadoras da ação, explicou o patrocínio.
As empresas patrocinadoras são Cemig, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Luísa detalhou como e porque eles decidiram investir no futebol mineiro.
"Na última semana, todos no Brasil tomaram susto com a medida do presidente da república com efeitos imediatos que afetam o clube de futebol. A retirada da possibilidade de patrocínio por meio de bets afeta financeiramente os clubes, e inicia-se preocupação sobre a viabilidade financeira dos clubes. Porque essa preocupação? O esporte tem uma função social importante e gira muito além do clube, tem todo um ecossistema econômico em seu entorno, com pessoas que trabalham nos clubes, a mídia, os bares… o Governo de Minas, com o Governador Mateus Simões, se preocupou com essa situação porque os clubes mineiros tem um função cultural no estado", iniciou.
A Presidente citou que sabe que é difícil igualar os valores das bets, mas que entenderam ser importante ajudar neste momento e chegaram a cerca de 30% do contrato dos clubes com essas patrocinadoras.
Do valor total, R$ 30 milhões serão divididos igualmente entre Atlético e Cruzeiro, enquanto o América ficará com R$ 2 milhões. O acordo tem validade de um ano e passa a valer financeiramente a partir de janeiro de 2027
Luísa Barreto fez questão de deixar claro que o dinheiro não está saindo de áreas relevantes que o Governo cuida, como saúde, e explicou como o patrocínio ocorrerá.
Quando a gente fala de empresas públicas, são empresas com receitas que não se confundem com receitas do estado, que já têm políticas de patrocínio. Vi gente falando sobre o Governo tirar dinheiro de saúde, dinheiro, educação e segurança, mas não, isso jamais seria feito. Nós da Codemig/Codemge somos hoje o principal apoiador do carnaval de Belo Horizonte, temos política de patrocínio a eventos culturais e esportivos. Decidimos redirecionar parte desse patrocínio para ajudar nesse momento importante porque acreditamos que o futebol tem papel fundamental na sociedade
Contrapartidas sociais
O patrocínio aos clubes vai além do dinheiro e da exposição das marcas, como revelou Luísa. Haverão contrapartidas sociais como apoio ao futebol feminino, outros esportes e também sorteio de ingressos para alunos da rede pública.
"Queremos atrelar a nossa marca a bom produtos, e trazer contrapartidas sociais. Parte do valor deverá ser destinado ao futebol feminino e aos esportes olímpicos e paralímpicos, caso os clubes tenham. Pedimos, ao invés dos tradicionais camarotes e ingressos vips, ingressos a serem destinados e sorteados para alunos da rede pública. Várias vezes o jovem não tem essa oportunidade e queremos proporcionar isso", revelou.
Clubes do interior na mira
O patrocínio inicial será estampado pelos clubes da capital, mas as instituições do interior de Minas também devem ser contempladas, como os casos do Athletic, atualmente na Série B, e do Uberlândia, recentemente campeão da Série D.
"Estamos buscando o entendimento para entender a realidade desses clubes com bets. Eles tinham contratos importantes dentro da realidade financeira deles. Possivelmente teremos outras empresas públicas mineiras entrando nessa lógica. Os times do interior também serão atendidos", finalizou.
Bets e o futebol
A consultoria Convocados aponta que as casas de apostas investem cerca de R$ 1,03 bilhão por ano em patrocínios na Série A do Campeonato Brasileiro. Ainda há um investimento considerável em outros clubes, esportes e também em propriedades esportivas como naming rights de estádios e competições.
No dia 17 de setembro, vários clubes do futebol brasileiro se manifestaram contra uma eventual proibição do funcionamento das empresas no Brasil. As instituições defendem a manutenção e a regulação do funcionamento, e não o fim das atividades.
Em janeiro de 2025, houve uma regulamentação da atuação das bets no Brasil. As empresas, mediante a um pagamento de R$ 30 milhões de outorga, foram legalizadas pelo Ministério da Fazenda.
As empresas que operam essas modalidades de apostas pagam um tributo de 12% sobre receita bruta. Os ganhadores de prêmios desembolsam 15% sobre ganhos que ultrapassam o valor de um salário mínimo.
Cronograma de Prazos e Adequações
- A partir da publicação da Medida Provisória (MP):
- Proibição de novos aportes: Ficam vedados novos depósitos ou aportes financeiros por parte dos apostadores.
- Proibição de novas publicidades: Fica proibida a veiculação de qualquer nova peça publicitária de apostas.
- Até 5 de outubro (segunda-feira), às 23h59:
- Retirada voluntária de saldos: Prazo limite para os apostadores resgatarem voluntariamente o dinheiro disponível nas plataformas.
- Remoção de publicidade: Prazo para as bets retirarem todas as peças de propaganda, marketing e publicidade nos meios físicos e digitais.
- Retirada de marcas de patrocínio: Prazo final para a remoção de marcas de apostas vinculadas a contratos de patrocínio.
- A partir de 6 de outubro (terça-feira):
- Desativação das plataformas: Os sites e aplicativos das bets saem do ar.
- De 7 a 8 de outubro:
- Informação dos saldos por CPF: As empresas têm esses dois dias para informar aos bancos operadores os saldos remanescentes atrelados a cada CPF.
- De 9 a 14 de outubro:
- Devolução integral via bancos: Os bancos operadores realizam a devolução direta dos valores aos apostadores que não efetuaram o saque até 05/10.
- A partir de 14 de outubro:
- Intermediação da Caixa: Em caso de impedimento nos repasses anteriores, a Caixa Econômica Federal intermediará o resgate para os apostadores convocados.
Decisões de Fiscalização e Controle
- Proibição de transferências bancárias: Fica vedada qualquer transferência bancária destinada a apostas.
- Bloqueio de movimentações e derrubada de sites: Ações focadas na identificação e remoção de páginas ilegais, bem como no bloqueio de contas bancárias usadas irregularmente para apostas.
- Força-tarefa governamental: Integração entre órgãos governamentais com compartilhamento de inteligência e reforço estrutural no Ministério da Justiça e Segurança Pública e na Polícia Federal.
- Destinação de verbas: Os recursos apreendidos ou bloqueados serão destinados à segurança pública.
- Canal de denúncias: Criação da plataforma Denúncia BET via portal Fala.BR (
www.gov.br/falabr) para o recebimento de denúncias.
Alecsander Heinrick é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela PUC Minas e tem experiências em agências de comunicação e redação. Teve passagens por Esporte News Mundo, EstrelaBet, Jornal Hoje em Dia, Trivela e Jornal O Tempo. Apaixonado por todos os tipos de esportes, em especial futebol, futebol americano e basquete, além de séries e filmes.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.





