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Scarpa fala sobre hábito de leitura e repercussão da ‘Galeitura’: ‘Nunca me senti tão famoso’

Em entrevista ao programa Redação, do Sportv, o jogador contou como começou a se interessar por livros

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Gustavo Scarpa durante entrevista ao Sportv
Gustavo Scarpa durante entrevista ao Sportv • Reprodução/Sportv

Gustavo Scarpa, meia do Atlético, falou nesta quinta-feira (24) sobre o hábito de leitura e a repercussão do projeto “Galeitura”. Em entrevista ao programa Redação, do Sportv, o jogador contou como começou a se interessar por livros, explicou a origem das resenhas que publica nas redes sociais e comentou o impacto que suas indicações tiveram entre torcedores.

“Confesso que eu não esperava uma repercussão tão positiva. Na verdade, eu não esperava uma repercussão específica desse nível, ainda mais com um livro bem antigo, literatura russa, e não sei se é o que a galera hoje em dia curte mais. Mas eu falei para o pessoal da minha assessoria que eu nunca me senti tão famoso”, disse Scarpa.

Como Scarpa começou a ler

Scarpa contou que teve contato com a leitura ainda na escola, mas só criou o hábito anos depois. Na sétima série, leu ‘Tônico e Carniça’. Em 2018, recebeu de presente uma biografia de Steve Jobs, mas não manteve uma rotina de leitura.

“Eu já tinha lido a Bíblia algumas vezes, mas até então era o único livro que eu lia sempre”, relatou.

A mudança aconteceu em 2019, quando Scarpa defendia o Palmeiras. Na época, ele conheceu Pedro, que estagiava na área de preparação física do clube e depois foi efetivado. Os dois passaram a conversar sobre diversos assuntos e fizeram uma aposta relacionada ao desempenho do jogador.

“Surgiu meio que uma aposta ali: a cada gol ele me daria um livro, a cada duas assistências ele me daria um livro. Foi em uma fase ali de 2019 que eu peguei uma sequência boa de gols e assistências. A aposta não durou muito porque ele começou a ter prejuízo”, contou.

Pedro, então, presenteou Scarpa com “O Médico e o Monstro”, do autor Robert Louis Stevenson. Segundo o jogador, foi a partir dessa leitura que ele passou a gostar de livros e começou a conhecer autores como Franz Kafka, Fiódor Dostoiévski e Vitor Hugo.

“A maioria foi por indicação dele nesse começo. Depois eu encontrei duas listas na internet de clássicos e foi me interessando. Alguns eu já conhecia de ouvir falar e cá estamos”, afirmou.

Scarpa também falou sobre a dificuldade de algumas obras clássicas. Ele citou William Shakespeare como um dos autores que ainda considera difícil, principalmente pelo vocabulário e pela dinâmica dos textos.

O jogador revelou que começou com leituras consideradas complexas e que precisou da ajuda do amigo para compreender algumas obras.

“Meu terceiro ou quarto livro foi Kafka. Eu realmente não entendi nada. Pedi ajuda inclusive para o Pedro, para entender um pouco mais do livro”, contou.

Depois, Scarpa passou a se aventurar por obras como “Crime e Castigo”, “ Os Irmão Karamazov”, “Os Miseráveis”, e “O Conde de Monte Cristo”. Ele também revelou que pretende reler alguns desses clássicos para conferir se terá uma percepção diferente das histórias.

“São livros um pouco difíceis, porém acessíveis para meros mortais”, brincou.

Na entrevista, Scarpa explicou que a proposta das resenhas é falar sobre os livros a partir da própria experiência.

“Muitos livros são considerados tabu para muita gente. Acho que apenas os acadêmicos vão conseguir ler e aí eu, do meu jeito, na minha limitação ali, faço uma interpretação às vezes do pouco que eu entendo, e a galera se sente representada. Eu acho muito legal”, explicou.

O primeiro livro que Scarpa resenhou foi A Metamorfose, de Kafka. Ele contou que, no início, fazia apenas um “resumo do resumo do resumo”, mas passou a desenvolver mais as próprias interpretações com o tempo.

“Eu acho que vou continuar nessa mesma, fazendo do meu jeito. Eu não tenho que me encaixar ou me enquadrar em um certo tipo de análise. Eu falo ali o que eu entendo, o que eu lembro da história e acho que, por ser autêntico, tem dado certo”, afirmou.

Canal do Scarpinha

A relação de Scarpa com a literatura também ganhou espaço no YouTube. O jogador criou o Canal do Scarpinha em 2021 para mostrar hobbies e atividades que pratica fora do futebol. Na época, ele citou skate, wakeboard, música e livros entre os conteúdos que pretendia produzir.

Em 2026, o canal ganhou uma nova fase com maior destaque para a literatura. Scarpa passou a publicar resenhas de livros e, nas últimas semanas, comentou obras como Seus Olhos Viam Deus, de Zora Neale Hurston, A Noite, de Elie Wiesel, Senhor das Moscas, de William Golding, e A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói. 

A resenha de A Morte de Ivan Ilitch foi a que alcançou maior repercussão. O vídeo ultrapassou 600 mil visualizações e a indicação de Scarpa levou a obra de Tolstói ao topo da lista de livros mais vendidos da Amazon Brasil. 

Leitura também está no vestiário do Galo

O hábito de Scarpa também ganhou espaço entre os companheiros do Atlético. O meia citou Vitor Hugo e Leo Duarte como os jogadores com quem mais troca indicações.

“Hoje em dia aqui no Galo tem o Vitor Hugo, a gente troca algumas indicações de livros. O Leo Duarte é um menino que lê bastante, a gente já compartilhou algumas leituras, já lemos alguns livros marcantes. O Igor Gomes já tinha me indicado um livro uns meses atrás, que era ‘A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen’”, afirmou.

Criação da ‘Galeitura’

A repercussão das resenhas ultrapassou o canal de Scarpa e chegou à torcida do Galo. A partir das indicações do jogador, torcedores criaram a Galeitura, um clube de leitura voltado para torcedores interessados em acompanhar as obras indicadas pelo meia.

A ideia surgiu após a repercussão das resenhas e de brincadeiras feitas por torcedores nas redes sociais. O primeiro livro escolhido pelo grupo foi justamente A Morte de Ivan Ilitch.

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Jornalista em formação pelo UniBH, com passagem por Diário do Comércio e Secretaria de Estado do Governo de Minas. Experiência em jornalismo econômico e esportivo, área pela qual é apaixonada.

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