SAF do Botafogo confirma pedido de recuperação judicial e cita perda de R$ 900 milhões
Organização culpa John Textor e Eagle pela situação financeira caótica do Glorioso

Nesta quinta-feira (14), a SAF do Botafogo confirmou que protocolou pedido de Recuperação Judicial. Em nota, a organização culpa a condução de John Textor e Eagle pelo crítico cenário financeiro vivido pelo clube.
"A Recuperação Judicial é o instrumento legal utilizado para proteger o clube, reorganizar suas finanças, preservar empregos, honrar compromissos, manter a competitividade esportiva e garantir que o Botafogo continue existindo forte para as próximas gerações. O objetivo da medida é assegurar estabilidade, transparência e supervisão judicial para que o Botafogo possa reestruturar seu passivo de forma organizada e responsável, protegendo seus atletas, funcionários, credores, parceiros comerciais e, principalmente, sua torcida", diz a nota.
De acordo com a publicação, mais de "R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, ao mesmo tempo em que o clube deixou de receber os aportes e o suporte financeiro necessários para manutenção de suas atividades e competitividade esportiva".
A organização vive grave crise financeira e administrativa com a disputa judicial entre Eagle, John Textor e clube social pelo controle da SAF do Botafogo.
Ainda nesta quinta (14), Eduardo Iglesias foi nomeado como novo diretor-geral da SAF, substituindo Durcesio Mello, ex-presidente do clube e próximo de Textor.
Confira, abaixo, a nota da SAF Botafogo na íntegra:
"A SAF Botafogo informa que, em continuidade ao processo de reorganização financeira já iniciado com o ajuizamento de medida cautelar, protocolou, na noite desta quinta-feira (14), pedido de Recuperação Judicial como medida necessária para proteger o clube, preservar suas atividades, garantir o cumprimento de suas obrigações e assegurar a continuidade do projeto esportivo do Botafogo.
A decisão foi tomada diante do grave cenário financeiro enfrentado pela companhia, agravado por sucessivos bloqueios, riscos decorrentes de transfer bans impostos no âmbito da FIFA, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e severas restrições de caixa que passaram a comprometer a própria operação cotidiana do clube.
Com o ajuizamento da Recuperação Judicial, a SAF Botafogo ingressa em uma nova etapa de reorganização estruturada, com maior estabilidade jurídica e financeira para condução de negociações com credores, investidores e parceiros estratégicos.
A medida também permite o início formal da elaboração e discussão de um plano de Recuperação Judicial, que será submetido aos credores na forma da lei, criando um ambiente de previsibilidade, supervisão judicial e proteção institucional necessário para o reequilíbrio financeiro da companhia.
Além disso, o efetivo pedido de Recuperação Judicial era medida indispensável diante das recentes sanções desportivas sofridas pelo clube, incluindo transfer bans impostos no âmbito da FIFA. A própria FIFA esclareceu que a tutela cautelar anteriormente deferida não produzia os efeitos jurídicos equivalentes ao processamento da Recuperação Judicial, razão pela qual a SAF Botafogo precisou avançar imediatamente para esta nova fase, como forma de proteger suas atividades esportivas, preservar sua competitividade e evitar prejuízos ainda mais severos ao clube.
Nos últimos meses, a SAF Botafogo sofreu forte processo de descapitalização dentro da estrutura do Grupo Eagle. Mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, ao mesmo tempo em que o clube deixou de receber os aportes e o suporte financeiro necessários para manutenção de suas atividades e competitividade esportiva
Enquanto outros ativos do grupo receberam investimentos substanciais — incluindo aportes recentes de aproximadamente US$ 90 milhões no Lyon — o Botafogo permaneceu, por mais de um ano, sem qualquer injeção relevante de recursos, mesmo diante de reiterados alertas sobre a deterioração do caixa e os riscos concretos à continuidade operacional da SAF.
A Eagle Football, sua administração e seus representantes diretos tinham pleno conhecimento da gravidade da situação financeira enfrentada pela SAF Botafogo.
Ainda assim, além de não promoverem os aportes e medidas necessários à preservação da companhia, permaneceram como os principais beneficiários da estrutura financeira que retirou recursos relevantes do clube sem a correspondente recomposição de capital ou suporte operacional adequado.
Desde então, a condução adotada pela Eagle Football e por John Textor revelou absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional da SAF Botafogo, contribuindo diretamente para o agravamento da crise enfrentada pelo clube e para o cenário de extrema fragilidade que tornou inevitável o ajuizamento da Recuperação Judicial.
A Recuperação Judicial é o instrumento legal utilizado para proteger o clube, reorganizar suas finanças, preservar empregos, honrar compromissos, manter a competitividade esportiva e garantir que o Botafogo continue existindo forte para as próximas gerações.
O objetivo da medida é assegurar estabilidade, transparência e supervisão judicial para que o Botafogo possa reestruturar seu passivo de forma organizada e responsável, protegendo seus atletas, funcionários, credores, parceiros comerciais e, principalmente, sua torcida."
Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.




