John Textor faz proposta para compra de ações da SAF do Botafogo
O empresário norte-americano está afastado do comando do Glorioso por decisão da Justiça

Afastado pela Justiça do comando do Botafogo, John Textor enviou ao clube social uma proposta para comprar ações da SAF alvinegra. A oferta foi enviado ao presidente João Paulo Magalhães Lins, e inclui dobrar o percentual atual que pertence ao associativo.
Em entrevista ao "Canal do Anderson Motta', o empresário norte-americano explicou o modelo que pretende gerir o clube neste novo momento, caso a oferta seja aceita.
O controle da SAF do Botafogo atualmente está a cargo do clube associativo. A disputa está na Justiça, que afastou Textor e a Eagle do controle do clube recentemente.
"Fiz uma proposta há pouco mais de uma semana, que diz, em primeiro lugar, que quero que o clube social vote afirmativamente à minha proposta de investimento de US$ 25 milhões, financiados agora no âmbito desta recuperação judicial. (...) Eu chamo (o projeto) de SAF Social 2.0. A segunda chance, a segunda vez, em que aprendemos muito uns com os outros e acho que devemos fazer diferente", afirmou Textor.
"Quanto à propriedade, atualmente o clube social detém 10% das ações. Na semana passada, propus ao JP e ao Durcesio que dobrássemos essa porcentagem, aumentássemos para 20%. Não que eles precisem dos 20%, pois o clube social nunca quer vender suas ações, mas imagine se dobrássemos para 20% e permitíssemos que o clube social vendesse os 10% restantes com base na avaliação deste nosso grande clube", seguiu.
O próximo passo do imbróglio judicial
Na próxima quinta (14), o clube social realizará Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre a nomeação de Durcesio Mello como gestor temporário da SAF.
O clube associativo, único acionista com poderes políticos neste momento, é quem votará o caso. A assembleia foi exigência da Justiça no imbróglio judicial envolvendo a disputa do controle da SAF alvinegra.
Durcesio Mello foi nomeado como diretor interino da SAF após o afastamento de John Textor. A Eagle Bidco, subsidária da Eagle Holding e acionista majoritária da SAF, teve os poderes suspensos pela Justiça.
Confira, abaixo, mais respostas de John Textor ao "Canal do Anderson Motta":
"Estou apenas apresentando o novo capital que sempre estive disposto a investir. Esta proposta está em discussão há mais de dois meses. Acredito que o clube social tem tempo suficiente e, neste momento, dei a eles o controle desta decisão pelas medidas que tomamos com nossos advogados da SAF. Chegou a hora de o clube social aceitar o investimento de US$ 25 milhões que fiz e de superarmos este período para seguirmos em frente – iniciou Textor.
Fiz uma proposta há pouco mais de uma semana, que diz, em primeiro lugar, que quero que o clube social vote afirmativamente à minha proposta de investimento de US$ 25 milhões, financiados agora no âmbito desta recuperação judicial. Partindo disso, e veja bem, se for meu capital, ótimo. Se o clube social tiver ideias para capital, ótimo. Se Montenegro quiser fazer uma doação, ótimo, certo? Mas o clube precisa de dinheiro. Então vamos receber o dinheiro. Isso é o mais importante
Eu chamo [o projeto] de SAF Social 2.0. A segunda chance, a segunda vez, em que aprendemos muito uns com os outros e acho que devemos fazer diferente. Primeiro, o Conselho Fiscal precisa de presença no local. Nós compartilhamos tudo com o Conselho Fiscal e você ouve outros no clube social dizendo erroneamente que não estamos compartilhando informações. Bem, isso é besteira, é um absurdo. Compartilhamos tudo com o conselho fiscal, mas eu gostaria de fazer melhor. Gostaria que eles trabalhassem nos escritórios do Botafogo. Gostaria que o chefe do Conselho Fiscal do clube social se sentisse à vontade para almoçar com meu diretor financeiro, conversar sobre números, futebol e até sobre as praias no fim de semana. Mas o acesso presencial do Conselho Fiscal seria ótimo para garantir total transparência.
Além disso, adorei a ideia de um comitê de futebol. O que as pessoas do clube social querem, o que os torcedores querem, é o envolvimento com o clube de futebol. Foi triste que o clube social tivesse que vender o clube para criar a SAF. Mas por que isso significou que eles não poderiam mais se divertir com o futebol? Então, tenho uma nova ideia: criar um comitê de futebol. A maioria dos membros desse comitê seria composta por profissionais, especialistas, scouts, Alessandro Brito, o diretor de futebol, Léo… Mas eu gostaria de incluir o clube social como parte deste comitê de futebol para discutirmos nossas decisões, nossas contratações, nossas estratégias, nossa academia. E neste comitê de futebol, eu teria o presidente do clube social em exercício. Agora é o JP, mas será quem for no futuro.
Gostaria que um membro do Conselho Fiscal fizesse parte da comissão de futebol, para que pudesse trazer uma perspectiva econômica às decisões que tomamos e, ao mesmo tempo, entender melhor as decisões econômicas que estamos tomando. E o terceiro membro do clube social também faria parte da comissão de futebol. Adorei a ideia. É uma daquelas ideias malucas, meio estúpidas, que dão um toque especial.
Vamos tornar isso divertido novamente. Vamos fazer com que eles realizem uma eleição. Todo ano eles escolhem o cara do clube social que é o mais entendido de futebol, o que assiste a mais jogos, o que fala mais, o que tem a opinião mais forte. E ele precisa ser eleito pelo clube social para ser o representante do clube no comitê de futebol. Então, esse comitê teria pelo menos três membros do clube social.
Outra coisa que acho que devemos discutir são os indicados do Camisa 7, os indicados das torcidas organizadas. Não podemos deixar a lista muito grande. Se ficar muito grande, não conseguiremos nos reunir com regularidade. Mas você me conhece. Eu sempre gosto de falar sobre futebol. Gosto de conversar com os torcedores. Gosto de conversar com todos. Então, por que não convidar os principais membros do nosso clube social, nossos associados e nossos torcedores organizados, e aproximá-los mais? Eu diria que o Camisa 7 e as organizadas não precisam estar presentes todas as semanas, mas podem participar dessas reuniões trimestralmente, quatro vezes por ano, o que é quatro vezes mais do que acontece agora. Adoro a ideia de sermos mais inclusivos.
A próxima coisa que eu sugeriria ao clube social, que já tem isso na prática, é que eles tenham controle total sobre os ídolos do estádio, porque tenho algumas ideias específicas sobre como apresentá-los. Não apenas os grandes jogadores, mas também os grandes presidentes do passado e as pessoas que tiveram uma profunda influência em nosso clube, seja em campeonatos, recuperações ou novas conquistas. Então, a ideia seria que houvesse um círculo em torno de uma estrela na entrada do estádio com bustos de bronze dos grandes presidentes, dos grandes atletas, ídolos dos jogadores e dirigentes. Portanto, que o clube social tenha controle sobre isso. Que o clube social permaneça conectado à história do nosso clube e a quem os torcedores querem ver homenageado como parte dessa história.
Ingressos para os jogos. Não sei por que estamos brigando com um clube social por causa de ingressos, porque eu vou aos jogos e eles estão vazios, até mesmo os jogos importantes. Aconteceu uma situação estranha: alguns membros da administração, no passado, rejeitaram as tentativas do clube social de conseguir ingressos. Se essas pessoas são voluntárias, ajudam e se envolvem, vamos facilitar o acesso delas aos ingressos para jogos, como forma de recompensá-las pelo trabalho voluntário. Quero restabelecer e fortalecer o direito do clube social a ingressos para jogos, shows e eventos similares.
Quanto à propriedade, atualmente o clube social detém 10% das ações. Na semana passada, propus ao JP e ao Durcesio que dobrássemos essa porcentagem, aumentássemos para 20%. Não que eles precisem dos 20%, pois o clube social nunca quer vender suas ações, mas imagine se dobrássemos para 20% e permitíssemos que o clube social vendesse os 10% restantes com base na avaliação deste nosso grande clube. Isso poderia gerar cerca de US$ 20 milhões em receita, em dinheiro vivo, para o clube social, para ajudar com o remo, basquete, manutenção das piscinas, já que o clube social não tem mais fontes de receita suficientes agora que não está mais ligado ao futebol. Então, eu chamaria isso de novo acordo entre a SAF e a Social 2.0."
Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.


