John Textor se vê injustiçado no Botafogo e diz: 'Não vou parar de lutar'

John Textor chegou no Botafogo, investiu, viu o time ser campeão, mas também se envolveu em polêmicas e, recentemente, foi destituído de poderes no clube. A Itatiaia entrevistou com exclusividade o empresário estadunidense, que segue relevante entre parte da torcida. E ele se mantém propenso a retomar o posto de dono da SAF e segue disparando críticas aos oponentes. Nesta quinta parte da conversa de mais de uma hora, ele analisa conjunturas que viveu e que projeta.
Você acredita que vai recuperar o controle da SAF do Botafogo?
"Isso cabe aos advogados. Eu sou o proprietário das ações. Está claro nos documentos que nunca recebi o pagamento pelas ações. E, quando acontecem essas grandes disputas entre os credores da Eagle e a maravilhosa Michelle Kang, as pessoas recorrem aos documentos. O credor faz isso. A Ares faz isso e pergunta: "Que controle nós temos?". A Eagle Bidco faz isso. A Michelle Kang faz isso. Bem, eu fui aos documentos e, adivinhe só? Eu continuo sendo o proprietário das ações.", brada Textor, mas admitindo a disputa nos tribunais:
"Preciso provar isso na Justiça. Posso dizer uma coisa que nunca vai acontecer: nenhuma dessas outras partes jamais conseguirá demonstrar que eu fui pago pelas ações ou que o contrato foi concluído. Então eu continuo sendo o proprietário das ações.", garantiu.
O pagamento ao qual John Textor se refere seria o que confirmaria a venda das ações dele à Eagle. Ele tem sido taxativo quanto a isso nas últimas declarações.
"Quanto mais cedo o clube social perceber isso, melhor para o clube. Porque esse jogo que está sendo feito, em que eles divulgam informações dizendo: "Graças a Deus, a GDA, o credor, está perto, está perto"... isso precisa parar porque eu sou a única pessoa que trouxe capital de verdade, muito capital, capital saudável.", afirmou.
John Textor tem insistido numa parceria com dois empresários com atuações no futebol como a melhor opção para o futuro do Botafogo.
"Estamos falando da parceria com Kia (Joorachian) e (Evangelos) Marinakis, que representam um conhecimento do futebol global e que já têm amor e uma ligação estabelecida com o futebol brasileiro. Basta olhar para os elencos do Rio Ave, do Olympiacos e do Nottingham Forest.Esse é o time dos sonhos. É a solução certa. Eu realmente acho que devemos recuperar o controle da SAF. Mas esses caras são ardilosos. Você sabe o que está acontecendo no clube social.", criticou o empresário.
Na sequência, Textor faz uma análise mais ampla - e volta ao Botafogo adiante. Ele entende que imbróglios como o atual são um problema para o futebol brasileiro.
"Foi justamente por isso que o Brasil quis aprovar a Lei da SAF, para começar. Esses jogos que são feitos, essa política que é praticada... destruíram alguns dos maiores clubes da história do Brasil. E a Lei da SAF foi aprovada com grande ambição para aquilo que o futebol brasileiro deveria ser. Nós (no futebol brasileiro) produzimos algo como 20% dos melhores atletas do mundo, mas não vencemos 20% das Copas do Mundo. Espero que vençamos este ano. Mas o Brasil é a maior nação do futebol do planeta. Isso é indiscutível.", afirmou, admitindo, portanto, torcida para a Seleção Brasileira no Mundial em curso na América do Norte. Mas ele emendou:
"É a liga pior administrada do planeta (a brasileira) por causa dos velhos métodos. E o que está acontecendo agora é que eles estão tentando voltar aos velhos métodos. Olhe para todo o progresso no Botafogo, das instalações aos atletas, da ambição à confiança. Eu transformei este clube de um clube com torcedores desesperados para um clube com torcedores gananciosos, certo? Eu adoro que eles sejam gananciosos. "John, isso não é suficiente. Precisamos ganhar mais." Quer dizer, isso fere os meus sentimentos, mas também me deixa orgulhoso, porque todo torcedor do Botafogo acha que temos que ganhar muitos títulos.", completou.
Textor entende que o modo como o caso alvinegro está sendo tratado é injusto com ele. Mas também perigoso para o país.
"Então, onde estamos agora, como país... estou ainda mais preocupado. E se você aprova essa lei, convida esse capital e depois trata essas pessoas tão mal? Você vai à Justiça, consegue um juiz do seu lado, pode tirar quem trouxe o campeonato para você, pode pegar o dinheiro dele e ele simplesmente vira nada. 'Obrigado pela ajuda, John, mas os torcedores são ótimos e querem que você vá embora.'. Ninguém mais vai investir no futebol brasileiro no futuro. Eu vim, fui o primeiro comprador de uma SAF, junto com Ronaldo, no Cruzeiro. E acho que fizemos uma diferença positiva: lidamos com a corrupção, lidamos com governança, lidamos com televisão, trouxemos de volta a glória ao grande nome do futebol brasileiro. E é algo tão horrível para o país que os velhos dinossauros do clube social simplesmente possam dizer: 'Ah, vamos voltar no tempo'. Então eu não vou deixar isso acontecer. Vou continuar lutando. Vou ficar no Brasil até morrer. Vou ficar no Botafogo por ainda mais tempo. Então, vamos ver o que acontece. Mas eu não vou parar de lutar.
Sim, mas quanto tempo você acha que isso vai levar? Qual é o caminho para conseguir isso?
"Há algumas coisas que eu quero dizer: as redes sociais estão prestando um enorme desserviço aos torcedores. Algumas das mentes mais brilhantes das redes sociais, alguns dos principais comentaristas do jornalismo esportivo... muitos deles confidenciaram isso para mim. Eles dizem: 'John, eu sei que você é a solução certa. Sei que você e Marinakis formam um time dos sonhos. Mas existe uma multidão furiosa no Twitter, eles pagam minhas assinaturas e eu tenho esposa, filho e família. Então não posso apoiar você agora, mesmo acreditando em você.'", acusou John Textor, antes de emendar com mais acusações:
"Grande parte da mídia que está controlando a narrativa sobre o que está acontecendo e o que não está acontecendo está difundindo narrativas falsas. E essas narrativas são divulgadas por Montenegro e outras pessoas. Isso acontece todos os dias porque, sabe, o gringo está lá nos Estados Unidos. Eu não consigo acompanhar todas as mensagens do dia a dia."
John Textor aproveita para pontuar como poderia, sob a ótica dele, ter contribuído para a SAF.
"Quero voltar um pouco no tempo. Muitas vezes, antes de janeiro, tentei encontrar uma solução com o clube social, mas eles não quiseram. Estavam negociando dos dois lados. Conversavam com a Ares, conversavam com Michelle Kang, com a Eagle Bidco... finalmente chegamos à última semana de janeiro, pouco antes do jogo contra o Cruzeiro, e a nossa temporada estava prestes a começar. Eu tinha 25 milhões de dólares entrando por meio de um financiador, e a GDA havia feito um acordo comigo para sermos parceiros em partes iguais, 50% para cada um. Eu também tinha outros 35 milhões de euros vindo de um clube da Europa... todos nós sabemos qual. Eles comprariam os jogadores, os emprestariam de volta para nós e nos dariam a possibilidade de participar da valorização deles.", recordou Textor. E emendou:
"Os jogadores permaneceriam conosco. Então seriam mais de 65 milhões de dólares em dinheiro. Esse valor estaria nas nossas contas nos dias 28 ou 29 de janeiro. Mas o clube social realizou uma reunião, uma reunião secreta na casa do JP (João Paulo Magalhães, presidente do Associativo), na quarta-feira anterior àquele jogo, e votou para entregar as ações - que eles nem tinham para entregar - à outra parte e colocar o clube em recuperação judicial. Ninguém jamais havia discutido essa ideia de recuperação judicial comigo. É uma loucura.", criticou John Textor.
No meio da guerra que o clube vive nos bastidores, John Textor faz acusações fortes contra seus adversários.
"Você (desta forma) constrói a reputação do Botafogo no mundo apenas para deixar sem receber todos os clubes aos quais você deve dinheiro. Isso não é certo para o Botafogo. Mas eles (clube associativo) não podiam fazer nada em relação a isso porque eu estava chegando com o dinheiro. Eles queriam a recuperação judicial; eu queria colocar 65 milhões de dólares no clube. Então eles foram à Justiça. E todo influenciador ligado ao clube social sabe disso. O clube social foi à Justiça para bloquear transações financeiras e bloquear transações de jogadores. Então, quando eles dizem que o John causou os transfer bans. Tudo o que você precisa fazer para saber que isso é mentira é olhar para o dia 28 de janeiro, porque eles foram à Justiça para impedir a entrada do dinheiro.", disparou o estadunidense, para emendar:
"Imagine se tivéssemos 65 milhões de dólares na nossa conta em 30 de janeiro. Nunca tivemos tanto dinheiro no banco de uma só vez, nem mesmo no nosso maior ano de conquistas. Então, se você tivesse 65 milhões de dólares em caixa, tivesse controle de tudo e ainda mantivesse as relações com Marinakis e com outros investidores - porque ainda era uma grande história - não haveria transfer bans, não haveria recuperação judicial. Nós não estaríamos tendo esta conversa. Então é importante.", acredita.
Textor vive batalhas com atores do clube associativo em diferentes instâncias. E mantém as críticas.
"Houve pelo menos quatro momentos em que o clube social bloqueou a entrada do dinheiro, e os influenciadores ligados ao clube social não estão dizendo a verdade sobre essa história. Eles conhecem os fatos. E aqui estamos de novo. Se ninguém acreditava em mim antes, bem, acabou de acontecer de novo neste fim de semana (o último de junho). Na sexta-feira, o conselho de administração aprovou a entrada de muito dinheiro de investidores muito específicos. E, na segunda-feira (29), o clube social realiza uma assembleia e diz: "Não, não. Nós não vamos aceitar o dinheiro do Textor." É muito importante que as pessoas chamem isso pelo que realmente é. Isso é Montenegro e o ego dele, porque ele ganhou um desses em 1995 e isso fere os sentimentos dele, porque agora nós temos dois desses em 2024. Eu fiz o meu melhor para honrar o legado dele e demonstrar respeito. Eu o respeitei. Mas foi demais para ele. Ele precisava do clube de volta. E o que ele fez? Simplesmente nomeou um monte de amigos para o conselho."
Correspondente digital da Itatiaia no Rio de Janeiro. Formado na PUC Rio, já cobriu clubes e negócios do esporte, além de ter experiência como assessor de imprensa e editor de texto. Se o esporte move paixões, ele pode mudar vidas.



