John Textor analisa principais erros e acertos no Botafogo: 'Algo muito raro'
Empresário estadunidense viveu altos e baixos no comando da SAF alvinegra

John Textor chegou no Botafogo, investiu, viu o time ser campeão, mas também se envolveu em polêmicas e, recentemente, foi destituído de poderes no clube. A Itatiaia entrevistou com exclusividade o empresário estadunidense, que segue relevante entre parte da torcida. E ele se mantém propenso a retomar o posto de dono da SAF, além de seguir disparando críticas aos oponentes. Nesta quarta parte da conversa de mais de uma hora, ele coloca na balança os movimentos que fez no comando do futebol alvinegro.
Qual foi a sua maior conquista e qual foi o maior erro que você acha que cometeu na estrutura de propriedade que criou? Não apenas no Botafogo, mas em todo o grupo.
"Toda família, todo clube, quer dizer que o proprietário está focado apenas naquele clube. E acho que todo mundo no Botafogo sabe que o Botafogo sempre foi o meu clube favorito dentro da família de clubes. Mas nós construímos isso dando confiança aos agentes e aos jogadores de que, por meio do Botafogo, eles teriam um caminho a seguir. Então fizemos algo muito raro com o contrato do Luiz Henrique. Foram dois clubes com os quais ele assinou ao mesmo tempo. Talvez isso nunca tenha sido feito antes. Talvez tenha sido uma criação original da Eagle. O contrato tinha o Lyon e o Botafogo. E o acordo era: 'Venha para o Brasil, ajude-nos a conquistar um título e depois volte para a Europa quando você decidir, Luiz. A decisão será sua.', recordou Textor, antes de completar:
"Isso nos deu uma vantagem enorme na hora de contratar, porque eu fui à casa do Luiz na Espanha, na mesma semana em que o Flamengo esteve lá. Mas quem voltou com o jogador foi o Botafogo, não o Flamengo. Quando isso acontece? Nunca acontece, certo?", exaltou o empresário.
O empresário entende que a dinâmica de interação entre clubes de diferentes clubes foi benéfica para o Botafogo. E deu outros exemplos:
"O modelo multiclubes realmente ajudou muito. Ajudou a contratar o Thiago (Almada), ajudou a contratar o Igor (Jesus), ajudou a contratar muitos atletas, porque podíamos oferecer esse caminho. Então, essa foi a coisa mais inteligente que já fizemos, certo? A melhor coisa que fiz.", acredita o empresário.
Mas John Textor vive um momento de baixa - que tenta reverter. Houve derrotas nos bastidores do Botafogo, de onde foi destituído, e noutros clubes, como o Lyon, da França. Neste caso, ele não esconde uma frustração:
"Às vezes você se apaixona pela estrutura, pela arquitetura de um plano de negócios que funciona. E não pensa nos parceiros que traz para dentro. Se eles não estão nisso pelo mesmo motivo que você, então não existe alinhamento. A Michelle (Kang, do Lyon)... ela entrou pelas mulheres [Nota da redação: a tradução anterior deste trecho, e que se estendeu ao vídeo, estava imprecisa]. Mas ela é uma mulher muito ambiciosa. Tem um histórico de adquirir empresas de maneira hostil. Sinceramente, eu deveria ter pensado mais nisso. Deveria ter pensado mais nela. Na Ares.", admite Textor, citando o fundo estadunidense com quem ele fez negócios:
"É um novo fundo esportivo. Eles nunca foram ao Brasil. Nunca assistiram a um jogo no Brasil. Não se importavam com o Botafogo. Na noite em que eu estava segurando o cheque (do título Libertadores), aquele grande cheque de papelão, no palco, de 23 milhões de dólares, o meu telefone não parava de acender com piadas dos meus investidores. Diziam: "Manda o dinheiro para nós!" Que tipo de comentário idiota é esse para fazer quando você está em um palco, realizando uma das maiores conquistas que um clube de futebol pode alcançar? Essas pessoas só pensavam em dinheiro. E o meu erro foi trazer pessoas do dinheiro para dentro do clube.", lamenta o empresário.
John Textor também olha para frente. Tem orgulho de algumas decisões, lamenta outras, mas revela ter ressalvas com o futuro do Botafogo:
"Pessoas que têm dinheiro podem ser ótimas pessoas. Mas elas precisam ter coração, paixão e ambição. Precisam ter outro motivo para estar ali, e não apenas o dinheiro. O que me leva às minhas preocupações com Gabriel De Alba, porque eu o trouxe como amigo. Achei que o conhecesse melhor. Como parceiro, em uma divisão de 50% para cada lado. No fim das contas, ele ficou com um acordo melhor. Descobri que ele só pensa em dinheiro. Então, precisamos manter este clube nas mãos de pessoas que se lembrem do que eu sempre disse: você conquista campeonatos por amor.", afirmou Textor. E emendou:
"Você não conquista campeonatos porque quer ganhar dinheiro. Você não conquista campeonatos com ódio, com pessoas destruindo umas às outras. Você precisa pensar no tipo de pessoas das quais nos cercamos. E eu cometi esse erro. Eu estava tão ambicioso para ver essa visão maior se concretizar que não prestei atenção suficiente nas pessoas que estava trazendo para serem minhas parceiras.", completou.
Textor foi próximo e se distanciou de parceiros fora do país, mas também no Botafogo. Um que virou alvo de processo nos Estados Unidos foi Carlos Augusto Montenegro, presidente histórico do clube.
"Quando o Montenegro diz: "Todos os parceiros dele querem tirá-lo." Graças a Deus eles querem me tirar, porque não são o tipo de pessoa adequada para este clube. Esse foi o meu erro. E vou pensar nesse erro por muitos e muitos anos. Mas a lição foi aprendida. Agora temos capital. E ele vem de um dos maiores proprietários do futebol, um dos mais apaixonados e comprometidos com o seu clube. Ninguém compra jogadores como esse cara compra. Então, se você quer capital saudável, se quer muito capital, se quer ambição, se quer alguém que adore contratar jogadores, os melhores jogadores, vencer partidas e conquistar títulos, isso é o Kia (Joorabchian), isso é o (Evangelos) Marinakis, isso sou eu. Se você quer alguém que simplesmente assine um cheque rapidamente e salve o dia porque parece rico e administra um circo... bem, você vai aprender uma lição sobre a GDA. A mesma lição que eu aprendi.", concluiu.
Correspondente digital da Itatiaia no Rio de Janeiro. Formado na PUC Rio, já cobriu clubes e negócios do esporte, além de ter experiência como assessor de imprensa e editor de texto. Se o esporte move paixões, ele pode mudar vidas.



