Um dos gestos mais icônicos do futebol mundial - erguer o troféu acima da cabeça após a conquista de um título - nasceu de forma espontânea pelas mãos de um brasileiro. A cena histórica aconteceu na Copa do Mundo de 1958, quando o zagueiro e capitão da Seleção Brasileira, Bellini, levantou a taça Jules Rimet após o apito final da decisão contra a Suécia. O gesto, que hoje é repetido em praticamente todas as competições esportivas do planeta, tornou-se tradição a partir daquele momento.
A origem do movimento tem uma explicação curiosa. Após a vitória brasileira por 5 a 2 sobre os anfitriões do Mundial, no Estádio Rasunda, em Estocolmo, jornalistas e fotógrafos cercaram Bellini para registrar a conquista inédita do Brasil.
Sem entender o que os profissionais gritavam em diferentes idiomas e buscando facilitar as imagens, o capitão simplesmente ergueu o troféu acima da cabeça para que todos pudessem enxergar. A atitude espontânea se transformou em símbolo máximo da vitória e passou a representar o ápice de qualquer competição.
Até então, não havia um protocolo definido para a entrega do troféu. O ato de levantar a taça não era uma tradição consolidada. A imagem de Bellini com os braços estendidos e o troféu acima da cabeça percorreu o mundo e marcou o início de um ritual que ultrapassou o futebol, sendo incorporado em Olimpíadas, campeonatos continentais e torneios nacionais. O gesto, nascido de forma improvisada, tornou-se um dos maiores símbolos de celebração esportiva da história.
Quem foi Bellini?
Bellini nasceu em 7 de junho de 1930, em Itapira, interior de São Paulo. Zagueiro de estilo clássico, destacou-se pela liderança, elegância na saída de bola e forte presença física. Iniciou a carreira no Sanjoanense, mas ganhou projeção nacional atuando pelo Vasco da Gama, onde se tornou ídolo e referência defensiva na década de 1950. Posteriormente, também defendeu o São Paulo e o Atlético Paranaense.
Na Seleção Brasileira, Bellini foi capitão na campanha do título mundial de 1958 e também integrou o elenco campeão da Copa do Mundo de 1962, no Chile, embora não tenha sido o capitão naquela edição. Sua liderança em campo era reconhecida pela postura firme e pela capacidade de organizar o sistema defensivo em uma época em que o futebol passava por transformações táticas importantes.
Fora dos gramados, Bellini manteve vida discreta. Após encerrar a carreira, enfrentou problemas de saúde relacionados ao Alzheimer, condição que afetou diversos ex-jogadores de sua geração. Faleceu em 20 de março de 2014, aos 83 anos.
Capitão da Seleção em 1958, Bellini é considerado ídolo do Vasco
A campanha do Brasil na Copa do Mundo de 1958
A conquista da Copa do Mundo de 1958 marcou o primeiro título mundial da Seleção Brasileira e mudou definitivamente o patamar do futebol nacional. Após o trauma da final perdida em 1950, no Maracanã, o Brasil chegou à Suécia com uma equipe talentosa e mentalmente mais preparada. A campanha começou com vitória sobre a Áustria por 3 a 0, seguida de empate sem gols com a Inglaterra e triunfo por 2 a 0 sobre a União Soviética, resultado que marcou a estreia de um jovem de 17 anos chamado Pelé em Copas do Mundo.
Nas quartas de final, o Brasil venceu o País de Gales por 1 a 0, com gol de Pelé. Na semifinal, goleou a França por 5 a 2, com atuação histórica de Just Fontaine pelo lado francês, mas brilho coletivo da equipe brasileira.
Na grande decisão, diante da anfitriã Suécia, o time comandado por Vicente Feola confirmou o favoritismo e venceu por 5 a 2, com dois gols de Pelé e dois de Vavá. O apito final não apenas selou o primeiro título mundial do Brasil, como também eternizou o gesto de Bellini levantando a taça.
Pelé chora ao comemorar título da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958