Miguel Cardoso, diretor executivo da organização europeia antirracista Black Europens, defendeu o atacante Vinícius Júnior em entrevista ao canal de televisão português SIC Notícias, nesta quinta-feira (19).
O executivo que é torcedor e sócio do
Além de defender o atacante da
“Enquanto benfiquista e sócio do Benfica, para mim é um dos dias mais tristes da história do Benfica. Ver que o Benfica, neste momento, depois de duas semanas atrás ter feito um jogo extraordinário, hoje está nas bocas do mundo pelos piores motivos, é de fato, para mim, uma desilusão muito grande, tendo em conta tudo o que aconteceu”, iniciou Miguel.
“O problema já vem naquilo que aconteceu depois e principalmente com a posição institucional do clube que eu sou associado. O Benfica tomou partido do jogador sem que as investigações tivessem chegado a uma conclusão e eu não acho que essa foi a melhor decisão”, completou.
Defesa de Vini Jr.
Miguel Cardoso falou ainda que acredita que Vinícius tenha sido alvo de racismo. O executivo disse entender que o brasileiro vive uma situação difícil desde que saiu do Flamengo para o Real Madrid em 2018.
“Eu, enquanto homem negro, não tenho nenhuma dúvida que teve um insulto racial. Eu sigo a carreira desse jogador fenomenal, que é o Vinícius Júnior e sei perfeitamente o que ele tem passado desde que saiu do Brasil e foi para Madri”.
Ele disse, também, esperar que o atacante do Benfica receba uma punição.
“O futebol acaba sendo um espelho daquilo que acontece na sociedade. Nós vivemos, principalmente nos últimos anos, o aumento do discurso de ódio. Se fora de um estádio de futebol é crime insultar alguém com base na sua cor de pele, obviamente, dentro de campo, também tem que ser considerado crime”, disse.
“Se houve de fato, e eu acredito fielmente que houve um insulto racista, acho que jogador tem que ser punido por isso”, falou.
Posição de Mourinho
Por fim, Miguel Cardoso detonou o treinador José Mourinho. O
“Acho que José Mourinho não tem o direito de dizer para um jogador como ele deve ou não comemorar, porque isso abre um precedente: eu como sócio do Benfica, também posso ter o direito de dizer ao Mourinho como deve se portar como treinador no banco de reservas”, concluiu.