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Presidente do Fluminense explica a demissão de Fernando Diniz; veja

Técnico deixou o clube após sequência ruim na temporada e com contrato recém-renovado até o fim de 2025

Um dia após anunciar a demissão de Fernando Diniz, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, explicou em coletiva no CT Carlos Castilho, na manhã desta terça-feira (25), os motivos que levaram à saída do comandante.

Há pouco mais de um mês, o clube havia ampliado o vínculo do treinador até o final de 2025.

Entre os motivos citados, Mário afirmou que o trabalho estava sendo analisado desde o início da temporada. Após a conquista da Copa Libertadores, no ano passado, o Fluminense não reencontrou o bom futebol que levou ao título continental.

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“Acreditávamos que voltaríamos a ter a performance e os resultados. Não existe um número de derrotas específicas. Existe uma avaliação técnica do trabalho que vinha sendo feito ao longo da temporada. A gente está classificado na Libertadores, Copa do Brasil e mal no Brasileiro. Ficamos seis meses tentando reencontrar o elo. A gente conversava com o Fernando. O futebol tem dia a dia, a performance e o ambiente. Não falo do ambiente interno, a despedida do Fernando foi uma das maiores emoções. Para um presidente, o Fluminense é o mais importante. Não é o Mario Bittencourt, o Diniz”, iniciou.

O dirigente prosseguiu: “Somos instrumentos para fazer o clube brilhar, assim como os jogadores. Mas todos nós vamos passar e o Fluminense vai seguir. A decisão parte do departamento de futebol e da presidência. A gente precisa encontrar caminhos para voltar a vencer e ver a torcida parar de sofrer e sangrar”.

Em seguida, o mandatário tricolor contou sobre a recente renovação de contrato de Fernando Diniz, anunciada no final de maio. O novo vínculo iria até dezembro de 2025.

“A gente quando comanda um clube toma decisões baseadas em nossos conceitos. Fiz um alongamento do contrato dele até o final de 2025. Essa extensão foi baseada no que a gente acreditava, que é tentar dar longevidade ao trabalho dos treinadores. Uma prova disso é que o Fernando é o treinador mais longevo do Fluminense no século. O segundo é o Abel Braga. São os treinadores que mais apresentaram resultados. O tempo de trabalho permite isso. Quando acabou a Libertadores recebia centenas de milhares de mensagens pedindo que o contrato fosse renovado por 10 anos. A legislação não permite isso”, disse.

O presidente prosseguiu em sua explicação. “Nessa renovação, eu fiz a extensão somente até o final do meu contrato. Eu poderia ter feito até meados de 2026. Mas fiz a prorrogação de um ano e meio porque acreditava que o trabalho voltaria a dar os resultados que a gente vinha tendo”..

Mário ainda deixou claro sobre a busca por um novo treinador desde a demissão de Fernando Diniz. Segundo ele, o Tricolor não terá pressa no mercado para ter um novo comandante. Marcão seguirá de forma interina.

“Temos aqui um técnico permanente, que é o Marcão. Todas as vezes que ele assume eu falo: ‘O Marcão é muito qualificado, competente, estudioso, tem todas as licenças e um cara com resultados muito importantes’. É um acordo que a gente tem. Ele é um cara muito importante para os momentos das saídas dos treinadores. Por que a gente sempre efetiva o Marcão na saída dos treinadores? Porque o trabalho dele aqui é diário junto do treinador que está aqui. Em todas as vezes que a gente conversou ele falou: “Minha função é ajudar nos momentos de dificuldade”. Muitas vezes ele dá treino para os não relacionados em horários diferentes. A gente tem um processo decisório longo. O Marcão participa de todos os treinos dos treinadores do Fluminense. Quando o Fernando foi para a Seleção, quem treinava o time era o Marcão”, afirmou.

Veja as principais respostas de Mário Bittencourt

Multa contratual

“Nós, ontem, quando discutimos a saída, negociamos um acordo de redução e parcelamento da multa. Não tem nada que faça que não seja pensado no Fluminense. Os treinadores que passaram aqui, alguns tiveram contrato de prazo e outros não. O clube passava por situação difícil. Não queria tomar multa e acabei perdendo o Odair assim. Só para entenderem. Eu estava começando a gestão. No ano seguinte, achei melhor fazer por prazo determinado. Teve uma rescisão de comum acordo com o Roger. Com o Abel foi diferente, ele falou para mim que seria o último trabalho. Com o Diniz foi o acordo que está na CLT. É a mesma multa que vale se o treinador foi embora. Todos os treinadores que passaram por aqui estão integralmente pagos. Se eu fiz é porque o Fluminense tem capacidade de pagar. Quando ele foi para a Seleção, a gente recebeu uma multa”.

Despedida de Fernando Diniz

“Construímos essa relação. Eu sempre falei com ele sobre futebol. A gente nunca se encontrou além do campo. Sou amigo de todos que trabalham comigo, mas não impede de eu ter que tomar decisões que sangram no coração. A gente deu o mesmo abraço que em 2019, talvez com outra carga emocional. Choramos muito. Resolvemos a parte burocrática que ficou boa para todo mundo e ele pediu para se despedir de todos. Eu participei e vi uma das cenas mais bonitas que vi no futebol de jogadores e renomados e os que estão começando chorando. O choro foi muito de que a gente sabe que deu muito certo, a gente queria, mas não estava dando. Tenho certeza que essa relação de amor...não tem ódio nenhum. Foi um momento muito lindo. A partir de hoje, a gente tem que virar a página para a gente voltar a ganhar jogo”.

Elenco

“A gente monta elenco de acordo com o treinador. Por isso, a gente tenta manter o maior tempo possível. A maioria dos jogadores terminam contrato no final de 24/25. Nenhuma decisão é tomada assim: “eu quero esse jogador”. O time foi montado com a indicação ou a aceitação do treinador. Agora não adianta olhar a sequência de derrotas e achar que o trabalho não foi bem feito. Ganhamos uma Libertadores e Recopa. Nenhum time é vitalício. Uma das ideias de manter o Marcão são as peças que ele já conhece. Se ele quiser jogar de outra forma, ele já conhece as outras peças. Não significa que vai dar certo sempre, mas a gente tem que minimizar as chances de dar errado. Tem um cara (Marcão) aqui dentro que conhece os 35 jogadores”.


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Jornalista esportivo desde 2006 e com passagens por Lance!, Extra e assessorias de marketing esportivo. É correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Tem pós-graduação em Jornalismo Esportivo e formação em Análise de Desempenho voltado para mercado.
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