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Palmeiras avança para vender Estêvão, e Cruzeiro deverá receber valor milionário

Atacante do Verdão, de 17 anos, está perto de ser negociado junto ao Chelsea, da Inglaterra

Perto de ser vendido pelo Palmeiras ao Chelsea, da Inglaterra, o jovem atacante Estêvão, de 17 anos, pode render um valor milionário ao Cruzeiro. Com direito a bônus, os valores da negociação giram em torno de 65 milhões de euros (cerca de R$ 357 milhões).

Por ter revelado o jogador, o Cruzeiro tem direito a uma quantia de mecanismo de solidariedade, dispositivo criado pela Fifa para compensar a formação de atletas. No caso de Estêvão, o clube celeste deverá receber 0,34% do total da transferência, ou seja, aproximadamente R$ 1,21 milhão.

A Itatiaia confirmou que as tratativas estão evoluindo desde que o atacante do Palmeiras passou a ser observado com maior interesse pelo Chelsea. A multa contratual do camisa 41 está na casa dos 45 milhões de euros (cerca de R$ 246 milhões). O clube paulista detém 70% dos direitos econômicos, enquanto o restante é da família de Estêvão.

Segundo o jornalista Fabrizio Romano, especialista no mercado de transações do futebol, o Chelsea está disposto a pagar o valor da multa, acrescentando 20 milhões de euros (R$ 111 milhões) em bônus por metas atingidas.

O Palmeiras, com as contas equilibradas, ainda trata da negociação sem pressa em busca do melhor acordo para o clube.

Estêvão virou titular do Palmeiras

Estêvão virou titular do Palmeiras nesta temporada. Sob o comando de Abel Ferreira, o atacante já disputou 16 jogos, com três gols e uma assistência. Atuando preferencialmente pela ponta direita, o atleta se destaca pela velocidade e habilidade.

Passagem de Estêvão pelo Cruzeiro

Estêvão chegou ao Cruzeiro quando tinha nove anos após o pai do atleta, Ivo Gonçalves, chegar à Toca da Raposa, em Belo Horizonte, com um DVD dele em mãos. O atacante foi aceito pelo clube, passou pelo futsal e futebol de campo. Cresceu sob expectativa pela extrema habilidade com a perna esquerda e ganhou a alcunha que faz referência ao argentino Lionel Messi, eleito melhor do mundo oito vezes.

Aos dez anos, Estêvão assinou um contrato esportivo com a Nike. Na medida em que crescia a expectativa sobre seu futebol, no entanto, o garoto foi atingido indiretamente por um escândalo.

Em 2019, reportagem da TV Globo revelou que o Cruzeiro cedeu para empresários percentuais dos direitos econômicos de Estêvão, mesmo sem existir um contrato profissional, uma vez que ele tinha 12 anos. À época, houve ainda duas denúncias de negociações suspeitas feitas pelo então vice-presidente de futebol do clube, Itair Machado, e pelo presidente Wagner Pires de Sá.

O pai de Estêvão, Ivo Gonçalves, também estaria envolvido em uma das negociações, recebendo um percentual dos direitos do então postulante a jogador.

Essa prática fere as políticas da Fifa e é proibida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Essas e outras possíveis irregularidades da base do Cruzeiro passaram a ser investigadas pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Em seguida, um processo iniciou tramitação na 7ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em novembro de 2020.

Saída para o Palmeiras

Em 24 abril de 2021, Estêvão completou 14 anos e poderia assinar o primeiro contrato com vínculo não profissional. Foi quando a família e seus representantes decidiram levá-lo para o Palmeiras, colocando fim na passagem pela Toca da Raposa, iniciada em 2017.

A saída de Estêvão fez o Cruzeiro emitir nota oficial, lamentando o episódio e afirmando que a mudança foi “guiada de maneira bastante questionável pelo seu staff, que faltou com respeito e profissionalismo para com a instituição, dando um mau exemplo para o próprio garoto”.

A diretoria ainda acusou o Palmeiras de aliciamento, mas o clube alviverde rebateu e afirmou que a promessa estava livre no mercado e que agiu dentro dos princípios de ética e jurídicos.

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Leonardo Garcia Gimenez é repórter multimídia na Itatiaia. Natural de Arcos-MG e criado em Iguatama-MG. Passou também pela Record Minas.
Brenno Costa é jornalista multimídia formado pela Universidade Católica de Pernambuco e pós-graduado em comunicação e marketing pela Estácio. Atualmente, é correspondente da Itatiaia em São Paulo. Antes, trabalhou na Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco/Superesportes e no Globo Esporte.
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