Se o MP apurar, teremos ex-dirigente condenado pela Justiça em Minas Gerais também

Relatórios minuciosos da empresa Kroll mostraram situações absurdas cometidas em Cruzeiro e Atlético

Coluna do Alexandre Simões

As condenações dos dirigentes do Internacional Pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS) por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, poderia ser motivo de inveja para o torcedor mineiro, mas prefiro encarar como um sopro de esperança. De que aqui tenhamos o mesmo rigor com aqueles que levaram nossos maiores clubes, Cruzeiro e Atlético, à situação que enfrentaram na década passada e que foi o ponto principal para que neste momento aderir ao regime de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) tenha sido a saída para se evitar o fechamento por falência.

É importante destacar que o Conselho Fiscal do Internacional teve um papel importante no processo, que começou com a não aprovação de contas da gestão 2015/2016 de Vitorio Piffero, condenado a 10 anos e seis meses de prisão em regime fechado além de multas.

Além dele, mais quatro integrantes da sua diretoria também foram condenados na mesma sentença por questões relacionadas a obras pagas e não realizadas nas dependências do clube. A maior pena inclusive, 18 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, foi de Pedro Affatato, vice de finanças de Piffero. Ainda há um outro processo que trata especificamente das questões relacionadas ao futebol.

Mas deixemos o Colorado de lado e voltemos ao nosso universo. Cruzeiro e Atlético contrataram a Kroll para ter relatórios sobre gestões passadas dos dois clubes.

E uma das empresas mais qualificadas e respeitadas do mundo no segmento mostrou situações absurdas.

Não é preciso alongar muito para se recordar como eram administrados os clubes. Vamos a dois casos, um de cada lado, que acho definitivos para se mostrar como eram administrados nossos gigantes.

No Cruzeiro, entre 2018 e 2019, o relatório da Kroll relatou o uso de cartão de crédito coorporativo em casa noturna de entretenimento adulto, resorts e clínica de estética.

Sim, torcedor, a casa noturna de entretenimento adulto é exatamente o que você está pensando. O dirigente foi. E quem pagou a conta foi o clube.

No Atlético, foram identificadas várias viagens de dirigente do clube que não tinham relação com a atividade do futebol do clube.

A virada de 2010 para 2011, por exemplo, foi em Dubai, depois com uma passagem pelo Líbano, num tour para duas pessoas que custou R$ 200 mil aos cofres do clube.

Era tudo feito pela mesma agência de viagens que atendia ao Galo, e que depois até esteve envolvida em situação parecida numa CPI da Câmara Municipal há cerca de dois anos.

Aconteceu em Lourdes, por exemplo, o absurdo de um diretor financeiro receber R$ 300 mil mensais, enquanto o salário de mercado para a função era de R$ 50 mil. Quem autorizou pagar? Por que? Com qual objetivo?

Nós não podemos esquecer que o universo político é sempre agitado pela prática da chamada “rachadinha”. Isso acontecia?

Essas situações precisam sair dos relatórios e serem explicadas ao torcedor. Os dois clubes quebraram e vivem atualmente um regime de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) justamente pelo uso indevido de recursos.

Futebol não é ciência exata. Clubes e dirigentes acertam e erram na condução das instituições, mas o que a Kroll aponta não são contratações que deram errado ou apostas que não vingaram. É uso indevido de dinheiro da agremiação. E ela não tinha dono, pelo menos até virar SAF.

O Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG) e a Polícia Civil estão no processo e precisam dar uma resposta ao torcedor mineiro.

Leia também

Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.

Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro

Ouvindo...