As condenações dos dirigentes do Internacional Pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS) por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, poderia ser motivo de inveja para o torcedor mineiro, mas prefiro encarar como um sopro de esperança. De que aqui tenhamos o mesmo rigor com aqueles que levaram nossos maiores clubes, Cruzeiro e Atlético, à situação que enfrentaram na década passada e que foi o ponto principal para que neste momento aderir ao regime de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) tenha sido a saída para se evitar o fechamento por falência.
É importante destacar que o Conselho Fiscal do Internacional teve um papel importante no processo, que começou com a não aprovação de contas da gestão 2015/2016 de Vitorio Piffero, condenado a 10 anos e seis meses de prisão em regime fechado além de multas.
Além dele, mais quatro integrantes da sua diretoria também foram condenados na mesma sentença por questões relacionadas a obras pagas e não realizadas nas dependências do clube. A maior pena inclusive, 18 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, foi de Pedro Affatato, vice de finanças de Piffero. Ainda há um outro processo que trata especificamente das questões relacionadas ao futebol.
Mas deixemos o Colorado de lado e voltemos ao nosso universo. Cruzeiro e Atlético contrataram a Kroll para ter relatórios sobre gestões passadas dos dois clubes.
E uma das empresas mais qualificadas e respeitadas do mundo no segmento mostrou situações absurdas.
Não é preciso alongar muito para se recordar como eram administrados os clubes. Vamos a dois casos, um de cada lado, que acho definitivos para se mostrar como eram administrados nossos gigantes.
No Cruzeiro, entre 2018 e 2019, o relatório da Kroll relatou o uso de cartão de crédito coorporativo em casa noturna de entretenimento adulto, resorts e clínica de estética.
Sim, torcedor, a casa noturna de entretenimento adulto é exatamente o que você está pensando. O dirigente foi. E quem pagou a conta foi o clube.
No Atlético, foram identificadas várias viagens de dirigente do clube que não tinham relação com a atividade do futebol do clube.
A virada de 2010 para 2011, por exemplo, foi em Dubai, depois com uma passagem pelo Líbano, num tour para duas pessoas que custou R$ 200 mil aos cofres do clube.
Era tudo feito pela mesma agência de viagens que atendia ao Galo, e que depois até esteve envolvida em situação parecida numa CPI da Câmara Municipal há cerca de dois anos.
Aconteceu em Lourdes, por exemplo, o absurdo de um diretor financeiro receber R$ 300 mil mensais, enquanto o salário de mercado para a função era de R$ 50 mil. Quem autorizou pagar? Por que? Com qual objetivo?
Nós não podemos esquecer que o universo político é sempre agitado pela prática da chamada “rachadinha”. Isso acontecia?
Essas situações precisam sair dos relatórios e serem explicadas ao torcedor. Os dois clubes quebraram e vivem atualmente um regime de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) justamente pelo uso indevido de recursos.
Futebol não é ciência exata. Clubes e dirigentes acertam e erram na condução das instituições, mas o que a Kroll aponta não são contratações que deram errado ou apostas que não vingaram. É uso indevido de dinheiro da agremiação. E ela não tinha dono, pelo menos até virar SAF.
O Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG) e a Polícia Civil estão no processo e precisam dar uma resposta ao torcedor mineiro.
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