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Na terra do ‘trem’, planos de governo em Minas historicamente dão pouca atenção às ferrovias

A Itatiaia recordou os planos de governo nas últimas quatro eleições em Minas Gerais e elenca as propostas para o setor ferroviário

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Locomotiva a vapor na década de 1940, em Itabira
Locomotiva a vapor na década de 1940, em Itabira • Arquivo Público Mineiro

A relação de Minas Gerais com os trens é consolidada culturalmente, faz parte do vocabulário da população e do imaginário que o restante do país construiu sobre o mineiro. Do ponto de vista prático, porém, as ferrovias no estado que já teve a maior extensão de trilhos no Brasil são pouco discutidas por quem disputou o Executivo Estadual. Às vésperas de mais uma eleição para o Palácio Tiradentes, a Itatiaia revisitou os planos de governo dos três melhores colocados nos últimos quatro pleitos para mostrar como as propostas para a área são escassas, superficiais ou até mesmo inexistentes em vários casos.

 

O levantamento foi feito a partir dos planos de governo registrados pelas campanhas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As informações estão disponíveis no sistema de dados abertos da corte a partir do pleito de 2010, período avaliado pela reportagem.

 

Na última disputa pelo Palácio Tiradentes, o governador Romeu Zema (Novo) foi reeleito no primeiro turno com um plano de governo que utilizava a expressão ‘Minas nos trilhos’ em referência ao slogan da gestão no primeiro mandato.

 

No campo técnico, o plano de Zema citava a continuidade do Plano Estratégico Ferroviário (PEF), voltado para o transporte de cargas e passageiros e aprovado em 2020. A proposta incluía a viabilização de shortlines (linhas curtas), ramais ferroviários, pontos de conexão e terminais de carga rodoferroviários.

 

Alexandre Kalil, que concorreu pelo PSD, terminou na segunda colocação e trazia em seu plano de governo a proposta de  investir na infraestrutura de mobilidade ferroviária para aumentar a conectividade entre modais. No setor de turismo, a proposta incluía o incentivo à revitalização da malha ferroviária mineira como forma de ampliar as opções de deslocamento para moradores e turistas.

 

Já Carlos Viana, que terminou na terceira posição concorrendo pelo PL, não utilizou o termo ‘ferrovia’ em seu plano de governo, mas focou especificamente no sistema de trilhos urbanos com a construção da Linha 2 do Metrô e a ampliação do atendimento do modal até as cidades de Betim e Ribeirão das Neves.

 

Eleições de 2018

 

Zema foi eleito pela primeira vez em 2018 com um plano de governo que criticava as ferrovias ultrapassadas e ausência de reais investimentos logísticos. A proposta do então novato nas eleições era utilizar o mercado para viabilizar investimentos na construção de ferrovias por meio de entidades privadas, utilizando o modelo de concessões ou parcerias público-privadas (PPPs).

 

Antônio Anastasia, então no PSDB, ficou na segunda colocação e, em seu plano de governo, não utilizou nominalmente o termo ‘ferrovia’. Ainda assim, ele defendeu uma plataforma de logística moderna com articulação entre os diversos modais para atrair investimentos.

 

Fernando Pimentel (PT) completou o pódio sem apresentar propostas nominais para ferrovias no plano de governo. O foco em infraestrutura foi empregado na implementação do Plano de Mobilidade do Transporte Intermunicipal e na continuidade de concessões e PPPs.

 

Eleições de 2014

 

Em 2014, Fernando Pimentel foi eleito tratando sobre o tema das ferrovias em seu plano de governo como um "vácuo de planejamento econômico" e propôs, como parte de um plano integrado de logística, reativar, redimensionar e expandir a malha ferroviária mineira.

 

Pimenta da Veiga (PSDB) terminou em segundo lugar e, em seu plano de governo, utilizou o modal ferroviário como um indicador de riqueza estrutural, afirmando que Minas Gerais possui a segunda maior malha ferroviária do país, com uma extensão superior a 5 mil km. No entanto, não apresentou propostas específicas.

 

A terceira colocação ficou com Tarcísio Delgado (PSB). Ele apresentou propostas em duas frentes. No campo da logística, propôs desenvolver modais alternativos ao rodoviário, conferindo ênfase explícita às ferrovias e hidrovias. No aspecto da mobilidade urbana, tratou sobre priorizar o transporte público através de financiamentos que integrem modais como trens, metrôs e veículos leves sobre trilhos (VLTs).

 

Eleições de 2010

 

Há 16 anos, a eleição para o Governo de Minas terminou com Antônio Augusto Anastasia, do PSDB, eleito no primeiro turno. Em seu plano de governo não havia qualquer menção ao termo ‘ferrovia’. O documento focava em diretrizes gerais de infraestrutura e na introdução de "mecanismos de gestão da infraestrutura existente".

 

Segundo lugar nas eleições, Hélio Costa, do PMDB, também não fez menções específicas a ferrovias em seu plano de governo. O documento listou apenas "Transporte e Logística" como um subeixo da infraestrutura voltada para a redução de desigualdades.

 

José Fernando, do PV, o terceiro colocado na disputa, foi o único do pódio a fazer referência direta às ferrovias em seu plano de governo.  O candidato afirmava que a reunião de rodovias com ferrovias forma o conjunto rodoferroviário, facilitando o escoamento e fluxo de produtos. Sua proposta central era a implantação de um sistema viário em todo o estado que servisse como alternativa para o transporte de toda a produção mineira.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), é chefe de reportagem na Itatiaia. Trabalhou durante 10 anos no jornal Estado de Minas, onde foi estagiário, repórter, capista, subeditor e editor-assistente do em.com.br e do portal UAI. Também colaborou com matérias para o portal UOL e foi assessor de imprensa no Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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