'Talvez a próxima presa pedagógica seja eu', diz irmã de Deolane Bezerra
Daniele Bezerra teceu críticas à fala de procurador sobre prisão da irmã

A advogada Daniele Bezerra, irmã de Deolane Bezerra, usou as redes sociais para se pronunciar após a prisão da irmã.
Através do Instagram, ela comentou sobre a fala do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, sobre o caso. Logo após a prisão, na quinta-feira (21), ele afirmou que a ação possui um “caráter pedagógico” e pode servir de alerta para jovens.
Daniele então comentou aos seguidores que, caso as prisões continuem dessa maneira, 'ela pode ser a próxima presa', e explicou a reclamação na publicação.
"Boa tarde. Eu não ia me pronunciar, mas eu tenho recebido no meu direct muitos jovens advogados com medo dessa prisão pedagógica. A fala de que a prisão de uma advogada teria caráter pedagógico é grave, perigoso. É incompatível com o estado democrático de direito", iniciou ela.
Daniele cobrou OAB após fala de procurador
Durante a fala, Daniele chegou a cobrar da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) um posicionamento.
"O código de processo penal não prevê prisão para dar exemplo. Mandar recado, intimidar os profissionais. Cadê vocês, OAB? Cadê o Conselho Federal? Cadê a OAB São Paulo? Vocês vão permitir? Vocês vão se calar, vocês vão se amedrontar? Os advogados vão ter que atuar com medo? Com medo de serem presos pedagogicamente?", questionou.
Ela prosseguiu: "Quando a prisão vira um discurso pedagógico o direito perde espaço para o espetáculo. Parem de espetacu- espetacularizar a prisão da Deolane. São anos de eleição, são tempos sombrios. E digo mais, talvez a próxima presa pedagógica seja eu.", disse.
"Não se fala em outra coisa nesse país nas mídias, nos meios eletrônicos, acabou todos os escândalos políticos e só existe uma prisão pedagógica de uma advogada que recebeu R$24.500 em 2020 no exercício da sua profissão.", finalizou.
Mariana Taveira é estagiária do portal Itatiaia. Graduanda em Jornalismo pela UFMG, atua na cobertura de Minas Gerais, Brasil, Mundo e Entretenimento. Foi estagiária de produção na Record Minas e é entusiasta de narrativas que nascem do cotidiano e das paixões coletivas.



