Ex-BBB Nego Di é condenado a mais de 14 anos de prisão no RS
Influenciador está em liberdade provisória desde novembro de 2024, quando deixou a Penitenciária de Canoas após quatro meses preso

A Justiça do Rio Grande do Sul condenou, nesta terça-feira (23), o influenciador digital, humorista e ex-BBB Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, a mais de 14 anos de prisão. A sentença, em regime fechado, foi proferida pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada e uso de documento falso, relacionados a um processo envolvendo rifas ilegais.
O influenciador está em liberdade provisória desde novembro de 2024, quando deixou a Penitenciária de Canoas após quatro meses preso. Essa prisão se referia a uma primeira condenação por estelionato, no caso envolvendo a loja virtual “Tadizuera”. Ele já havia sido preso pelo mesmo crime em julho de 2024.
Na nova decisão judicial, Nego Di também foi condenado a um ano e quinze dias de prisão simples (infração contravencional), em regime semiaberto, pelo crime de promoção de loteria ilegal. A esposa do ex-BBB, Gabriela Sousa, também foi sentenciada a oito anos e quatro meses de reclusão, em regime fechado, pelo crime de lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Dilson teria promovido, entre novembro de 2022 e maio de 2024, ao menos 34 rifas eletrônicas sem autorização legal. As rifas eram divulgadas em perfis nas redes sociais, nas quais Nego Di ofertou prêmios em dinheiro e bens mediante a compra de bilhetes. Ele também teria promovido, de forma fraudulenta, a rifa de um veículo Porsche Macan, que acabou sendo transferido para ele próprio, além de R$ 150 mil em dinheiro.
Nego Di e a esposa foram alvo de uma operação do MPRS em julho de 2024, relacionada ao processo das rifas ilegais. Na ocasião, Gabriela Sousa chegou a ser presa em flagrante durante a operação, após agentes encontrarem uma arma de uso exclusivo das Forças Armadas, sem registro, em sua posse.
A ação, envolvendo as rifas, teria resultado em prejuízo de R$ 185,3 mil para mais de nove mil pessoas. O Ministério Público afirma que o humorista teria induzido as vítimas ao erro e criado um vencedor fictício para as promoções.
A investigação ainda aponta que o influenciador e a companheira lavaram R$ 2,5 milhões com contas de terceiros. Esses valores teriam sido usados para a compra de veículos de luxo e imóveis em Porto Alegre, além de outros na Serra e no Litoral gaúcho.
O MP também alegou que Nego Di utilizou um documento falso ao divulgar, em rede social, um comprovante de transferência via PIX no valor de R$ 1 milhão para uma campanha solidária às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Entretanto, o valor doado teria sido de apenas R$ 100.
A CNN procurou a defesa de Nego Di e de Gabriela Sousa e aguarda retorno.
Em junho do ano passado, o influenciador já havia sido condenado a 11 anos e oito meses de prisão em outro processo por estelionato, junto com seu sócio Anderson Bonetti. A dupla mantinha a loja virtual “Tadizuera”, que ofertava produtos a preços abaixo do valor de mercado, mas os condenados não cumpriram as ofertas.
Segundo a polícia, as vítimas do golpe da “Tadizuera” tiveram um prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões. Uma das vítimas, que sofreu um prejuízo de R$ 30 mil ao comprar dois celulares e alguns aparelhos de ar-condicionado, relatou à CNN o "modus operandi" de Nego Di.
De acordo com ela, em 2022, o suspeito vendeu aparelhos celulares com valores bem abaixo do mercado e fez a entrega para dar veracidade ao golpe. Logo após, ele anunciou que criaria uma loja virtual, vendendo produtos com preços baixos para que todos pudessem ter acesso.
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