Uma nova
Segundo a denúncia, os supostos abusos teriam acontecido na residência do cantor e deixado consequências emocionais e psicológicas que, de acordo com os autores da ação, persistem até hoje. O pedido é direcionado ao espólio que administra os bens, direitos autorais e negócios de Michael Jackson desde sua morte.
Os Cascio afirmam que um acordo firmado em 2020, cujo valor não foi divulgado, não refletiu a gravidade dos danos sofridos. A família sustenta que aceitou o acerto sob coação e agora busca uma reparação compatível com precedentes judiciais, como o pagamento de US$ 25 milhões feito por Jackson a outro acusador nos anos 1990.
Alegações
O processo ganhou grande repercussão por envolver personagens conhecidos do público e por reabrir discussões que pareciam encerradas. De acordo com informações publicadas pelos jornais O Globo e pelo site TMZ, o advogado Marty Singer, que representa o espólio de Michael Jackson, classificou a ação como uma tentativa de extorsão.
Segundo Singer, a família Cascio estaria usando acusações de grande impacto midiático para pressionar por vantagens financeiras, mesmo após anos defendendo publicamente a inocência do cantor.
Do outro lado, o advogado Howard King, representante dos Cascio, afirma que os supostos abusos causaram danos profundos às vítimas. Ele diz que uma delas estaria gravemente abalada e que o sofrimento se intensifica quando o entorno do artista nega publicamente as acusações.
King também afirma que existem mais de dez horas de depoimentos gravados em vídeo, coletados em entrevistas realizadas em 2024, que sustentariam a denúncia. Para ele, o valor pedido na ação se justifica tanto pelo número de vítimas quanto por decisões anteriores da Justiça em casos semelhantes.
Histórico
A ligação entre Michael Jackson e a família Cascio sempre foi conhecida como próxima. Frank Cascio, principal autor da ação, trabalhou como assistente pessoal do cantor e manteve uma relação de amizade com ele por mais de 30 anos. De acordo com reportagens do jornal New York Amsterdam News, o contato começou quando o pai de Frank conheceu Jackson em um hotel de Nova York. A partir daí, o cantor passou a frequentar a casa da família, especialmente após os atentados de 2001.
Em 2011, Frank Cascio publicou o livro ‘Meu amigo Michael’, no qual defendia o artista e negava qualquer comportamento inadequado. Na obra, ele afirmou que nunca presenciou atitudes suspeitas durante a convivência com o cantor, tanto na infância quanto na vida adulta.
Essa posição, no entanto, mudou após a exibição do documentário “Leaving Neverland”, da HBO, em 2019. Segundo os administradores do espólio, John Branca e John McClain, Cascio passou a fazer novas exigências financeiras e teria oferecido materiais e serviços de consultoria relacionados à imagem de Michael Jackson.
Imbróglio
Em janeiro de 2020, a família Cascio e o espólio do cantor assinaram um acordo confidencial, com pagamentos parcelados ao longo de cinco anos e cláusulas que previam arbitragem. O impasse voltou à tona em julho de 2024, quando Frank Cascio teria exigido US$ 213 milhões e ameaçado divulgar informações que poderiam comprometer negócios estratégicos do espólio.
Segundo a defesa de Michael Jackson, essas ameaças ocorreram em um momento sensível, quando estava em negociação a venda de 50% do catálogo musical do artista para a Sony, transação concluída naquele ano por cerca de US$ 600 milhões.
Os advogados do espólio afirmam que a nova ação faz parte de um esquema de extorsão civil e que a família Cascio tenta obter mais dinheiro anos depois de ter defendido o cantor publicamente.