Michael Jackson: ação judicial pede indenização de US$ 200 milhões por suposto abuso cometido pelo ‘Rei do Pop’

Família Cascio acusa o espólio do cantor de abusos ocorridos na infância e diz que acordos anteriores foram firmados sob pressão

Pedido de indenização é direcionado ao espólio que administra os bens, direitos autorais e negócios de Michael Jackson desde sua morte

Uma nova ação judicial apresentada nos Estados Unidos voltou a colocar o nome de Michael Jackson no centro de uma das maiores controvérsias de sua trajetória. Cinco integrantes da família Cascio entraram com um processo, no último dia 15 de janeiro, pedindo uma indenização de US$ 200 milhões ao espólio do artista, sob a alegação de abusos sexuais ocorridos quando ainda eram crianças.

Segundo a denúncia, os supostos abusos teriam acontecido na residência do cantor e deixado consequências emocionais e psicológicas que, de acordo com os autores da ação, persistem até hoje. O pedido é direcionado ao espólio que administra os bens, direitos autorais e negócios de Michael Jackson desde sua morte.

Os Cascio afirmam que um acordo firmado em 2020, cujo valor não foi divulgado, não refletiu a gravidade dos danos sofridos. A família sustenta que aceitou o acerto sob coação e agora busca uma reparação compatível com precedentes judiciais, como o pagamento de US$ 25 milhões feito por Jackson a outro acusador nos anos 1990.

Alegações

O processo ganhou grande repercussão por envolver personagens conhecidos do público e por reabrir discussões que pareciam encerradas. De acordo com informações publicadas pelos jornais O Globo e pelo site TMZ, o advogado Marty Singer, que representa o espólio de Michael Jackson, classificou a ação como uma tentativa de extorsão.

Segundo Singer, a família Cascio estaria usando acusações de grande impacto midiático para pressionar por vantagens financeiras, mesmo após anos defendendo publicamente a inocência do cantor.

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Do outro lado, o advogado Howard King, representante dos Cascio, afirma que os supostos abusos causaram danos profundos às vítimas. Ele diz que uma delas estaria gravemente abalada e que o sofrimento se intensifica quando o entorno do artista nega publicamente as acusações.

King também afirma que existem mais de dez horas de depoimentos gravados em vídeo, coletados em entrevistas realizadas em 2024, que sustentariam a denúncia. Para ele, o valor pedido na ação se justifica tanto pelo número de vítimas quanto por decisões anteriores da Justiça em casos semelhantes.

Histórico

A ligação entre Michael Jackson e a família Cascio sempre foi conhecida como próxima. Frank Cascio, principal autor da ação, trabalhou como assistente pessoal do cantor e manteve uma relação de amizade com ele por mais de 30 anos. De acordo com reportagens do jornal New York Amsterdam News, o contato começou quando o pai de Frank conheceu Jackson em um hotel de Nova York. A partir daí, o cantor passou a frequentar a casa da família, especialmente após os atentados de 2001.

Em 2011, Frank Cascio publicou o livro ‘Meu amigo Michael’, no qual defendia o artista e negava qualquer comportamento inadequado. Na obra, ele afirmou que nunca presenciou atitudes suspeitas durante a convivência com o cantor, tanto na infância quanto na vida adulta.

Essa posição, no entanto, mudou após a exibição do documentário “Leaving Neverland”, da HBO, em 2019. Segundo os administradores do espólio, John Branca e John McClain, Cascio passou a fazer novas exigências financeiras e teria oferecido materiais e serviços de consultoria relacionados à imagem de Michael Jackson.

Imbróglio

Em janeiro de 2020, a família Cascio e o espólio do cantor assinaram um acordo confidencial, com pagamentos parcelados ao longo de cinco anos e cláusulas que previam arbitragem. O impasse voltou à tona em julho de 2024, quando Frank Cascio teria exigido US$ 213 milhões e ameaçado divulgar informações que poderiam comprometer negócios estratégicos do espólio.

Segundo a defesa de Michael Jackson, essas ameaças ocorreram em um momento sensível, quando estava em negociação a venda de 50% do catálogo musical do artista para a Sony, transação concluída naquele ano por cerca de US$ 600 milhões.

Os advogados do espólio afirmam que a nova ação faz parte de um esquema de extorsão civil e que a família Cascio tenta obter mais dinheiro anos depois de ter defendido o cantor publicamente.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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