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Irmã de Deolane Bezerra fala pela primeira vez sobre prisão: 'Isso é grave'

Deolane Bezerra foi presa em operação que investiga lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC)

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Da esquerda para direita, as irmãs Daniela, Deolane e Dayanne Bezerra
Da esquerda para direita, as irmãs Daniela, Deolane e Dayanne Bezerra • Reprodução I Redes Sociais

Daniele Bezerra, irmã de Deolane Bezerra, se pronunciou na manhã desta quinta-feira (21) sobre a prisão da influenciadora. Na ocasião, ela disse que é "grave" condenar uma pessoa "perante a opinião pública" e apenas "depois buscar provas". Deolane foi presa em uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil de São Paulo contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em nota, Daniele, que também é advogada, afirmou: "Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos."

"Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública... para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social", acrescentou.

"Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome", concluiu.

Prisão

A prisão da influenciadora ocorreu nesta manhã. Na mesma operação, há um mandado de prisão contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe da facção, que já está preso. Parentes de Marcola também estão na mira.

Conforme informações apuradas pela reportagem, o ponto de partida do caso ocorreu em 2019, quando a polícia apreendeu bilhetes e manuscritos no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, com dois detentos. O material indicava a dinâmica interna da facção, a atuação de lideranças encarceradas e possíveis articulações de ataques contra agentes públicos.

A partir dessas informações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos, que aprofundaram gradualmente a estrutura criminosa investigada.

No total, são seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão, na casa de Deolane. Nos últimos dias, a advogada passou os dias em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas retornou ao Brasil nessa quarta-feira (20).

A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão na casal dela e em outros endereços ligados a ela.

Transportadora e esquema de lavagem de dinheiro

O primeiro inquérito levou à identificação de referências internas da facção e citava a atuação de uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar endereços de agentes públicos.

A investigação avançou e chegou a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente apontada como instrumento de lavagem de dinheiro do crime organizado. O caso resultou na 'Operação Lado a Lado', que identificou movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada e crescimento patrimonial sem lastro econômico.

Nova frente investigativa e surgimento da Operação Vérnix

Durante a fase ostensiva da 'Operação Lado a Lado', a apreensão de um celular revelou conversas com integrantes da cúpula da facção e indícios de movimentações financeiras suspeitas, além de conexões com uma influenciadora digital de grande alcance nacional.

A partir desse material, surgiu a 'Operação Vérnix', que aprofundou a análise de um esquema mais amplo de lavagem de capitais, envolvendo empresas, patrimônio e transações financeiras de alto valor.

De acordo com a investigação, foram identificados indícios de incompatibilidade patrimonial, utilização de pessoas jurídicas para movimentação de valores e operações financeiras sem justificativa lícita comprovada.

Deolane passou a ser investigada por suposta participação em um sistema de circulação de recursos milionários, com aquisição de bens de alto padrão e utilização de estruturas empresariais para ocultação de origem de valores.

Medidas judiciais e bloqueio de bens

Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil, com manifestação favorável do Ministério Público, obteve da Justiça a decretação de:

  • 6 prisões preventivas
  • Bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões
  • Sequestro de 17 veículos, incluindo automóveis de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões
  • Apreensão e restrição de 4 imóveis

Três investigados são apontados como estando fora do Brasil, nos países da Itália, Espanha e Bolívia. Por esse motivo, foi solicitada a inclusão dos nomes na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão internacional, para localização e eventual prisão.

O foco da investigação, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, é enfraquecer a capacidade econômica da organização criminosa por meio da identificação, bloqueio e apreensão de ativos de origem ilícita.

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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.