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Gustavo Tubarão admite convite do BBB 24 e explica motivo de ter recusado

O influenciador ainda falou sobre a possibilidade de ir para ‘A Fazenda’

O influenciador Gustavo Tubarão, de 24 anos, é anualmente um dos nomes mais cotados para participar do BBB. Na 24ª edição, deste ano, ele admite que foi realmente a primeira vez que recebeu o convite. Apesar disso, à Itatiaia, o mineiro explica o motivo de ter recusado a participação.

Gustavo relata que não conseguiria sobreviver às dinâmicas de um reality. “Eu recebi o convite. Todo ano sai [é cotado para participar do BBB], mas sempre foi mentira. Desse ano foi verdade, mas eu não tenho cabeça para isso, não”, diz.

“Por eu falar de saúde mental, e eu sou uma pessoa que tenho síndrome do pânico. Vamos supor, aqui eu cheguei e falei: ‘Vou ficar cinco minutinhos ali para eu dar uma revigorada na mente e volto’. Num reality show, onde a gente fica preso e tudo ali é feito e manipulado para você ficar doido mesmo, dar briga, discutir porque é isso que faz o povo assistir, ninguém quer ver um cara paz e amor”, acrescenta.

O mineiro ressalta que seria planta se entrasse para o programa. “Não consigo brigar com ninguém”, aponta. “E para a minha cabeça não ia fazer bem. Seria hipocrisia da minha parte porque eu tenho certeza que se eu for vou dar uma crise existencial lá violenta”, completa.

Enquanto “A Fazenda”, da Record, ele também negou: “‘A Fazenda’ só se for a minha mesmo”, brinca.

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Saúde mental

O influenciador Gustavo Tubarão, de 24 anos, acumula mais de 22 milhões de seguidores nas redes sociais. Nesta quinta-feira (13), ele foi convidado para falar sobre o poder do engajamento com mais de 1500 adolescentes estudantes de diversas escolas municipais, estaduais e particulares no Pedro Leopoldo Rodeio Show Experience. Ele aproveitou para relatar abertamente com os jovens sobre a saúde mental e à Itatiaia conta como aproveita sua influência para trazer um conteúdo positivo ao público mais novo.

Gustavo lançou recentemente o livro “O trem tá feio: como curei da depressão”, onde ele relata sua experiência com a doença, além de crises de pânico, ansiedade - algo considerado como o ‘mal do século’ e que os jovens de hoje estão familiarizados. O influenciador explica que foi nessa época do final do Ensino Médio que começou a ter crises e se colocou no lugar destes estudantes.

“Essa palestra foi muito importante para mim, eu gostei muito porque a pior fase da minha vida foi quando eu estava no terceiro ano do Ensino Médio e eu comecei a ter depressão. Naquela pressão eu não sabia o que vou fazer da vida, meu pai quer que eu faço um curso, minha mãe quer que eu faça outro, eu sem saber, além de ter perdido um amigo de infância naquela época. Tudo isso foi bem difícil”, diz, em entrevista à Itatiaia.

Segundo Gustavo, foi um momento especial usar sua experiência para trazer conforto aos jovens de agora. “Falando para o pessoal do terceiro ano do Ensino Médio eu fiquei muito emocionado porque tentei passar exatamente o que senti naquela época e eu tenho certeza que tem vários alunos que passam pela mesma coisa. Aquela pressão: ‘Meu Deus, e agora? Será que vou fazer cursinho? Faculdade? Arrumar um emprego?’ Acaba que a mente da gente fica louca”, aponta.

Ele explica que foi diagnosticado com depressão em 2017 e durou até 2019.

Conteúdo positivo para os jovens

Gustavo Tubarão destaca que tenta trazer uma influência positiva para os jovens que o acompanham nas redes sociais com conteúdos que “mostram autenticidade, conteúdo leve, sem palavrão, sem pornografia”. “Mostrar minha vida mesmo da roça, ir na vó e pedir benção, fazer umas brincadeirinhas”, ressalta.

“Falar também abertamente sobre isso [saúde mental] porque não é uma coisa fácil, quem tem depressão não fala isso abertamente. Eu sou uma pessoa diferente, eu gosto de falar. Parece que falando me faz bem, tira um peso de cima de mim. Acho que a gente tem que influenciar de maneira positiva”, acrescenta.

Síndrome de Burnout

O influenciador contou que criar vídeos para a internet o ajudou da depressão, mas desde que veio a fama e ter sua vida exposta, ele teve vários gatilhos. “A internet meio que me salvou da depressão. Mas veio esse ‘trem’ de fama, depressão, onde eu vou o povo reconhece, o povo indo de madrugada tirar foto na porta de casa, invadindo minha roça. Eu nunca sei se está vindo por bem ou por mal. Chegou em um momento que eu fiquei com muito medo, há pouco tempo. Eu tive [Síndrome de] Burnout, a cabeça pesou...”, desabafa.

Ele relata que sua vó foi quem fez o alerta: “Tem gente que vem para o bem, graças a Deus, até hoje 100% veio para o bem. Mas minha vó que me alertou: ‘Não posta quando você está ao vivo nos lugares ou quando você está na roça, que é muito perigoso. Tem gente que gosta e tem gente que também não gosta’. Virou uma proporção que eu nunca imaginei porque são mais de 20 milhões [de seguidores] juntando tudo, então fiquei meio preocupado. Tirei um tempo para refletir, colocar a cabeça no lugar.”

"É isso, o bom é muito bom. Mas o ruim é também muito ruim, pesado, delicado. Tem que ter a cabeça, noção de onde você vai porque é perigoso. No país tem pessoas boas, mas tem muita gente ruim também”, completa.

Atividade física e terapia

Gustavo relata o que o ajudou a curar da depressão. “O que me salva até hoje é terapia, psicólogo, psiquiatra e o principal é atividade física. Fiquei dois anos trancado dentro do quarto com medo de morrer, medo de beber água e dar um ‘trem’ no coração e morrer. Desde então eu nunca larguei da terapia”, destaca.

“Mas o que mais salva e motiva a viver, dá aquele gás é atividade física. Eu odeio fazer atividade física, não gosto de jeito nenhum. Só que o pós-atividade física é muito bom, dá aquela sensação boa de dopamina”, completa.


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Natasha Werneck é jornalista formada pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Foi repórter de Política e Cultura do Jornal Estado de Minas e já atuou em portais como Hugo Gloss e POPline. Foi estagiária da Itatiaia e retornou à empresa em 2023, como repórter de Entretenimento.
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