Ator mineiro de ‘O Agente Secreto’ celebra prêmio inédito: ‘Caminho do Oscar’

Natural de Belo Horizonte, Carlos Francisco, de 63 anos, já atuou em filmes como ‘Marte Um’ e ‘Bacurau’

Carlos Francisco atuou em “O Agente Secreto”

O premiado filme “ O Agente Secreto”, ganhador do Globo de Ouro de 2026, conta com três atores mineiros no elenco. Um dos nomes que representa Minas Gerais no longa é Carlos Francisco, artista de 63 anos que já havia trabalhado com o diretor do filme estrelado por Wagner Moura em outras produções.

Em ''O Agente Secreto’’, Carlos interpreta Seu Alexandre, um projecionista inspirado em um personagem real retratado em Retratos Fantasmas.

Convite para o filme

Em entrevista à Itatiaia, o ator contou que estava em um set de filmagem quando recebeu uma ligação de Felipe Fernandes, assistente de direção do filme Bacurau - o qual também participou -, chegou a atendê-lo mas não conversou direito, por estar em gravações. “Liguei pra ele mais tarde, ele queria que eu fosse imediatamente para Rio Grande do Norte e eu não pude ir, porquê eu tinha que terminar o filme...e assim eu fui parar em “O Agente Secreto."", destacou o ator.

O curta-metragem mineiro “Nada”, o qual Carlos também atuou, também contribuiu para sua ida ao filme dirigido por Kleber Mendonça Filho. “O Kleber assistiu, gostou da minha performance e, a partir daí, ele me convidou também.”, completou.

Personagem do ator mineiro, Seu Alexandre

Minas em “O Agente Secreto”

Para o ator, apesar de “O Agente Secreto” ser um filme ambientado em Pernambuco, o longa conta com um forte ligação com Minas Gerais. “Minas tá na gente, tá em mim, não tem como separar. Mas tem uma coisa dos pernambucanos, que eles são muito sociáveis e são parecidos com os mineiros nesse sentido”, falou Carlos. Ele ainda completa: “A maneira deles receberem a gente, deles orientarem quando você precisa de uma informação e tudo é muito semelhante aos mineiros. Nós mineiros somos muito acolhedores”.

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Longa premiado

No último domingo (11), “O Agente Secreto” recebeu duas estatuetas no Globo de Ouro 2026, uma na categoria “Melhor Filme de Língua Não-Inglesa” e outra de “Melhor Ator de Drama”, premiando o brasileiro Wagner Moura.

Carlos exalta a importância do prêmio e destaca a possibilidade de mais um prêmio. "É um feito quase que inédito e ele tá numa trajetória muito bacana [...] O filme está a caminho do Oscar, há a possibilidade ainda de concorrer ser vencedor.”

Os prêmios, para o ator, são frutos de um grande trabalho em equipe, mobilizando cerca de 200 figurantes, por exemplo, segundo Carlos. Para filmar cenas simples de seu personagem, o ator destaca que grandes operações eram realizadas, algumas com detalhes importantes a serem vistoriados com muita atenção.

Valorização da arte brasileira

O ator mineiro, que já participou inclusive de filmes como “Marte Um”, gravado em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, ressalta a relevância do reconhecimento internacional dos filmes brasileiros para a continuidade da valorização da arte feita no país.

“Sobretudo com o sucesso de filmes como “Ainda Estou Aqui”, “Marte Um” mesmo e outros filmes brasileiros, agora “O Agente Secreto”, isso vai fazendo com que as pessoas retomem o carinho e o amor pela arte brasileira”, declarou. “Durante muito tempo o cinema brasileiro ficou estigmatizado de que era um cinema inferior [...] Agora as pessoas tão se encantando e torcendo pelos sucessos dos filmes, como se fossem times de futebol”, completou o mineiro.

Carlos Francisco contou também, durante o bate-papo, que sua carreira foi construída majoritariamente no teatro, em São Paulo. Ele, que também foi produtor e administrador de uma companhia de teatro no estado, destacou as dificuldades que os artistas enfrentavam na época com a falta de remuneração adequada para a categoria. “Não era brincadeira.”, ressaltou.

Mariana Taveira é estagiária do portal Itatiaia. Graduanda em Jornalismo pela UFMG, atua na cobertura de Minas Gerais, Brasil, Mundo e Entretenimento. Foi estagiária de produção na Record Minas e é entusiasta de narrativas que nascem do cotidiano e das paixões coletivas.

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