Ajuda internacional à educação diminui e Unesco propõe troca de dívida; entenda
Entidade incentiva países a trocarem dívida externa por financiamento a projetos voltados à educação; Alemanha, França e Espanha aderiram

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou nesta sexta-feira (10) uma pesquisa que revela que houve redução na ajuda internacional à educação. Em 2024, houve queda de 8% em relação ao ano anterior. A ajuda à educação básica caiu 15%.
Essa ajuda é fornecida por governos, organizações internacionais e bancos de desenvolvimento com o intuito de financiar projetos educacionais em outros países. A projeção da Unesco aponta que o financiamento diminuirá em até 30% entre 2023 e 2027.
Os países de baixa e média-baixa renda já perderam mais de um quinto (21%) da ajuda à educação que recebiam em 2023. Para alguns países, incluindo Afeganistão, Libéria, Mali e Níger, a perda é superior a 40%.
O relatório também aponta mudanças na prioridade da ajuda. Em 2025, o mundo gastou, em apenas um dia e meio (37 horas), com ajuda militar, o que destina à educação em um ano inteiro.
Além disso, os países de baixa renda são pressionados pela dívida externa. Ao todo, 113 países gastam mais para pagar o que devem do que com educação.
Nesses países, os pagamentos da dívida são quase quatro vezes maiores do que os gastos com educação. Em 18 dos países mais endividados, as dívidas excedem os gastos governamentais com educação em cinco vezes ou mais.
Unesco propõe troca de dívida por investimento em educação
Diante desse cenário, a Unesco propôs permutas de dívida por educação e lançou um guia técnico para adesão à prática. A iniciativa consiste em converter parte das dívidas externas dos países em investimentos direcionados à educação.
Para ilustrar a situação, a Unesco usa como exemplo a França, que, em 2023, permitiu que a Costa do Marfim liberasse recursos para construir mais de 30 escolas em comunidades carentes, beneficiando cerca de 30 mil alunos. O valor investido é abatido na dívida do país.
Entre os exemplos, também estão Espanha e Peru. Entre 2006 e 2017, um programa de troca de dívida converteu US$ 20 milhões (R$ 112 milhões) em 50 projetos educacionais de médio prazo em oito regiões vulneráveis, beneficiando cerca de 174 mil alunos, professores e membros da comunidade.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



