Adolescentes brasileiros consomem menos ultraprocessados em escolas com regulamentação

Estudo da USP teve participação de mais de 81 mil estudantes e mostrou ainda desigualdades regionais na presença dessas normas

Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) oferece alimentos in natura e minimamente processados em escolas públicas

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revela que adolescentes brasileiros consomem menos alimentos ultraprocessados em cidades onde existem normas que regulam a venda desses produtos no ambiente escolar.

A pesquisa, publicada na revista “Reports in Public Health”, analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019, com participação de mais de 81 mil estudantes de 13 a 17 anos em escolas públicas e privadas das capitais brasileiras. Os pesquisadores identificaram 51 normas vigentes nas capitais, incluindo leis, portarias, decretos e resoluções que impõem restrições à oferta de alimentos e bebidas nos estabelecimentos escolares.

Os resultados mostram que frequentar escolas com regulamentação da venda de alimentos está associado a uma redução no consumo de ultraprocessados pelos adolescentes. Por outro lado, quanto maior a oferta desses produtos nas cantinas, maior o consumo relatado pelos alunos.

Segundo a pesquisadora Laura Luciano Scaciota, do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), as normas podem funcionar não apenas reduzindo a disponibilidade desses alimentos no ambiente escolar, mas também influenciando a percepção dos estudantes sobre o que é uma alimentação saudável.

A análise mostrou ainda desigualdades regionais na presença dessas normas: todas as capitais das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil tinham regulamentação, enquanto no Norte e Nordeste do país a cobertura era bem menor.

Os pesquisadores destacam que, embora as normas observadas não tenham sido avaliadas quanto à sua fiscalização, a simples existência de regras correlaciona-se com menores índices de consumo de alimentos ultraprocessados, um fator ligado a riscos maiores de obesidade e outras doenças crônicas.

No caso das escolas públicas, o papel do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) foi citado como um diferencial importante, já que o programa prioriza alimentos in natura e minimamente processados.

Os autores defendem a criação de uma lei nacional que padronize as regras de oferta de alimentos nas cantinas escolares em todo o país, com o objetivo de garantir que nenhum adolescente seja exposto excessivamente ao consumo de ultraprocessados durante o período em que está na escola.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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