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Delegada cercada em casa está bem e negociações estão avançando, afirma advogada

A delegada está trancada dentro do apartamento há mais de 31 horas após os colegas levarem policiais para tentar preservar sua saúde

A delegada de 38 anos segue dentro de casa após mais de 31 anos desde a chegada de policiais à porta de seu apartamento no bairro Ouro Preto, na Pampulha, na manhã dessa terça-feira (21). Segundo informações de uma das advogadas da policial, a cliente está bem e as negociações estão avançando.

Em suas redes sociais, a mulher afirma que não tem o que comer, que a mãe dela, que veio do Paraná para acompanhar a situação, foi proibida entrar no apartamento pelos policiais. Além disso, postou um storie informando que teve a energia elétrica do apartamento cortada.

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“Agora cortaram a minha luz. Disseram [os policiais] que ‘não tem autorização para sair enquanto não tiverem certeza que estou bem’. Por isso, cortaram minha luz. Não tenho o que comer, minha mãe não pode subir, eles dizem que não podem ir embora. Alguém pode me ajudar?”, questiona em publicação.

Denúncia de assédio

Ainda em suas redes sociais, a delegada publicou uma foto da escrivã da Polícia Civil, Rafaela Drumond, que tirou a própria vida após denunciar abusos morais e sexuais, além de pressão e sobrecarga dentro da instituição.

“Rafinha, você não foi em vão, anjinha! É você no céu e eu na terra! E todos os que já foram ou ainda (sobre)vivem... isso precisa parar!”, diz em publicação.

A delegada teria publicado um comentário na época da morte da escrivã, alegando ser a ‘próxima da lista’. Jucelia Braz, advogada da delegada, relatou ser de ‘conhecimento de todos o assédio moral que policiais, principalmente, mulheres, sofrem na Polícia Civil’.

Questionado se conhece as denúncias, o porta-voz alegou não ter conhecimento, e que a colega estava afastada por outros motivos.

Invasão no apartamento

Questionado sobre os planos dos agentes em invadir o apartamento, o Saulo Castro afirmou que se trata de ‘decisões técnicas, próprias dos grupos preparados para isso’ e que no momento não seria possível afirmar isso. Além disso, ao ser perguntado sobre a origem de ‘gritos estridentes’ ouvidos no local, respondeu não saber da origem.

“A polícia, desde o primeiro momento, esteve no local para preservar a saúde da colega. A ação da Polícia Civil é no sentido de acolher e agora estamos diante de uma situação de crise”, completou.

Veja a nota da Polícia Civil

“Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que encontra-se em andamento ocorrência envolvendo uma delegada da instituição, que desferiu disparos com uma arma de fogo dentro de uma residência, no bairro Ouro Preto, em Belo Horizonte, na tarde desta terça-feira (21/11). Não houve feridos e a situação segue sendo acompanhada pelas equipes de negociação da PCMG, com auxílio do Centro de Apoio Biopsicossocial da Polícia Civil, Corregedoria Geral de Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).”

A advogada afirma que o disparo foi acidental. “O que quero deixar bem claro é: ela não está colocando a vida de ninguém em risco, ela não ameaçou ninguém em momento algum. O que aconteceu foi um disparo acidental.”

Entenda o caso

Equipes da Polícia Civil foram empenhados até o apartamento de uma delegada de 28 anos após ela enviar mensagens com um teor de risco à própria saúde em um grupo de amigos e colegas de trabalho. Diante da situação, agentes de apoio se posicionaram no local por volta das 9h desta terça-feira (21) e tentaram manter contato com a mulher, que estava exaltada com a situação.

Ela realizou uma live em seu Instagram mostrando o momento da abordagem e questionou a ação dos policias, dizendo que eles não possuíam um mandado para estar ali e que ela estava se sentindo ameaçada. Ainda de acordo com a delegada, um disparo foi realizado por ela contra a equipe após eles atirarem nela com um teaser, uma arma de choque, informação confirmada pelo porta-voz da Polícia Civil, delegado Saulo Castro.

A delegada segue dentro de seu apartamento e os policiais do Core e do Biopsicossocial seguem no local tentando manter diálogo e negociar. Ainda conforme o porta-voz, a atuação dos policiais seria com intuito de acolher e preservar a vida da colega.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.
Formado em Jornalismo pelo UniBH, em 2022, foi repórter de cidades na Itatiaia e atualmente é editor dos canais de YouTube da empresa.
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