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Conjunto arquitetônico Sulacap/Sulamérica era aposta de verticalização no Centro de BH

Cada torre foi construída por uma empresa diferente na época; elevadores não chegam até os último andar 

Conjunto faz parte da história de Belo Horizonte

Um quarteirão triangular na Afonso Pena, fazendo eixo com as ruas dos Tamoios e da Bahia. No espaço, duas torres idênticas, com 14 andares, estrategicamente posicionadas em frente ao viaduto Santa Tereza, uma vista ímpar de um dos cartões postais de Belo Horizonte. O conjunto arquitetônico Sulacap/Sulamérica foi construído na década de 1940, época que a capital mineira estava apostando na verticalização, ou seja, subir cada vez mais prédios para moradia e também comércio.

Naquela época, uma construção assim, simétrica, bem localizada, feita para moradia e comércio, era sinônimo de modernidade. O térreo foi projetado para ser uma praça, e ela existiu por muitos anos, a Praça da Independência. Mas antes de ser tombado, o espaço acabou passando por modificações e a praça deu lugar a mais espaço comercial. O conjunto encerra a série especial ‘O passado no futuro, a história de BH em seus prédios emblemáticos’.

A professora de arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Vanessa Borges, fala sobre o prédio, que para arquitetos, é exemplo de construção, localização e modernidade no Centro da capital.

“A implantação desses dois edifícios pode ser considerada um dos melhores exemplos dentre aqueles que foram construídos em altura no Centro de Belo Horizonte. Voltadas para a avenida (Afonso Pena), as duas torres e os volumes em suas bases, que vão desenhar simetricamente uma praça, infelizmente ocupada por uma temerosa construção dos anos de 1970, cria uma comunicação direta com o viaduto de Santa Tereza”, diz a professora.

Na época, Belo Horizonte tinha tanta pressa para tornar a cidade mais moderna e à frente do tempo que um outro edifício, que hoje seria considerado emblemático, teve que ser demolido.

“É verdade que o conjunto de edifícios promoveu a demolição da antiga sede dos Correios, que era um edifício características ecléticas. Mas esse era o espírito da época: o novo que deveria triunfar a qualquer custo. Ao menos, no caso do Sulacap/Sulamérica o triunfo foi elegante. Eu prefiro considerar o conjunto como exemplar racionalista. Formado por linhas retas, equilíbrio das proporções, os volumes que vão se compondo como se fossem criar uma estrutura piramidal, que verticaliza-se aos poucos. O giro dos volumes das torres em relação aos volumes de base, tudo isso demonstra a habilidade do arquiteto, mas também a sua proposta e o seu compromisso com a busca de uma linguagem nova”.

Elevadores

Cada torre foi construída por uma empresa diferente na época. Por isso, uma chama Sulamérica e outra, Sulacap, empresas de seguro. Outro detalhe: os elevadores não vão até o topo dos prédios. Para chegar lá, tem que subir escada, espaço destinado para as empregadas da época.

Sula

Hoje, o local passa por processo de revitalização e, talvez, seja o mais prático exemplo de espaço que resolveu abrir e aproveitar o movimento das noites da capital. Um bar e restaurante, que funciona noite e dia, foi aberto no local no ano passado. O nome, Sula, homenageia as torres, um espaço moderno em um ambiente bem antigo. O proprietário, Gabriel Assad, destaca a importância de repensar a finalidade de alguns espaços na cidade.

“O sucesso que esse espaço tem feito mostra essa demanda que existe na cidade por ocupação desse tipo de espaço. O que a gente fez aqui foi nada mais do que identificar uma demanda e trazer o que, de certa maneira, a cidade estava querendo”, diz o empresário.

“O Sula hoje é frequentado por cerca de 15 mil pessoas por mês. Passam seja para almoçar, seja para as noites ou tardes de domingo. Acredito que existem outros espaços na cidade com a mesma vocação, que estão aí para serem ocupados, descobertos e devolvidos de alguma maneira para o convívio da cidade”, completa Gabriel, que é morador de Belo Horizonte e diz que sempre admirou o conjunto.

A série ‘O passado no futuro, a história de BH em seus prédios emblemáticos’ chega ao fim, mas a vida e a memória histórica dos lugares continuam vivas.

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