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Trabalhadores por aplicativo ganham quase R$ 3 mil, mas trabalham por mais horas

Rendimento por horas trabalhadas é inferior ao dos trabalhadores não plataformizados, segundo pesquisa do IBGE

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Governo começa discussões sobre regulamentação de trabalho por aplicativos
Governo começa discussões sobre regulamentação de trabalho por aplicativos • Tomaz Silva/Agência Brasil

O rendimento médio mensal dos trabalhadores por aplicativo chegou a R$ 2.996 em 2024, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Contínua (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (17). O valor é 4,2% maior do que o rendimento médio dos trabalhadores convencionais, de R$ 2.875.

A pesquisa revela que na comparação com 2022, a diferença de rendimento médio mensal entre os trabalhadores por aplicativo e os convencionais diminuiu 9,4%. Contudo, os plataformizados (R$15,4/hora) registraram um rendimento por hora 8,3% inferior aos do não plataformizados (R$16,8/hora), ou seja, eles precisam trabalhar por mais tempo para terem rendimentos superiores.

Segundo o IBGE, a jornada de trabalho por semana por aplicativo é de 44,8 horas, uma média de 5,5 horas mais extensa do que a carga horária dos trabalhadores convencionais, estimada em 39,3 horas.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto, explica que ao se comparar os diferenciais de rendimentos entre os trabalhadores é preciso considerar as disparidades quanto ao nível de instrução. Para os dois grupos menos escolarizados, o rendimento médio mensal real das pessoas que trabalhavam por aplicativo ultrapassou em mais de 40% o rendimento das que não faziam uso dessas ferramentas.

No caso das pessoas com o nível superior completo, o rendimento dos trabalhadores por aplicativo (R$ 4.263) era 30% inferior ao daqueles que não trabalhavam por meio de plataformas (R$ 6.072).

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.