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Produção industrial registra crescimento moderado de 0,1% em março

Apenas 8 dos 25 ramos industriais pesquisados tiveram avanço na produção em março deste ano

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Petróleo foi encontrado na camada conhecida como pós-sal
Produtos derivados do petróleo e biocombustíveis tiveram a maior influência do setor • André Ribeiro / Agência Petrobras

A produção industrial brasileira teve um leve avanço de 0,1% em março, a terceira taxa positiva consecutiva do setor, segundo dados divulgados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (7). Nos últimos três meses, a taxa acumula uma expansão de 3,1%.

Em relação a março do ano passado, a indústria ampliou a produção em 4,3%, após recuar 0,7% em fevereiro e avançar 0,2% em janeiro de 2026, quando interrompeu três meses consecutivos de queda na produção: dezembro (-0,1%), novembro (-1,4%) e outubro de 2025 (-0,4%). Apesar do resultado, o avanço foi menor do que o esperado pelo mercado.

Apenas 8 dos 25 ramos industriais pesquisados tiveram avanço na produção. Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram assinaladas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,2%) e produtos químicos (4,0%).

Por outro lado, entre as dezesseis atividades que mostraram recuo na produção, bebidas (-2,9%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,9%) exerceram as principais influências na média da indústria, com a primeira interrompendo três meses consecutivos de avanço na produção, período em que acumulou crescimento de 8,5%.

Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, o avanço do setor de petróleo é uma consequência do conflito no Irã. Porém, apesar do bom desempenho da indústria no 1º trimestre, a tendência para o ano é de desaceleração frente a um cenário macroeconômico desafiador.

“Para os próximos meses devemos ver uma maior contribuição da indústria extrativa, refletindo o aumento na produção e exportação de petróleo, além de outras commodities que também apresentam bom desempenho como minério de ferro e cobre. Com isso, esperamos uma retomada no ritmo de crescimento, com o setor encerrando 2026 com alta de 1%”, disse.

De acordo com o economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, a indústria nacional deve seguir uma trajetória de crescimento moderado em 2026. “Apesar da expectativa de redução dos juros ao longo do ano, a manutenção da Selic em patamares ainda elevados e a deterioração das expectativas inflacionárias tendem a restringir tanto a capacidade de investimento produtivo, quanto o consumo das famílias”, disse.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.