Indústria avança em fevereiro e recupera parte das perdas do final de 2025
Produção do setor teve um crescimento de 0,9%, impulsionada pelo segmento de automóveis

A produção industrial no Brasil registrou um novo avanço na passagem de janeiro para fevereiro, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgados nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor teve um avanço de 0,9%, acumulando uma expansão de 3% neste ano.
Se comparado a fevereiro do ano passado, a indústria teve uma queda de 0,7%, após avançar 0,2% em janeiro, quando interrompeu três meses consecutivos de queda na produção: dezembro (-0,1%), novembro (-1,4%) e outubro de 2025 (-0,4%).
Segundo o gerente da PIM, o início de ano positivo da indústria recupera parte das perdas assinaladas nos últimos meses de 2025, com um perfil disseminado de crescimento. “Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção”, explica.
O crescimento da produção foi registrado nas quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos pesquisados. Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%).
“Nesses setores, as principais pressões positivas vêm de automóveis e autopeças, na indústria automobilística, e derivados do petróleo e álcool etílico, na atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis”, explica André Macedo.
Entre as atividades que apresentaram recuo, a principal influência veio da produção de farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%), que intensificou a magnitude de queda verificada no primeiro mês do ano (-1,4%). Nos últimos dois meses de 2025, o segmento teve uma alta acumulada de 19%.
“Na indústria farmacêutica, caracterizada pela maior volatilidade de seus resultados, observa-se o segundo mês consecutivo de queda, influenciado, em grande medida, pela elevada base de comparação”, afirmou Macedo.
Tendência de desaceleração
Apesar do bom desempenho mensal, o economista sênior do Banco Inter, André Valério, destaca que o setor apresenta uma tendência de desaceleração com os impactos do tarifaço dos Estados Unidos e a alta na taxa básica de juros. “Ao longo de 2025, o setor foi o mais prejudicado pelos fatores adversos ao crescimento econômico”, disse.
“Em 2026, ambos os fatores deixarão de exercer pressão tão grande quanto foi em 2025, com o Banco Central já tendo iniciado o ciclo de ajuste na taxa de juros e as tarifas americanas terem sido derrubadas pela Suprema Corte americana. Além disso, o setor tende a se beneficiar do elevado preço do petróleo, entretanto, ainda vemos as condições gerais como adversas e esperamos um crescimento de 0,4%”, completou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



