Itatiaia

Setor produtivo pede negociação e rejeita retaliação aos Estados Unidos

Empresários dos setores afetados pelos novos tarifas dos EUA avisaram o governo Lula que farão oposição à retaliação, caso a Lei de Reciprocidade seja acionada

Por
O presidente dos EUA, Donald Trump, segura uma tabela de tarifas enquanto discursa na Sala do Gabinete da Casa Branca.
Empresários temem novas sanções econômicas caso Brasil aplique tarifas contra os EUA • AFP

Empresários de setores atingidos pelo novo tarifaço dos Estados Unidos alertaram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília, nessa terça-feira (21), que se oporão a uma retaliação, caso o Brasil decida acionar a Lei de Reciprocidade. O grupo teme a escalada de tensões com os EUA e defende a negociação como melhor saída para a crise.

A oposição se dará durante a realização de consulta pública, prevista no rito da Lei . O processo exige 30 dias de análise com as partes interessadas antes de qualquer medida de retaliação ser implementada.

O setor produtivo busca demover o governo da ideia, argumentando que as críticas das empresas afetadas gerariam um impacto reputacional negativo. Executivos também alertaram que a reciprocidade poderia escalar as tensões com os EUA e gerar mais sanções à economia brasileira.

Os representantes do setor produtivo se reuniram com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na capital federal. Após os encontros, Alckmin comentou o pedido dos setores e disse que “a ideia do governo não é a retaliação”. Ele indicou, porém, que o processo visa mostrar à contraparte que o Brasil possui instrumentos de resposta.

“Deixamos a opinião de que a reciprocidade não vai ter resultado prático. Se tudo isso começou por uma questão política, não é acirrando a política que resolvemos o problema. Não é com a retaliação que acharemos uma saída”, disse à CNN Brasil José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), entidade que já havia se posicionado contra a medida.

 

“Coloquei meu ponto: Negociar, negociar, negociar. E não disparar reciprocidade”, afirmou à CNN Brasil José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).

O governo federal aproveitou as reuniões para ouvir recomendações e demandas do setor produtivo, enquanto formula um novo pacote de ajuda às empresas – um “Plano Brasil Soberano 3.0”. Os representantes pediram crédito para capital de giro e investimentos, além da possibilidade de adiar e parcelar impostos. O Reintegra, mecanismo que busca ressarcir empresas exportadoras por tributos residuais, também entrou na lista de demandas, em um movimento que busca adiar a aplicação da Lei da Reciprocidade.

Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ressaltou que o governo está na mesa de negociação com os EUA e trabalha em medidas para mitigar os impactos, como a abertura de novos mercados aos produtos afetados. "Continuar negociando, essa é a orientação. E, mais do que isso, continuar dialogando internamente com o setor produtivo, de modo a assimilar essa decisão do governo norte-americano, que não deixa de ser injusta, indevida, descabida", afirmou o ministro.

Por

Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.

 

 

Belo Horizonte