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Setor de máquinas diz que é contra aplicação da 'reciprocidade' contra o tarifaço dos EUA

Para presidente da entidade, tarifas impostas pelos EUA têm caráter político e exigem via diplomática para solução, não medidas recíprocas

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • Official White House Photo by Jo

Na véspera da entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal reuniu-se nesta terça-feira (21) com representantes do setor produtivo para discutir medidas iniciais e alinhar respostas ao novo tarifaço.

Durante o encontro, o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, manifestou-se contra a aplicação da Lei de Reciprocidade e defendeu que o governo brasileiro encontre um caminho por meio da diplomacia.

Segundo Velloso, a entidade não apoia a adoção de medidas retaliatórias ao tarifaço norte-americano. "Primeiro, nós não somos a favor. A gente entende que nós temos que continuar pela via diplomática e empresarial, que é o que nós estamos fazendo", afirmou.

Ele argumentou ainda que a implementação da Reciprocidade não seria simples, já que exigiria a realização de uma consulta pública no Brasil. Na avaliação do dirigente, os setores produtivos se posicionariam contra a medida, incluindo a indústria de máquinas e equipamentos.

Como alternativa, o executivo destacou o trabalho de articulação desenvolvido junto ao setor privado norte-americano. De acordo com ele, durante a audiência pública promovida pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), diversas entidades de classe e empresas dos EUA manifestaram apoio ao Brasil, enquanto poucas defenderam a taxação das máquinas e equipamentos brasileiros. "A gente fez um trabalho de diplomacia empresarial que deu certo", disse.

Para o presidente da Abimaq, a decisão do governo norte-americano possui caráter predominantemente político, razão pela qual uma resposta baseada em retaliação não seria eficaz.

"Não entendemos que reciprocidade ou retaliação vai resolver um problema político. O que vai resolver um problema político é diplomacia do Estado e diplomacia empresarial junto dos empresários norte-americanos", afirmou.

Déficit comercial

Velloso também apresentou argumentos econômicos para reforçar a posição brasileira nas negociações. Segundo ele, o Brasil acumula déficit comercial com os Estados Unidos desde 2009, as empresas norte-americanas lideram os investimentos estrangeiros diretos no país e companhias brasileiras também investem no mercado norte-americano. "Nós temos uma pilha de motivos para o Brasil não ser tarifado", declarou.

Na avaliação do dirigente, o fato de a taxação ter sido adotada mesmo diante da oposição de parte do setor privado dos Estados Unidos reforça o componente político da decisão e indica que ainda há espaço para novas rodadas de negociação.

Além da via diplomática, Velloso defendeu a diversificação de mercados como estratégia para reduzir os impactos das tarifas. Ele informou que o setor de máquinas e equipamentos registrou crescimento de 12% nas exportações nos últimos 12 meses, mesmo com a perda de seu principal mercado.

O dirigente acrescentou que a Abimaq mantém diálogo constante com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e que a reunião realizada nesta terça-feira contou com representantes de diversas entidades ligadas ao setor produtivo.

"A gente acha que ainda existe espaço para diplomacia, dado até a questão de que existe uma componente política muito grande lá nos Estados Unidos para a adoção do tarifaço", concluiu.

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