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Setor de serviços tem queda acentuada de 1,2% em março

Setor aprofunda uma sequência de 5 meses sem crescimento, com a queda no mês sendo puxada pela baixa no setor de transportes

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Transporte aéreo de passageiros teve queda de 7,1%
Transporte aéreo de passageiros teve queda de 7,1% • Rovena Rosa/Agência Brasil

O volume de serviços do Brasil teve uma queda acentuada de 1,2% em março de 2026 se comparado com o mês de fevereiro, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao mesmo mês do ano passado, o setor teve alta de 3,0%, e no acumulado de 12 meses a expansão é de 2,8%.

Segundo o IBGE, a queda mensal ocorreu em todas as cinco atividades acompanhadas pela pesquisa, com destaque para baixa de 1,7% nos transportes, que eliminou os ganhos dos dois primeiros meses do ano (0,8%). O grupo foi influenciado por uma queda no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros (-7.1%).

As demais quedas vieram dos serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%); de informação e comunicação (-0,9%); dos outros serviços (-2,0%); e dos serviços prestados às famílias (-1,5%). O primeiro acumulou uma perda de 2,3% nos últimos quatro meses; o segundo devolveu parte da alta acumulada nos três meses anteriores (2,8%).

“Nos últimos 5 meses, foram observados um mês de estabilidade e 4 meses de variação negativa, o que faz com que o setor de serviços acumule queda de 1,7% desde outubro de 2025, mês em que foi observado o ponto mais alto da série”, explicou o analista da pesquisa, Luiz Carlos de Almeida Junior.

Queda foi ‘muito abaixo do esperado’

O economista sênior do Banco Inter, André Valério, explicou que a queda no setor foi muito abaixo do esperado pelo mercado, que previa um recuo de 0,1%. O especialista destaca que, apesar dos serviços ainda mostrarem crescimento nos acumulados, esse avanço se dá no menor ritmo desde outubro de 2024.

“De modo geral, o resultado aponta uma desaceleração mais intensa no setor de serviços. Por ser a primeira leitura após o início do conflito no Irã é cedo para se tirar conclusões, mas o recuo parece ser efeito de realocação de consumo, dado o aumento nos preços dos combustíveis. Isso se notou nos dados da PMC ontem, e o comportamento dos serviços prestados às famílias reforçam essa hipótese”, disse o economista.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.