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Produção industrial brasileira registra queda pela primeira vez desde 2025

Influências negativas mais intensas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis

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Dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje (3), pelo IBGE.
Dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje (3), pelo IBGE. • Marco Charneski/Agência Petrobras

A produção da indústria brasileira caiu 0,2% em maio, o primeiro resultado negativo após quatro meses seguidos de alta, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (3). Com esse resultado, o setor está 4,5% acima do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020, mas ainda 13,0% abaixo do recorde alcançado em maio de 2011.

Na comparação com abril, as influências negativas mais intensas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%). Álcool etílico e gasolina exerceram as maiores pressões negativas em derivados do petróleo, enquanto minério de ferro, óleos brutos e gás natural puxaram o recuo da indústria extrativa.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, ambas as atividades interromperam cinco meses consecutivos de expansão na produção, período em que acumularam ganhos de 17,1% e 7,4%. Entre as atividades que lideram os ganhos, se destacam o avanço na produção, produtos farmoquímicos e farmacêuticos (13,1%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,1%) e produtos químicos (3,1%).

“A indústria farmacêutica interrompeu quatro meses consecutivos de queda, enquanto o setor automobilístico marca o seu quinto mês seguido de crescimento impulsionado pela maior produção de automóveis, caminhões e autopeças. Já os produtos químicos eliminaram o recuo de 2,8% registrado em abril”, disse.

Outros impactos positivos vieram dos setores de metalurgia (2,3%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (4,7%), outros equipamentos de transporte (4,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,6%) e máquinas e equipamentos (1,2%).

Para o economista sênior do Banco Inter, André Valério, o resultado reforça a visão de que o desempenho melhor que o esperado da indústria em 2026 reflete o contexto internacional, que tem favorecido a produção de combustíveis e da indústria extrativa.

“Apesar da recuperação de ramos mais cíclicos em maio, ainda vemos um contexto desafiador para a indústria mais exposta ao ciclo doméstico, o que fica evidenciado quando analisamos as grandes categorias econômicas. Com exceção dos bens intermediários, que refletem combustíveis e extrativa, todas as grandes categorias econômicas apresentam crescimento negativo no acumulado em 12 meses, e em tendência de piora”, explicou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.