Petrobras perde R$ 32 bilhões em valor de mercado um dia após divulgação do balanço
É a maior desvalorização diária da empresa desde maio de 2024; quando o então CEO Jean Paul Prates renunciou

Um dia após a divulgação do balanço referente ao segundo trimestre, as ações da Petrobras registraram queda na Bolsa de Valores. Investidores reagiram negativamente ao valor dos dividendos anunciados, de R$ 8,66 bilhões, considerado abaixo do esperado. Além disso, a decisão da estatal de retornar ao setor de distribuição, seis anos após a venda da BR Distribuidora, também pesou nas negociações.
As ações ordinárias (ON) caíram 7,95%, enquanto as preferenciais (PN) recuaram 6,15%. O mau humor afetou o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, que recuou 0,45%, aos 135,9 mil pontos. Sem a Petrobras, o índice teria apresentado alta de 0,39%.
Retorno ao setor de distribuição
Outra notícia que desagradou o mercado foi a aprovação, pelo conselho de administração, do retorno da Petrobras às atividades de refino, transporte e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha. A decisão foi anunciada na quinta-feira, 7.
Conforme comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal pretende inicialmente expandir a distribuição de GLP, integrar esses negócios com suas operações no Brasil e no exterior, e oferecer soluções de baixo carbono para os clientes.
No segundo trimestre, a Petrobras teve lucro líquido de R$ 26,6 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado no mesmo período de 2024. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), indicador que mede a capacidade de geração de caixa, atingiu R$ 52,2 bilhões, 5,1% acima do segundo trimestre do ano passado.
Alerta
Apesar da defesa da presidente Magda Chambriard sobre a volta da estatal ao setor de distribuição de gás de cozinha, o mercado demonstrou desaprovação. Em teleconferência com analistas, Magda destacou que a Petrobras nasceu integrada “do poço ao posto” e que a decisão visa aproveitar sinergias e integrar suas operações.
"Somos uma empresa que nasceu integrada do poço ao posto. Diante de um produto que vai ter uma produção crescente, e se for um bom negócio para a companhia com uma atratividade adequada, por que não exercer mais essa sinergia?", questionou a executiva.
Ela ressaltou que o desafio é colocar o GLP no mercado e que a companhia está focada em grandes consumidores, como empresas do agronegócio.
O diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, reforçou que a empresa busca vender GLP diretamente para grandes clientes, citando como exemplos a Vale e produtores agrícolas. "Quando se fala em distribuição, é que estamos nos aproximando dos clientes. Estamos muito ligados a oferecer para o agronegócio, ir direto para grandes consumidores”.
Por outro lado, analistas como Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, consideram a medida negativa, já que o setor de distribuição historicamente apresenta margens mais apertadas, o que pode reduzir a eficiência na alocação de capital e pressionar o retorno do caixa livre.
O Citi também chamou atenção para o ritmo elevado do capex, que já ultrapassa US$ 18,5 bilhões, e o aumento da dívida bruta da Petrobras para mais de US$ 65 bilhões, um patamar inédito nos últimos anos.
Combustíveis líquidos e restrições contratuais
Segundo informações do Estadão/Broadcast, em reunião do conselho de administração realizada anteontem, decidiu-se que ainda é cedo para discutir a retomada da operação de postos de abastecimento, pois a Petrobras está proibida por contrato de competir com a Vibra (ex-BR Distribuidora) até 2029. Apesar da mudança de nome, a Vibra manterá o uso da marca Petrobras por dez anos.
A BR Distribuidora foi vendida no governo Bolsonaro, em 2019, por R$ 9,6 bilhões. Na época, era a maior distribuidora do país, com cerca de 8 mil postos.
Acompanhe as últimas notícias produzidas pelo Estadão Conteúdo, publicadas na Itatiaia.


