Petrobras: lucro quase dobra no 2º trimestre e alcança R$ 52,4 bilhões
Resultado da estatal foi impulsionado pela elevação do preço do petróleo e aumento das exportações em meio a Guerra no Oriente Médio

A Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, atribuído aos seus acionistas, no segundo trimestre de 2026. O valor representa um aumento expressivo de 96,8% em comparação com os R$ 26,7 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior. O excelente desempenho, que demonstra o fôlego da Petrobras no mercado, foi impulsionado pela elevação do preço do petróleo, o aumento da produção e o crescimento das exportações da estatal.
Desconsiderando eventos exclusivos, o lucro líquido atingiu R$ 55,8 bilhões, um avanço ainda mais significativo de 140,5% em relação aos R$ 23,2 bilhões registrados entre abril e junho de 2025.
A receita de vendas da companhia somou R$ 169,5 bilhões no segundo trimestre de 2026, registrando um crescimento de 42,3% na comparação com os R$ 119,1 bilhões obtidos no mesmo período de 2025. O lucro bruto também apresentou um salto considerável, avançando 73,4%, de R$ 56,7 bilhões para R$ 98,3 bilhões.
Esse desempenho positivo foi favorecido pela cotação média do petróleo Brent, que teve uma elevação de 54,1%, passando de US$ 67,82 para US$ 104,52 por barril. A Petrobras também ressaltou o avanço dos sistemas de produção, a entrada em operação da plataforma P-79, no campo de Búzios, e ganhos de eficiência operacional como fatores contribuintes.
As exportações foram um destaque, rendendo R$ 63,8 bilhões, praticamente o dobro dos R$ 32,2 bilhões apurados no segundo trimestre de 2025. Somente as vendas externas de petróleo bruto atingiram R$ 52,3 bilhões, uma alta de 107,4% na comparação anual. Consequentemente, a receita total obtida no mercado externo cresceu 95,2%, totalizando R$ 65,1 bilhões, o que contribui para o bom desempenho da balança comercial brasileira.
No mercado interno, a receita avançou 21,8%, alcançando R$ 104,5 bilhões. A venda de diesel gerou R$ 38,3 bilhões, uma alta de 9,3%, enquanto a receita com querosene de aviação cresceu 67%, para R$ 9,5 bilhões. Em contrapartida, a receita com gasolina recuou 12,7%, somando R$ 15,2 bilhões.
O Ebitda ajustado da estatal alcançou R$ 93,8 bilhões, representando um crescimento de 79,6% sobre os R$ 52,3 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. Sem os eventos exclusivos, o indicador chegou a R$ 100,6 bilhões, uma alta de 73,8%. A margem Ebitda ajustada também registrou melhora, passando de 44% para 55%, um aumento de 11 pontos percentuais.
Na área de exploração e produção, o lucro líquido atribuído aos acionistas da Petrobras somou R$ 41,6 bilhões, um avanço de 85,2% na comparação com os R$ 22,5 bilhões registrados em 2025. A receita desse segmento cresceu 40,8%, para R$ 114,9 bilhões, e o Ebitda ajustado aumentou 57,8%, atingindo R$ 80 bilhões.
O segmento de refino, transporte e comercialização apresentou um lucro líquido de R$ 9,7 bilhões, valor que é mais de oito vezes superior aos R$ 1,2 bilhão obtidos no segundo trimestre de 2025. Esse resultado foi favorecido pelo aumento das cotações internacionais, pela maior produção própria de derivados e pelo crescimento das exportações. A empresa informou, ainda, que as refinarias alcançaram um fator de utilização de 101,2% no período.
No setor de gás e energias de baixo carbono, o lucro líquido cresceu 89,9%, para R$ 957 milhões, mesmo com uma leve redução de 1,4% na receita, que totalizou R$ 12,2 bilhões. O Ebitda ajustado do segmento avançou 57,5%, para R$ 2,1 bilhões.
O fluxo de caixa operacional da Petrobras atingiu R$ 61,8 bilhões, uma alta de 45,7% sobre os R$ 42,4 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. O fluxo de caixa livre dobrou, passando de R$ 19,2 bilhões para R$ 38,6 bilhões.
Apesar da notável melhora operacional, o resultado financeiro líquido da companhia ficou negativo em R$ 1,5 bilhão, contrastando com o resultado positivo de R$ 5,6 bilhões registrado um ano antes. Essa mudança refletiu principalmente a redução dos ganhos com variações monetárias e cambiais, que recuaram 80,9%, para R$ 1,8 bilhão.
Os investimentos totais da Petrobras somaram US$ 5,3 bilhões, uma alta de 19,6% sobre os US$ 4,4 bilhões aplicados no segundo trimestre do ano passado. Os aportes em exploração e produção cresceram 16,5%, para US$ 4,3 bilhões, enquanto os investimentos em refino aumentaram 31,1%, para US$ 671 milhões. No setor de gás e energias de baixo carbono, o valor mais que dobrou, alcançando US$ 135 milhões.
A dívida bruta da Petrobras encerrou o mês de junho em US$ 70,8 bilhões, um aumento de 4% em relação aos US$ 68,1 bilhões registrados em junho de 2025. A dívida líquida subiu 3,1%, para US$ 60,4 bilhões. Contudo, apesar do aumento nominal, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu de 1,53 vez para 1,14 vez, indicando uma melhora na saúde financeira da empresa.
Com base no resultado robusto do trimestre, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou o pagamento de R$ 17,4 bilhões em dividendos aos acionistas. Os proventos serão distribuídos em duas parcelas, a serem pagas em novembro e dezembro, e correspondem a R$ 1,34814262 por ação ordinária ou preferencial.
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