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Alckmin: ‘Brasil não vai passar de renda média para alta se a indústria não crescer’

Vice-presidente da República falou sobre os desafios do setor e ações do governo federal

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Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin • Itatiaia

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira (3), durante a abertura do Itatiaia Eloos, que debateu os desafios da indústria, que o país só vai evoluir da renda média para a alta com o crescimento do setor.

“O Brasil não vai passar de renda média para renda mais alta se não agregar valor, se a indústria não crescer. E nós estamos há 40 anos com uma indústria em dificuldades. Em razão de questões tributárias, custo de capital, custo Brasil”, afirmou Alckmin.

Ele apontou ações implementadas pelo governo federal e falou sobre os desafios atuais para que o país aumente a competitividade da indústria nacional.

“Lançamos em 2023 a NIB, Nova Indústria Brasil, focada em quatro pilares. O primeiro é inovação, foram R$ 109 bilhões para pesquisa e inovação, para estimular uma indústria mais inovadora. Patentes, estávamos levando 7 anos para o registro, conseguimos baixar para menos de 4 anos e queremos encerrar o ano em 3 anos. A meta é chegar a 2 anos. Uma indústria sustentável, trabalhar no sentido da desfosilização. Quero destacar a importância para Minas Gerais do biocombustível. Ontem, o percentual do etanol na gasolina passou para 32%. E uma indústria competitiva. O desafio é que temos que conseguir enfrentar a Ásia, que tem custo baixo, tecnologia e escala”, detalhou o vice-presidente.

Alckmin afirmou que o Brasil tem uma tradição burocrática, mas que algumas medidas já estão sendo implementadas para reduzir custos e dificuldades para empreendedores.

“Nós temos uma herança cultural cartorial. De criar regras e regras, custos e custos, temos que desburocratizar. A CNH, um exemplo prático, tinham estados com três vezes mais motocicleta do que gente que poderia dirigir. Para tirar uma carteira o custo chegava a R$ 3 mil. Hoje você tira a carteira com menos de R$ 1 mil”, explicou.

Tarifaço dos EUA

O vice-presidente falou sobre as dificuldades impostas ao Brasil com as tarifas determinadas pelo governo dos Estados Unidos. Alckmin defendeu que o Brasil precisa continuar na mesa de negociações com os americanos ao mesmo tempo em que busca abrir novos mercados.

"Exportação é fundamental para ter escala. Quero destacar os acordos comerciais. Hoje, dos produtos de Minas, 75% estão fora do tarifaço. Inclusive, ferro gusa, laranja, café. 12% é seção 302, estamos igual a todos no mundo, mas não perdemos competitividade. E realmente, em torno de 15%, aí estamos na seção 301 e o empenho é para mudar isso. O governo não vai sair da mesa de negociação. São momentos mais difíceis, mas isso passa", afirmou Alckmin.

"Também precisamos aumentar e diversificar nossos mercados. O Brasil está tentando novos parceiros para vender carne. Na Europa, estamos trabalhando para resolver a questão da carne bovina", continuou.

Eloos Indústria

O quinto ciclo do Eloos Itatiaia foi encerrado nesta segunda-feira, dia 3 de agosto, com um evento que reuniu os principais nomes da indústria para um debate sobre o papel do setor na transformação da economia brasileira, seus desafios e potencialidades. O primeiro painel do seminário teve como tema o “Custo Brasil: defesa comercial e logística na disputa pelo mercado global”.

A mesa discutiu gargalos que travam a competitividade brasileira no comércio internacional, como a fragilidade dos mecanismos de defesa comercial como o ‘antidumping’ diante da concorrência desleal externa. O instrumento é previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para coibir a venda de produtos abaixo do preço de mercado, prática que distorce as transações entre países.

O segundo painel do evento de encerramento do Eloos Indústria debateu o futuro do mercado de trabalho no setor. O centro do debate foi a proposta de fim da escala 6x1, que reacendeu as discussões sobre a jornada de trabalho no Brasil. Setores que dependem de operação contínua ou no pico de demanda em fins de semana precisam equacionar a mudança de jornada com custo operacional e a produtividade.

O painel de encerramento do quinto ciclo Eloos Itatiaia debateu o papel da diversificação industrial no futuro de Minas Gerais. Mais do que um debate técnico, a mesa propôs uma discussão estratégica: diversificar a economia do estado reduz a exposição a choques externos, agrega valor à produção local e sustenta empregos mais qualificados no longo prazo.

Eloos Itatiaia

O Eloos Itatiaia é um movimento independente, apartidário e plural, criado pelo Grupo Itatiaia para reunir diferentes vozes, ideias e experiências em torno de um objetivo comum: impulsionar o desenvolvimento socioeconômico de Minas Gerais e do Brasil.

Por meio do Eloos, o Grupo Itatiaia promove a integração entre pessoas que atuam com propósito, em diferentes setores estratégicos para o país. O projeto é um espaço de diálogo qualificado, onde pontos de vista se encontram para gerar soluções concretas para os desafios comuns.

 

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.

 

 

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