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Para onde vai o entulho de uma obra: separação, reaproveitamento e o que a regra para resíduos da construção exige 

Resolução Conama 307 estabelece regras para o gerenciamento de resíduos da construção civil; na MRV, cada canteiro de obras tem um plano de gestão, com medidas de reaproveitamento, controle e destinação ambientalmente adequada

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A separação dos resíduos no canteiro de obras facilita o reaproveitamento de materiais e o encaminhamento correto do entulho, reduzindo os impactos ambientais da construção civil
A separação dos resíduos no canteiro de obras facilita o reaproveitamento de materiais e o encaminhamento correto do entulho, reduzindo os impactos ambientais da construção civil • Leo Drumond / NITRO

O entulho gerado durante uma obra pode ser reaproveitado, encaminhado para reciclagem ou enviado a uma instalação licenciada para receber esse tipo de resíduo. O destino depende da composição do material, de suas condições de uso e das possibilidades de tratamento disponíveis.

Concreto, argamassa, tijolos e telhas, por exemplo, podem passar por processos de reciclagem para produzir agregados utilizados em determinadas aplicações da construção civil. Madeira, metais, papelão, plásticos e outros materiais também podem ser reaproveitados ou encaminhados a cadeias de reciclagem, conforme suas características.

Para que isso aconteça, a gestão começa antes da retirada dos resíduos do canteiro. A separação por tipo, o armazenamento adequado, o controle do transporte e a escolha de destinadores autorizados ajudam a evitar o descarte irregular e a reduzir os impactos sobre o solo, a água e as comunidades próximas.

A MRV adota um modelo de gerenciamento que prevê um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) para cada obra. Segundo o Relatório Anual de Sustentabilidade (RAS) 2025 da MRV&CO, o plano estabelece indicadores por classe de resíduo, define o tratamento previsto para cada material e orienta o monitoramento desde a saída do canteiro até a destinação final.

O que a Resolução Conama 307 determina?

A Resolução nº 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil.

A norma orienta a classificação dos materiais e determina que a gestão priorize a não geração de resíduos e, quando isso não for possível, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação adequada. O objetivo é evitar que restos de obras sejam descartados de maneira irregular ou encaminhados a locais inadequados.

A classificação prevista na resolução organiza os resíduos em quatro grupos, conforme suas características e possibilidades de reaproveitamento ou tratamento.

Quais são as quatro classes de resíduos da construção civil?

A Resolução Conama 307 divide os resíduos em classes que ajudam a definir como cada material deve ser tratado e destinado.

Classe A — resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados

Inclui concreto, argamassa, tijolos, blocos, telhas e materiais cerâmicos, além de solos provenientes de terraplanagem. Quando tecnicamente viável, esses resíduos podem ser processados para produzir agregados reciclados ou reaproveitados em aplicações permitidas.

Classe B — materiais recicláveis para outras destinações

Abrange plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras, gesso e embalagens vazias de tintas imobiliárias. O encaminhamento depende das condições do material e da existência de uma cadeia de reaproveitamento ou reciclagem.

Classe C — resíduos sem alternativa de recuperação viável

São materiais para os quais ainda não existem tecnologias ou aplicações economicamente viáveis de reciclagem ou recuperação. O gerenciamento deve seguir as exigências aplicáveis e as orientações dos órgãos competentes.

Classe D — resíduos perigosos

Inclui tintas, solventes, óleos e outros materiais perigosos provenientes da construção, além de resíduos contaminados que se enquadrem na classificação. Eles exigem cuidados específicos de acondicionamento, transporte, tratamento e destinação.

Como funciona a gestão dos resíduos em um canteiro de obras?

O gerenciamento envolve uma sequência de procedimentos que começa no planejamento da obra e acompanha os materiais até sua destinação. A separação correta é essencial porque a mistura de resíduos pode dificultar o reaproveitamento, comprometer a reciclagem e aumentar os riscos ambientais.

Planejamento e prevenção

A obra identifica os tipos de resíduos que podem ser gerados e define como reduzir desperdícios, separar materiais, organizar o armazenamento e encaminhar cada categoria. Na MRV, essas diretrizes são reunidas no PGRCC de cada canteiro.

Separação por tipo

Os resíduos são segregados de acordo com suas características. Concreto e cerâmica, por exemplo, não devem ser misturados indiscriminadamente com embalagens, materiais recicláveis ou resíduos perigosos. A separação facilita o tratamento posterior.

Armazenamento e controle

Os materiais ficam em locais apropriados, com medidas para evitar contaminação, dispersão e mistura indevida. A organização do canteiro também contribui para a segurança dos trabalhadores e a eficiência da coleta.

Transporte documentado

A movimentação dos resíduos deve atender às exigências aplicáveis. Quando obrigatório, o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) registra informações sobre o material, o gerador, o transportador e o destinatário, permitindo acompanhar seu percurso.

Reaproveitamento, reciclagem ou destinação final

Os resíduos seguem para reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final ambientalmente adequada, conforme sua classificação. O acompanhamento dos registros permite verificar se o destino previsto foi efetivamente cumprido.

O MTR é um instrumento de rastreabilidade previsto no sistema nacional de gestão de resíduos. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informa que o documento deve acompanhar a carga durante o transporte e que a destinação final precisa ser registrada no sistema, observadas as regras aplicáveis e os sistemas estaduais integrados.

Para onde vai o entulho de uma obra e como a MRV faz a gestão dos resíduos da construção?

A MRV realiza a gestão dos resíduos gerados em suas obras por meio de Planos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC), que estabelecem procedimentos para a separação, o armazenamento, o transporte e a destinação ambientalmente adequada dos materiais. Essas práticas seguem a Resolução Conama nº 307/2002 e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, priorizando a redução da geração de resíduos, o reaproveitamento e a reciclagem.

Como os resíduos são separados e destinados nos canteiros de obras da MRV?

Nos canteiros de obras, materiais como madeira, concreto, metais, plásticos e papelão são separados conforme suas características e possibilidades de reaproveitamento. A MRV também adota sistemas construtivos que reduzem desperdícios, como formas reutilizáveis de concreto, além de iniciativas de logística reversa.

Como a MRV reaproveita materiais e reduz resíduos nas obras?

A gestão de resíduos faz parte das práticas ambientais descritas no RAS 2025 MRV&CO. O relatório apresenta iniciativas para reduzir desperdícios, aproveitar materiais e controlar o descarte nos canteiros.

Em 2025, uma parceria entre a MRV e a Amanco Wavin permitiu recolher 738 quilos de resíduos de PVC para reciclagem em projetos-piloto.

Segundo o Relatório de Sustentabilidade MRV&CO 2025, a companhia destinou 1.367,85 m³ de resíduos à reutilização, doação ou venda.

Entre as medidas adotadas pela construtora estão:

Reaproveitamento de madeira: peças provenientes das obras podem ser utilizadas na construção de caminhos seguros, baias para descarte de resíduos e placas de identificação. Após moagem, a madeira também pode ser aproveitada na adubação.

Uso de materiais no processo construtivo: o sistema de paredes de concreto permite o reaproveitamento de material nos canteiros e substitui a alvenaria em determinadas aplicações.

Segregação e rastreabilidade: a MRV mantém formulários de controle de saída dos resíduos e utiliza sistemas para registrar sua movimentação e destinação.

Logística reversa de PVC: em 2025, a MRV&CO estruturou uma parceria com a Amanco Wavin para recolher resíduos de PVC gerados nas obras. A iniciativa começou na Regional São Paulo, com pontos de coleta e rotas específicas para devolver os materiais ao fabricante e garantir sua reciclagem. O plano prevê a expansão para pelo menos outras duas regionais até 2027.

Essas medidas integram uma estratégia que busca aproveitar melhor os recursos empregados na construção. Além de reduzir o desperdício, o reaproveitamento pode diminuir a necessidade de adquirir novos materiais e contribuir para uma gestão mais eficiente dos custos e dos impactos ambientais.

Quais são os resultados da gestão de resíduos da MRV para o meio ambiente?

As práticas de gestão de resíduos adotadas pela MRV contribuem para reduzir o desperdício de materiais, evitar descartes irregulares e diminuir os impactos ambientais da construção civil.

Essas iniciativas também integram o programa interno da companhia que incentiva a adoção de soluções sustentáveis nos canteiros de obras.

O que é o Procedimento de Ações Sustentáveis Obra Verde da MRV?

A MRV aplica o Procedimento de Ações Sustentáveis Obra Verde, uma certificação interna auditada que considera práticas ambientais adotadas durante a execução das obras.

Segundo o RAS 2025 MRV&CO, a gestão de resíduos é um dos critérios exigidos para a certificação. Para obter o selo, o canteiro precisa implementar pelo menos três das seguintes medidas:

  • Reduzir o consumo de materiais ou a geração de resíduos sólidos.
  • Reaproveitar materiais ou resíduos.
  • Adotar logística reversa e reciclagem.
  • Utilizar materiais reciclados.

A iniciativa incentiva a incorporação de práticas de gestão ambiental à operação dos canteiros e estabelece critérios para avaliar sua aplicação.

Por que o descarte correto é importante?

O descarte irregular de entulho pode obstruir sistemas de drenagem, favorecer o acúmulo de água, degradar áreas públicas e contaminar o solo e os recursos hídricos, dependendo da composição dos materiais. Também desperdiça recursos que poderiam retornar à cadeia produtiva.

A gestão adequada, por outro lado, permite recuperar materiais, reduzir o volume encaminhado à disposição final e manter o controle sobre os resíduos perigosos. Para que esses benefícios se concretizem, não basta retirar o entulho do canteiro: é necessário assegurar que o transporte e a destinação ocorram de acordo com as normas ambientais.

Na MRV, o PGRCC, os controles de movimentação e as iniciativas de reaproveitamento descritas no RAS 2025 MRV&CO demonstram como o gerenciamento pode ser organizado ao longo das etapas da construção. O resultado depende da combinação entre planejamento, separação correta, acompanhamento dos resíduos e destinação compatível com cada material.

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Erem Carla é jornalista com formação na Faculdade Dois de Julho, em Salvador. Ao longo da carreira, acumulou passagens por portais como Terra, Yahoo e Estadão. Tem experiência em coberturas de grandes eventos e passagens por diversas editorias, como entretenimento, saúde e política. Também trabalhou com assessoria de imprensa parlamentar e de órgãos de Saúde e Justiça. *Na Itatiaia, colabora com a editoria de Indústria e de GEO.

 

 

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