No oitavo episódio do
Logo no início da entrevista, França dimensiona o tamanho do problema habitacional no país. “O Brasil tem hoje um déficit de cerca de 6 milhões de moradias. E, nos próximos dez anos, ainda vai precisar construir mais 11 milhões de casas”, afirmou.
Segundo ele, não se trata apenas de crescimento populacional, mas de uma dívida histórica com a população de baixa renda. “Grande parte desse déficit está concentrada em famílias que dependem diretamente de políticas públicas e de crédito subsidiado para conseguir uma moradia digna”, explicou.
Ao falar sobre habitação popular, França foi categórico ao destacar o papel do crédito. “Sem crédito, não existe habitação popular. O Minha Casa Minha Vida é fundamental porque permite que a prestação caiba no bolso do trabalhador”, disse.
O presidente da Abrainc também chamou atenção para o impacto dos juros altos sobre o setor imobiliário e a economia como um todo. “O crédito imobiliário no Brasil é caro. Enquanto a taxa de juros permanecer elevada, o crescimento será limitado e o acesso à casa própria ficará restrito”, avaliou.
Para ele, a solução passa necessariamente pelo ajuste fiscal. “O governo precisa gastar menos. Isso é básico. Qualquer família faz isso quando aperta o orçamento. O Estado precisa fazer o mesmo para que a taxa de juros caia”, afirmou.
Outro tema central da entrevista foi o planejamento das cidades. França defendeu modelos urbanos mais adensados e conectados aos eixos de transporte. “Construir perto do transporte público reduz deslocamentos, melhora a qualidade de vida e diminui a emissão de CO₂. O adensamento bem planejado é positivo”, destacou.
Ao comentar a situação dos centros urbanos, ele apontou o retrofit como caminho estratégico. “Nós temos prédios antigos, comerciais e ociosos, que podem ser transformados em moradia. Isso traz vida para o centro e aproveita a infraestrutura existente”, disse.
Na Pergunta de Ouro da audiência, França respondeu se ainda faz sentido sonhar com a casa própria em um cenário de juros altos. “Para a baixa renda, faz sentido sim, por causa do crédito subsidiado. Para o médio padrão, é preciso fazer conta. O imóvel no Brasil ainda está barato em comparação internacional”, afirmou.
Segundo ele, o comprador precisa olhar o longo prazo. “O juro pode cair no futuro, e o crédito imobiliário permite portabilidade. Já o imóvel tende a se valorizar. Essa equação precisa ser analisada com calma”, explicou.
Encerrando o episódio, Luiz França deixou um recado direto para investidores e incorporadores. “O mercado imobiliário é técnico. Quem não faz leitura de demanda, renda e tipologia corre risco. Decisão precisa ser baseada em dados, não em narrativa”, concluiu.
O episódio reforça o papel do Itatiaia Negócios Cast como espaço de debate qualificado sobre temas estruturais da economia brasileira, conectando mercado, políticas públicas e decisões que impactam diretamente a vida das pessoas.
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