EUA perdem liderança entre destinos do café brasileiro em 2025, mostra indústria

Tarifas reduziram embarques ao mercado norte-americano, enquanto exportações renderam receita recorde ao Brasil, segundo o Cecafé

Alemanha assumiu a liderança entre os principais destinos do café do Brasil após tarifas dos EUA

Os Estados Unidos deixaram a liderança entre os principais destinos do café brasileiro em 2025, após a imposição de tarifas sobre o produto, em um ano marcado por menor volume exportado e faturamento recorde da indústria cafeeira.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o país embarcou 40,049 milhões de sacas de 60 quilos ao longo do ano, queda de 20,8% em relação a 2024, mas obteve receita cambial histórica de US$ 15,586 bilhões, alta de 24,1%.

A retração no volume já era esperada pelo setor, após os embarques recordes registrados em 2024 e diante da menor disponibilidade de café em 2025, impactada por condições climáticas. Ainda assim, os preços médios mais elevados no mercado internacional sustentaram o desempenho financeiro da indústria, que exportou para 121 destinos ao longo do ano.

Tarifas alteram ranking de destinos

Tradicionalmente principal comprador do café brasileiro, os Estados Unidos recuaram para a segunda posição em 2025. Os embarques ao país somaram 5,381 milhões de sacas, queda de 33,9% na comparação com o ano anterior, respondendo por 13,4% do total exportado.

A liderança passou para a Alemanha, que importou 5,409 milhões de sacas, equivalentes a 13,5% dos embarques brasileiros, apesar de também registrar retração de 28,8% frente a 2024. O movimento refletiu, sobretudo, a queda das vendas aos norte-americanos durante o período de vigência das tarifas de 50% impostas pelos EUA ao café brasileiro.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, nos quase quatro meses em que o tarifaço esteve em vigor, entre agosto e novembro, os embarques aos Estados Unidos recuaram 55%. Ele destaca que o café solúvel segue taxado, o que mantém a pressão sobre as exportações desse segmento ao mercado norte-americano.

Menor volume e receita recorde

Mesmo com a redução dos embarques, a indústria brasileira de café alcançou seu maior faturamento anual. Em dezembro, foram exportadas 3,133 milhões de sacas, volume 20,2% inferior ao do mesmo mês de 2024, mas que gerou receita de US$ 1,313 bilhão, crescimento de 10,7%.

No primeiro semestre da safra 2025/26, entre julho e dezembro, o Brasil exportou 20,610 milhões de sacas, com receita de US$ 8,054 bilhões. O resultado representa queda de 21,3% em volume, mas aumento de 11,7% em valor na comparação com o mesmo período da safra anterior.

De acordo com o Cecafé, o desempenho financeiro foi sustentado por cotações médias mais elevadas e pelos investimentos contínuos dos produtores em tecnologia, inovação e qualidade, fatores que elevaram o valor do café brasileiro no mercado internacional.

Gargalos logísticos pressionam exportadores

Além das tarifas, a indústria cafeeira enfrentou dificuldades relacionadas à infraestrutura portuária em 2025. A falta de capacidade adequada para cargas conteinerizadas gerou custos adicionais aos exportadores, com despesas extras de armazenagem, pré-stacking e detentions, decorrentes de atrasos e alterações nas escalas dos navios.

Dados do Boletim Detention Zero, elaborado pela ElloX Digital em parceria com o Cecafé, indicam que 55% dos navios enfrentaram atrasos ou mudanças de escala na média mensal até novembro. Com isso, cerca de 613,4 mil sacas deixaram de ser embarcadas por mês ao longo do período analisado.

Perfil das exportações

O café arábica permaneceu como o principal produto exportado pela indústria brasileira, com 32,308 milhões de sacas em 2025, o equivalente a 80,7% do total, apesar da queda de 12,8% em relação ao ano anterior. Na sequência aparecem o café canéfora (conilon e robusta), com 3,995 milhões de sacas, e o café solúvel, com 3,688 milhões de sacas.

Os cafés diferenciados — certificados, especiais ou de qualidade superior — responderam por 20,3% das exportações totais, com o envio de 8,145 milhões de sacas. Embora o volume tenha recuado, a receita do segmento alcançou US$ 3,525 bilhões, crescimento de 39,1%, impulsionado pelo preço médio mais elevado.

Portos e destinos

O Porto de Santos concentrou 78,7% dos embarques de café do Brasil em 2025, com 31,515 milhões de sacas exportadas. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 17,7% do total, seguido pelo Porto de Paranaguá, com 0,9%.

Além de Alemanha e Estados Unidos, completaram o grupo dos cinco principais destinos a Itália, o Japão e a Bélgica. Entre os dez maiores importadores, apenas Japão, Turquia e China ampliaram as compras de café brasileiro ao longo do ano.

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Erem Carla é jornalista com formação na Faculdade Dois de Julho, em Salvador. Ao longo da carreira, acumulou passagens por portais como Terra, Yahoo e Estadão. Tem experiência em coberturas de grandes eventos e passagens por diversas editorias, como entretenimento, saúde e política. Também trabalhou com assessoria de imprensa parlamentar e de órgãos de saúde e Justiça. *Na Itatiaia, colabora com a editoria de Indústria.

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