Sistema de armazenamento amplia poder de negociação no campo
Com safra estimada em até 350 milhões de toneladas, apenas cerca de 59% da produção conta com capacidade de estocagem, evidenciando gargalos de infraestrutura no agro

O Brasil deve registrar, na safra 2025/2026, uma produção estimada em até 350 milhões de toneladas de grãos. Apesar do volume recorde, apenas cerca de 59% dessa produção possui capacidade de armazenagem, o que evidencia limitações estruturais no setor.
No caso da soja, principal cultura do país, a projeção é de 184,7 milhões de toneladas, aumento de 11,5 milhões em relação ao ciclo 2024/2025. O crescimento, no entanto, acende um alerta, já que parte dessa produção pode não ter destino adequado para estocagem.
O presidente da Aprosoja Minas, Fábio Sales Filho, destaca a necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura de armazenagem. Segundo ele, a construção de armazéns exige planejamento e tempo.
“Um sistema de armazenamento no Brasil não fica pronto em menos de um ano e meio. Mesmo com linhas de crédito, é preciso ter produtividade para viabilizar o pagamento ao longo do tempo”, afirma.
Além da logística, a armazenagem também impacta diretamente a estratégia comercial dos produtores. De acordo com Sales Filho, ter estrutura própria reduz custos e amplia o poder de negociação.
“Com capacidade de armazenar, o produtor ganha fôlego para negociar, pode esperar melhores preços e até acessar crédito utilizando a produção estocada como garantia”, explica.
Na prática, produtores confirmam essa vantagem. Em São Gotardo (MG), José Elvis da Cunha, que cultiva alho e cenoura, afirma que o armazenamento é decisivo para a rentabilidade do negócio.
“Com espaço adequado, posso esperar o melhor momento para vender, preservar o produto e acompanhar o mercado. Muitas vezes, o preço oscila por influência externa, e não podemos vender abaixo do custo. O armazenamento ajuda justamente nisso”, relata.

Para especialistas, a limitação na capacidade de estocagem representa um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro. O professor Marcello Brito, diretor acadêmico da FDC Agroambiental, alerta que o problema pode afetar a competitividade do país no mercado internacional.
“Se não enxergarmos o agro como uma cadeia integrada e não resolvermos esses gargalos, o Brasil corre o risco de perder relevância. Continuaremos produzindo commodities, mas sem agregar valor. Isso reduz o poder de barganha e limita o potencial econômico do setor”, avalia.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.
