Práticas ESG na infraestrutura impulsionam a economia
Estudo aponta que a adoção de estratégias sustentáveis pode injetar R$ 34 bilhões por ano na economia e gerar quase 300 mil empregos

Um estudo da EY-Parthenon projeta que a adoção de estratégias sustentáveis no setor de infraestrutura pode injetar R$ 34 bilhões anuais na economia brasileira, além de impulsionar o crescimento setorial e gerar quase 300 mil empregos. De acordo com o levantamento, a integração de práticas ESG (Environmental, Social and Governance — Ambiental, Social e Governança) atua como um motor de valor e eficiência para o segmento.
Lançado durante a COP 30, realizada em 2025, em Belém (PA), o relatório Impact Edge detalha cinco pilares estratégicos, que vão da resiliência climática em cidades inteligentes à descarbonização dos transportes e à modernização do saneamento. Além dos ganhos financeiros, a análise destaca benefícios sociais e ambientais relevantes, como a redução de emissões e a economia de recursos no sistema público de saúde.
O valor econômico é gerado por diferentes mecanismos, diretos e indiretos, com destaque para a redução do custo de capital e a ampliação do acesso a financiamento. Segundo o documento, empresas com histórico consistente em sustentabilidade tendem a preservar linhas de crédito estratégicas e a reduzir o custo de captação ao adotar maior transparência e metas mensuráveis.
A eficiência operacional também contribui para a geração de valor. Tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e à redução de emissões permitem otimizar processos e diminuir custos. Iniciativas como manutenção preditiva, telemetria e otimização logística reduzem despesas com manutenção e consumo de combustível.
Outro fator relevante é a mitigação de riscos e a garantia da continuidade operacional. Investimentos em resiliência climática e no uso de dados ajudam a proteger ativos estratégicos diante de eventos extremos, assegurando a prestação de serviços e reduzindo riscos operacionais e reputacionais, com impacto direto em custos de seguros e processos de licenciamento.
Empresas com boas práticas ESG também ganham vantagem competitiva em concessões públicas, diante da crescente exigência por projetos mais sustentáveis e resilientes. Nesse contexto, a agenda ESG no setor tem potencial para gerar mais de 293 mil empregos e elevar a arrecadação de impostos em cerca de 2,6% ao ano.
Saúde Pública
O estudo também aponta impactos positivos na saúde pública. A ampliação e a melhoria do saneamento básico, por exemplo, contribuem para reduzir a contaminação hídrica e podem evitar milhares de internações por ano. A economia estimada é de R$ 21,91 milhões anuais para o Sistema Único de Saúde (SUS), recursos que podem ser direcionados a outras áreas prioritárias.
Do ponto de vista econômico, para a análise, essa atuação da ESG pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do setor de infraestrutura em 5,6%, com potencial de injetar cerca de R$ 34 bilhões por ano na economia brasileira.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.
