Itatiaia

Minerais críticos dão vantagem competitiva para o Brasil em meio à busca mundial por fontes de energia limpa

Exigências relacionadas aos impactos ambientais e à redução das emissões de carbono, atreladas à transição energética, devem aumentar a demanda por minerais críticos

Por
Setor de energia limpa segue em crescimento no Brasil
Multinacionais buscam países com baixa pegada de carbono para investimentos • Pixabay

A baixa pegada de carbono é um dos pilares da transição energética e tecnológica no mundo e já influencia as relações comerciais entre países. Nações como União Europeia, China e Estados Unidos têm regras de fronteira para receber produtos que geraram grandes volumes de carbono.

Nesse cenário, multinacionais dão preferência a países com matriz energética limpa. Nações que possuem minerais críticos para a fabricação de baterias e carros elétricos também ganham protagonismo nas negociações.

O coordenador de mudança do clima da WayCarbon, companhia voltada à transição energética para empresas, Rafael Della Barba, explica que o minério que utiliza menos diesel no transporte ou emite menos gases durante o processo, ou seja, que tem menor pegada de carbono, é mais valorizado no mercado internacional.

“Quanto menor a emissão dos produtos quando saem daqui, menos o importador paga essa taxa na hora da importação. Então, deixa de ser uma questão de sustentabilidade ou de meio ambiente e passa a ser também um ativo de negociação. Eu monitoro minhas emissões, elas são menores, tenho isso auditado perante as regras internacionais, no caso da União Europeia, e consigo negociar um preço melhor.”

Para o Brasil, o caminho é mais pavimentado. O país possui água, sol e ventos e, por isso, possui uma matriz energética limpa, algo que não é tão comum no mundo. Isso pode agregar valor aos minerais brasileiros na hora da exportação, e é nesse ponto que entra a soberania.

“Então essa é a importância do Brasil como beneficiário de uma matriz energética, assim, em corporais. Falando em soberania, vamos incorporar o que há de bom no nosso sistema energético, nos nossos produtos. É um ponto importante para trazer aqui.”

Coordenador de mudança do clima da WayCarbon, companhia voltada à transição energética para empresas, Rafael Della Barba • Reprodução Itatiaia
Coordenador de mudança do clima da WayCarbon, companhia voltada à transição energética para empresas, Rafael Della Barba • Reprodução Itatiaia

Demanda do minerais críticos

No mundo, as exigências relacionadas aos impactos ambientais e à redução das emissões de carbono, atreladas à transição energética, devem aumentar a demanda por minerais críticos, que o Brasil possui em grande quantidade. É o que afirma o economista e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC), Jorge Arbache.

“Toda essa agenda de economia verde e de mudança de clima e de sustentabilidade vai requerer uma quantidade brutal de minerais críticos e de terras raras, seja lá para os carros elétricos, seja para os aerogeradores, seja para os painéis solares, seja para as grandes linhas de transmissão, para essas grandes baterias que estão sendo agora instaladas, ímãs e tantos outros produtos. Então a demanda tende a crescer muito. Da mesma maneira, o urânio: vem aí uma nova geração de usinas nucleares, que vão requerer uma quantidade explosiva de urânio, mineral que o Brasil também tem.”

Economista e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC), Jorge Arbache • Reprodução Itatiaia
Economista e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC), Jorge Arbache • Reprodução Itatiaia

Confira a reportagem completa:

Assistir vídeo:
Por

Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

 

 

Belo Horizonte