Disputa por minerais críticos abre espaço para o Brasil no jogo entre grandes potências mundiais
Estados Unidos, China e União Europeia buscam garantir acesso a recursos estratégicos para tecnologia e transição energética

O mundo atravessa uma corrida tecnológica e energética, impulsionada pelo crescimento de supercomputadores, data centers e inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o mercado exige economias cada vez menos poluentes, enquanto a dependência de petróleo e gás, marcada por instabilidades, também se torna menos interessante. Para o avanço tecnológico, são necessários ímãs, baterias, cabos e chips. Já na transição energética, minerais são utilizados na fabricação de carros elétricos, placas solares e equipamentos para geração de energia eólica.
Para todas essas aplicações, minerais críticos e terras raras são fundamentais. Esses recursos também são utilizados pelas forças militares, na construção de caças, mísseis e radares, entre outras aplicações. Por isso, tornaram-se peças-chave na geopolítica mundial, envolvendo principalmente países como Estados Unidos, União Europeia e China.
Atualmente, o Brasil está atrás da China na disponibilidade desses recursos. Com a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, o país pode transformar essa posição em uma oportunidade.
Em um cenário de disputa geopolítica, decisões relacionadas aos minerais críticos ganham caráter estratégico. Barrar o acesso a esses recursos ou dar preferência a determinado país pode se tornar uma ferramenta de pressão política e econômica. Nesse contexto, o Brasil busca uma posição de neutralidade.
O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, afirma que o país tem condições de manter essa posição e dialogar com diferentes nações.
“Eu acho que o Brasil tem uma oportunidade única. Nenhum outro país tem essas três características: somos competitivos, entendemos a necessidade de desenvolvimento e somos capazes de conversar com todos os lados desse grande tabuleiro de xadrez que está sendo jogado.”

O coordenador do Instituto de Terras Raras da Federação das Indústrias de Minas Gerais, André Pimenta, avalia que o Brasil pode se colocar como uma alternativa para as grandes potências.
“Basicamente, as tecnologias de transição energética, inclusive as de imagem de neodímio-ferro-boro, estão concentradas em um único país oriental. O Brasil, por algumas questões geológicas, tem um volume de terras raras já identificadas bastante significativo e começa a se tornar um player alternativo para os países ocidentais. Hoje, boa parte das empresas tem interesse em trazer esses desafios para cá para comprovar se existe viabilidade e, então, atrair investimento.”

O relator da nova lei sobre esses minerais na Câmara dos Deputados, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania), explica que a concentração desses recursos também amplia o poder de negociação dos países.
“Passam, então, terras raras e minerais a serem um fator até de disputa internacional. Quem detém esses minerais tem muito mais poder, poder para induzir à industrialização, para ter mais vitalidade econômica e, portanto, mais peso na política mundial. Então, ter um marco regulatório sobre isso vai permitir ao Brasil fazer um bom uso dos minerais críticos e estratégicos.”

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



