Investimentos em minerais críticos ampliam oferta de empregos e arrecadação em municípios mineradores
Novos projetos devem gerar postos de trabalho e aumentar a arrecadação em Minas, mas exigem qualificação profissional especializada

Quase R$ 44 bilhões podem ser adicionados ao Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais até 2050, de acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil. A estimativa considera investimentos voltados à exploração de minerais críticos e terras raras no país.
Além do impacto na economia, os novos projetos devem aumentar a atividade no estado e a arrecadação dos municípios por meio da tributação. O levantamento também aponta que os investimentos podem gerar 750 mil empregos no país, considerando que uma parcela significativa dos projetos está concentrada em Minas Gerais.
Para que os municípios e o estado consigam aproveitar os efeitos positivos desse avanço, é necessário um trabalho coordenado entre os diferentes níveis de governo, segundo o economista e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC), Jorge Arbache.
“No final das contas, o que vale mesmo no final do dia é o que acontece na última milha, que é lá na região onde está localizada aquela jazida, aquela reserva. E isso envolve não só o Estado, mas também o município. Então, é claro que aqui existe uma divisão de espaço institucional entre governo federal, municipal e estadual.
Cada um tem uma interferência, uma influência, uma participação nas decisões do setor mineral. O que é fundamental é que haja uma coordenação entre as instituições envolvidas de tal forma que todos possam ganhar”.

Qualificação profissional
A geração de empregos também traz o desafio da formação de profissionais para ocupar vagas que exigem conhecimentos especializados. Para o gerente do Senai da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Ricardo Aloysio, a qualificação da mão de obra depende da atuação conjunta de empresas, poder público e instituições de ensino.
“Eu acho que a qualificação de mão de obra no Brasil, de forma geral, é responsabilidade de todos. A empresa, a indústria tem sua parcela de contribuição, o Poder Público principalmente, porque isso é uma política pública e é uma política de mobilidade social, concorda? E a iniciativa privada, as instituições de formação também, porque a gente precisa de formação desde o operador mais simples até de um engenheiro. Então, isso perpassa por toda a cadeia também de educação profissional do país, não só aqui de Minas Gerais”.

Além da geração de empregos, a expectativa é de que o avanço da mineração seja acompanhado pela agregação de valor, com a transformação do minério em materiais que possam ser exportados por valores maiores. Segundo o conselheiro do Sindicato das Indústrias Extrativas de Minas (Sindiextra), Cristiano Parreiras, esse processo também pode contribuir para o aumento da arrecadação dos municípios.
“E a partir do momento que nós temos a agregação de valor naquele território ou naquela região, você promove o aumento da renda, o aumento dos tributos recolhidos pela mineração, beneficiando diretamente a população que reside naquele local, o poder público local, que a partir desse aumento, desse incremento tributário, tem condições de fazer investimentos em educação, saúde, cultura”.

Confira a reportagem completa:
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



