Negociação coletiva é o caminho para discutir o fim da escala 6x1, diz presidente da AMAT
Durante painel do Eloos Indústria, Cassia Marize Hatem Guimarães defendeu que mudanças na jornada de trabalho sejam construídas por meio do diálogo entre empresas e trabalhadores

A negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores é o caminho mais adequado para discutir mudanças na jornada de trabalho e eventuais alterações na escala 6x1. A avaliação é da secretária-geral adjunta da OAB-MG e presidente da Associação Mineira da Advocacia Trabalhista (AMAT), Cássia Marize Hatem Guimarães, durante o segundo painel do Eloos Indústria, realizado nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte.
Com o tema voltado ao futuro do mercado de trabalho na indústria, o debate reuniu representantes do setor produtivo, do poder público e da advocacia para discutir os impactos da possível extinção da escala 6x1.
Também participaram do painel o prefeito de Contagem, Ricardo Faria; o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Raphael Lafetá; e o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), Bruno Ligório.
Ao defender maior diálogo entre empresas e trabalhadores, Cássia Marize afirmou que uma legislação rígida dificilmente atenderá às necessidades dos diferentes setores da economia.
"Eu sou uma defensora da negociação coletiva. Acho que essa é a saída. Uma lei rígida não vai resolver o problema do empregador e muito menos o do empregado, porque o Brasil é imenso, com setores muito diferentes. O que funciona para um pode não funcionar para outro",
Segundo a presidente da AMAT, o mercado de trabalho também enfrenta um novo desafio: a escassez de mão de obra. Para ela, muitos trabalhadores já não aceitam o modelo tradicional de jornada, o que exige novas formas de negociação entre empresas e empregados.
"Hoje o trabalhador já não quer mais se sujeitar àquela jornada tradicional. Por isso, a negociação coletiva é o melhor caminho para encontrar soluções que atendam às necessidades de cada categoria",
Durante o debate, Cássia Marize argumentou ainda que a discussão sobre a jornada de trabalho não pode ficar restrita apenas ao número de horas trabalhadas. Na avaliação dela, fatores como metas e pressão no ambiente profissional também precisam fazer parte do debate.
"A questão não é apenas a jornada. Nós precisamos discutir também as metas e a pressão sobre os trabalhadores. Há setores que trabalham menos horas e, ainda assim, apresentam altos índices de adoecimento. Isso mostra que o problema é mais amplo",
Ao encerrar sua participação, a representante da OAB-MG voltou a defender que a construção de um novo modelo de relações de trabalho passe pelo diálogo entre sindicatos, empresas e trabalhadores.
"Esse novo pacto de trabalho precisa ser construído em conjunto. Quem conhece o chão de fábrica são os trabalhadores e os empregadores. A negociação coletiva continua sendo o melhor caminho para construir soluções para cada realidade",
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