Debate sobre os desafios da infraestrutura no Brasil marca primeiro painel
Painel destaca PPP's e concessões como soluções para ampliar a infraestrutura

A programação do ciclo Cidades e Infraestrutura do projeto Eloos Itatiaia reuniu especialistas e gestores públicos para discutir os principais desafios da infraestrutura no Brasil. Participaram do debate Fernanda Rezende, diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT); Guilherme Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); Marília Melo, presidente da Copasa; João Marcelo, prefeito de Nova Lima; e Marco Aurélio de Barcelos, diretor da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).
Entre os pontos centrais, o debate destacou gargalos logísticos, a necessidade de ampliar investimentos e o papel das parcerias público-privadas (PPPs) e concessões no desenvolvimento econômico.
Fernanda Rezende, diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresentou dados sobre a qualidade das rodovias no país e em Minas Gerais. Segundo ela, 62% da malha rodoviária brasileira é classificada como ruim ou péssima. “Com mais investimento direcionado, é possível elevar a qualidade. É preciso complementaridade entre setor público e privado”, afirmou. Em Minas Gerais, o cenário é ainda mais crítico: cerca de 65% das rodovias estão em condições regulares, ruins ou péssimas, com desempenho inferior ao da malha federal.
Guilherme Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), destacou o avanço das concessões e projetou novos contratos. “Minas é a síntese do Brasil. Das nove concessões existentes, seis estão em andamento, e em breve serão 11 contratos. Hoje, 43% das rodovias federais já são concedidas”, disse. Ele ressaltou a importância de planejamento técnico aliado à articulação política. “Sem uma boa política, mesmo com técnica, não conseguimos avançar”, completou.
Marco Aurélio de Barcelos, diretor da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), reforçou a relevância das concessões e a continuidade das políticas públicas. “É positivo ver que a agenda de infraestrutura atravessa diferentes governos. Minas Gerais retomou instrumentos de atração de investimentos”, avaliou.
Para ele, o avanço do setor depende de três fatores: confiança em novos modelos de transporte, uso adequado das ferramentas disponíveis, além do orçamento público, e fortalecimento do diálogo institucional.
Na perspectiva municipal, o prefeito de Nova Lima, João Marcelo, destacou a importância de políticas públicas voltadas ao cidadão. Ele citou a implementação de subsídio tarifário no transporte público como exemplo de melhoria no serviço. “Com a tarifa reduzida, houve aumento expressivo na demanda e melhora na percepção da população”, afirmou. O prefeito também defendeu a responsabilidade fiscal como condição para ampliar investimentos em mobilidade e infraestrutura urbana.
Saneamento Básico
Marília Melo, presidente da Copasa, abordou os desafios do saneamento e a meta de universalização até 2033. Segundo ela, não há espaço para adiar prazos. “Não é hora de rediscutir metas, mas de garantir o cumprimento. O novo marco do saneamento elevou o nível de investimentos no país”, afirmou.
A executiva também mencionou a possibilidade de privatização da Copasa ainda neste ano, em discussão com órgãos de controle e o governo estadual.
Melo afirmou que a companhia está próxima de avanços importantes no processo de universalização do saneamento. Segundo ela, Belo Horizonte tem papel estratégico nesse cenário. “BH é, de fato, muito relevante nesse processo. Como destacou o prefeito Álvaro, é preciso olhar para todos. Quando cheguei à Copasa, reuni diferentes atores para debater e pensar soluções para a universalização”, disse.
Transporte público
O debate também tratou do financiamento do transporte público. Fernanda Rezende destacou a necessidade de definir fontes de custeio para garantir tarifas acessíveis. “Hoje, em muitos casos, quem paga pela gratuidade é o próprio usuário. É preciso discutir quem deve arcar com esse custo e assegurar um serviço de qualidade”, disse.
Os participantes ainda ressaltaram a importância da previsibilidade orçamentária e do aumento dos investimentos, públicos e privados, como motores para impulsionar a infraestrutura e o crescimento econômico do país.
Continuidade de projetos
Marco Aurélio de Barcelos alertou para os riscos que os ciclos eleitorais podem representar à continuidade de projetos de infraestrutura. “Há o risco de descontinuidade de iniciativas já em andamento. É fundamental que haja união e monitoramento. A sociedade civil também precisa cobrar a manutenção de políticas de Estado”, afirmou.
Apesar das preocupações, ele demonstrou otimismo em relação ao cenário do setor. “Vivemos o melhor ciclo da infraestrutura na história do Brasil e de Minas Gerais. Pelas projeções apresentadas, o estado deve receber cerca de R$ 120 bilhões em investimentos em rodovias nos próximos seis anos. Estamos transformando o Brasil. Minas é o estado do futuro”, concluiu.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.
