Brasil pode ter áreas inabitáveis até 2100, alerta executivo da Stellantis no Eloos
João Irineu destacou riscos do aquecimento global e afirma que investimento de R$ 32 bilhões da montadora vai acelerar a descarbonização da cadeia automotiva

O vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis, João Irineu, alertou para os impactos do aquecimento global e para o desafio da descarbonização durante participação no Itatiaia Eloos, nesta segunda-feira (24). Segundo ele, dados globais apontam que o planeta já emite cerca de 5 gigatoneladas de CO₂ por ano, volume que pode dobrar ou até triplicar nas próximas décadas caso nenhuma ação seja tomada.
O tema foi debatido no terceiro painel do evento, que tratou de energia, sustentabilidade e mobilidade.
“Essas gigatoneladas vão duplicar ou triplicar se a gente não fizer nada até 2100. Isso significa que, próximo à linha do Equador, as temperaturas estarão 5 graus acima do período pré-industrial”, afirmou. “Nós vamos ter 44 graus todos os dias do ano, com umidade muito alta."
Irineu destacou que, com temperaturas tão elevadas, o corpo humano não consegue manter funções básicas, o que tornaria algumas regiões inabitáveis. “A 44 graus, o nosso corpo não respira mais. Isso vai criar uma faixa inabitável na linha do Equador”, explicou. “Essas regiões serão fortemente atingidas. É um problema global que precisa ser discutido, mas as ações e soluções dependem de cada região.”
O executivo ressaltou que o Brasil possui vantagens estratégicas na transição energética em razão de sua matriz elétrica. Segundo ele, nenhum outro país do mundo reúne condições semelhantes.
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Irineu afirmou que a Stellantis trabalha com metas ambiciosas para reduzir emissões de carbono e contribuir com a preservação ambiental. “A Stellantis tem um desafio enorme: descarbonizar 30% dos produtos de 2025 a 2030. Mas não basta isso. Temos que trabalhar em toda a cadeia, da mineração até a reciclagem final do carro, que dura 20 ou 30 anos no mercado.”
Ele destacou ainda que o desafio é maior em países em desenvolvimento, mas que a transição é inevitável. O executivo também comentou sobre o investimento de R$ 32 bilhões previsto entre 2025 e 2030 para desenvolver tecnologias de baixo carbono e transformar toda a cadeia produtiva da montadora. “A Stellantis aprovou um investimento de R$ 32 bilhões e instituiu o programa BioHybrid, que combina biocombustíveis e eletrificação”, afirmou.
De acordo com Irineu, o objetivo é reduzir emissões em todas as etapas, da mineração à reciclagem dos veículos. “Vamos transformar nosso processo produtivo em um processo de baixo carbono em toda a cadeia, que é bastante extensa”, completou.
Ele explicou que o programa BioHybrid se apoia na combinação entre biocombustíveis e energia elétrica de baixo carbono, o que, segundo ele, coloca o Brasil em posição de vantagem. “Nossa energia elétrica é de baixo carbono, vinda de fontes hídricas, biomassa, eólica e solar. Essa combinação fará com que os produtos da Stellantis nos próximos anos sejam produtos de baixo carbono”, destacou.
Projeto Ellos
O evento de encerramento do segundo ciclo Itatiaia Eloos é realizado nesta segunda-feira (24), na Arena MRV, no bairro Califórnia, região Noroeste de Belo Horizonte. Painéis e palestras discutem temas do setor energético.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, também se presentou durante o evento. Os painéis contaramm com a participação de importantes nomes de empresas do setor. O primeiro contou com tema “Regulação e Futura dos Investimentos no Setor Elétrico"; o segundo abordará “Redes do Futuro: Inteligência Tecnológica na Transição Energética pós-COP 30"; e o terceiro discutirá “Energia, Sustentabilidade, Mobilidade”.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, também participou do evento e falou durante uma palestra sobre o tema “Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico - Precedentes Judiciais”.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



