No Eloos Itatiaia, Adriana Maugeri defende agro como questão de segurança nacional
Durante o Eloos Itatiaia, presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal destacou a importância econômica da cadeia

"O agro precisa ser tratado como um assunto de segurança nacional." A afirmação é de Adriana Maugeri, presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal, durante entrevista concedida ao Eloos Itatiaia, nesta segunda-feira (1º), em Belo Horizonte.
Ao discutir os desafios e perspectivas do agronegócio brasileiro, Maugeri destacou a relevância do setor florestal para a economia nacional e alertou para os impactos da instabilidade internacional sobre a cadeia produtiva.
Segundo ela, os produtos florestais ocupam a terceira posição entre os itens mais exportados pelo Brasil, com destaque para a celulose e o papel. No entanto, a atividade está diretamente exposta às mudanças no cenário global.
“O setor florestal está dentro da balança do agro e é o terceiro produto mais exportado do país, muito puxado pela celulose. Estamos muito sujeitos às intempéries externas e às mudanças que ocorrem no cenário internacional”, afirmou.
A presidente da associação ressaltou que a cadeia produtiva florestal é diversificada e reúne desde pequenos até grandes produtores. Em Minas Gerais, a atividade tem forte presença territorial. De acordo com ela, o cultivo florestal está presente em 94% dos municípios mineiros, o que amplia as oportunidades de geração de renda e desenvolvimento regional.
Durante a entrevista, Maugeri também criticou a falta de planejamento de longo prazo para o agronegócio brasileiro. Na avaliação dela, o país precisa adotar uma visão estratégica para setores considerados essenciais, como a produção de alimentos e energia.
“Segurança alimentar e segurança energética precisam ser tratadas como prioridades. O agro está diretamente ligado a essas duas áreas e deve ser visto como uma questão de Estado”, disse.
Ela destacou ainda o papel do setor florestal na transição energética e sua importância para diversas cadeias industriais. Além da produção de papel e celulose, as florestas plantadas abastecem segmentos como a siderurgia, a indústria têxtil e outras atividades produtivas.
Maugeri afirmou que o Brasil possui vantagens competitivas significativas no cenário internacional, especialmente em produtividade. Para ela, o reconhecimento global do potencial brasileiro já é uma realidade.
“O mundo já abriu os olhos para o Brasil. Temos uma produtividade superior à de muitos países e todas as condições para continuar crescendo”, avaliou.
Ao defender políticas estruturantes para o agronegócio, a presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal afirmou que o desenvolvimento do setor exige planejamento de longo prazo e ações coordenadas entre diferentes áreas do poder público.
“O Brasil precisa ser pensado como um projeto de Estado, e não apenas de governo. Programas isolados não são suficientes. Sem uma estratégia maior, o país não consegue avançar da forma que poderia”, concluiu.
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