Dólar cai com conversa de Mauro Vieira e Rubio no radar de investidores
Chefes da diplomacia de Brasil e Estados Unidos se reuniram nesta quinta-feira (16), elevando a expectativa de solução para o tarifaço

O dólar registrou uma queda de 0,37% nesta quinta-feira (16), cotado a R$ 5,44, com a primeira reunião presencial entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o seu homônimo dos Estados Unidos, Marco Rubio, no radar dos investidores. Em Washington, os dois discutiram os termos das tarifas de importação sobre os produtos brasileiros.
A sobretaxa de 50% sobre os produtos brasileiros entrou em vigor em agosto, mas nos últimos meses a perspectiva de negociação entre os dois países melhorou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump conversaram sobre o assunto por telefone na semana passada na última segunda-feira (6).
Apesar de ainda não terem um resultado concreto, e o fim das tarifas ainda estarem longe no horizonte, a perspectiva é de diminuição de risco sobre os ativos brasileiros. Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Leonel Mattos, o encontro entre Vieira e Rubio aumenta as expectativas de uma redução das tensões comerciais.
“Embora ainda seja cedo para avaliar os resultados da reunião, (...) Esse movimento tende a diminuir a percepção de risco sobre ativos brasileiros, favorecendo o desempenho do real e de outros ativos domésticos”, explicou.
Ibovespa cai 0,28%
No cenário doméstico, o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, caiu 0,28% a 142.200 pontos. No país, a principal notícia foi o crescimento de 0,4% da economia em agosto, abaixo do esperado pelo mercado.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) recuperou a queda de 0,5% em julho. Apesar do sinal positivo, os analistas já observam uma desaceleração da economia com a Selic em 15% ao ano. Os juros afetam os setores mais sensíveis ao crédito, como o agronegócio, que registrou queda de 2%.
Para o economista sênior do banco Inter, André Valério, os resultados reafirmam a tendência de acomodação no crescimento da economia já observado nas últimas leituras. “A economia dá sinais de que a política monetária muito restritiva e o baixo nível de confiança dos empresários têm surtido o efeito no desempenho econômico, mesmo com a política fiscal ainda dando algum suporte, com o pagamento de precatórios no fim de julho”, disse.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



