Mesmo com Desenrola 2.0, inadimplência bate recorde no Brasil
Calote entre pessoas físicas chega a 5,81% em julho, maior nível da série histórica do Banco Central

A inadimplência nas operações de crédito bancário voltou a subir em julho e atingiu um novo recorde no Brasil, mesmo após o início do Desenrola 2.0, programa do governo federal criado para facilitar a renegociação de dívidas.
Segundo dados do Banco Central, divulgados nesta sexta-feira (28), a taxa de inadimplência entre pessoas físicas chegou a 5,81% em julho. É o maior percentual desde o início da série histórica, em 2011.
O resultado mostra que a dificuldade das famílias para manter as contas em dia continua avançando, apesar das medidas de renegociação lançadas pelo governo.
O Novo Desenrola Brasil começou em maio e permite a renegociação de determinadas dívidas com condições mais favoráveis. O programa foi criado justamente em um cenário de elevado endividamento das famílias e tem entre os objetivos reduzir a inadimplência e facilitar o acesso ao crédito.
A alta da inadimplência ocorre também em um ambiente de juros elevados. As taxas cobradas pelos bancos continuam pressionando o orçamento dos consumidores e dificultando a reorganização das finanças.
O avanço da inadimplência bancária ocorre em um momento em que outros indicadores também apontam para um elevado nível de comprometimento financeiro das famílias.
Dados recentes mostram que o endividamento continua elevado, enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para quitar compromissos financeiros.
A situação também é acompanhada de perto pelo Banco Central porque o aumento da inadimplência pode afetar a qualidade das carteiras de crédito dos bancos e, consequentemente, influenciar as condições para novos empréstimos.
Em julho, a inadimplência entre pessoas físicas alcançou o maior nível da série histórica, reforçando o desafio do governo de fazer com que os programas de renegociação tenham efeito permanente sobre as contas das famílias.
O resultado também mostra que renegociar dívidas não significa, necessariamente, eliminar o problema. Para especialistas, a recuperação financeira depende da capacidade das famílias de voltar a pagar as parcelas e evitar a contratação de novas dívidas.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



