Mercado eleva previsão da inflação para 5,22% pela quarta semana seguida
Boletim Focus aponta inflação acima do teto da meta em 2026. Mesmo com a piora das expectativas para os preços, economistas ainda projetam dois cortes na taxa Selic até dezembro.

A previsão do mercado financeiro para a inflação brasileira subiu pela quarta semana consecutiva e chegou a 5,22% em 2026. O dado foi divulgado nesta terça-feira (13) pelo Boletim Focus, do Banco Central, que reúne as estimativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia.
Na semana passada, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, estava em 5,01%. A nova estimativa representa uma alta de 0,21 ponto percentual e mantém a expectativa de inflação acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%.
A revisão ocorre após o IPCA registrar alta de 0,82% em setembro, acima das expectativas do mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,58%, ultrapassando o limite de tolerância da meta. Entre os fatores que pressionaram os preços estão a energia elétrica residencial, os alimentos, os combustíveis e as passagens aéreas.
Mercado ainda prevê queda dos juros
Apesar da perspectiva de inflação mais elevada, os economistas mantiveram a expectativa de redução da taxa básica de juros. O mercado projeta que a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, termine 2026 em 13,25%, o que representaria dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) previstas para novembro e dezembro.
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Juros elevados tendem a desestimular o consumo e o crédito, ajudando a conter a pressão sobre os preços, mas também podem limitar o ritmo da atividade econômica.
Para 2027, a estimativa de inflação permaneceu em 4,30%. Já as projeções para 2028 e 2029 recuaram ligeiramente, de 3,80% para 3,79% e de 3,51% para 3,50%, respectivamente.
Para o IPCA de outubro, os analistas estimam alta de 0,33%. Para novembro, a previsão é de 0,35%, enquanto dezembro deve registrar avanço de 0,56%.
As projeções do Boletim Focus são expectativas coletadas junto ao mercado financeiro, e não previsões oficiais do Banco Central sobre o resultado final da inflação. Os números podem mudar conforme a evolução dos preços, da atividade econômica e das condições financeiras.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



