Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, diz diretor do BC
Diretor de fiscalização do Banco Central afirmou que conglomerado de Vorcaro deveria ter R$ 4 bilhões em caixa devido ao tamanho

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse em depoimento à Polícia Federal (PF) que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação extrajudicial, decretada pela autoridade monetária em novembro de 2025. O sigilo da oitiva foi derrubado por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite dessa quinta-feira (29).
Aquino foi ouvido pela PF no mesmo dia que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. As apurações ocorrem sobre a negociação de venda do conglomerado do Master para o banco estatal do Distrito Federal, operação que foi barrada pelo BC por riscos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).
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“Apesar do Master ser um típico S3, médio porte, dado a crise liquidez do Master e com R$ 80 bilhões de ativos totais, o acompanhamento por parte da supervisão era fundamental para entender a liquidez. Para pontuar isso claramente: um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi a R$4 bi em títulos livres. O Master antes da liquidação só tinha 4 milhões de reais no caixa", disse Aquino.
O técnico da autoridade monetária ainda citou o caso do Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, como um dos entraves que levaram à liquidação do Master. A instituição chegou a ser poupada em um primeiro momento devido a possibilidade de venda para investidores estrangeiros, mas foi liquidada no início de janeiro por inadimplência com a Mastercard, bandeira de cartões.
Aquino citou à PF as dificuldades do Will Bank, e afirmou que a autoridade monetária já monitorava o conglomerado antes mesmo da crise de liquidez. Antes de ser fechado oficialmente, a fintech operava em um Regime de Administração Especial Temporária (Raet), em que o BC intervém na diretoria e mantém o funcionamento.
Ele afirmou ainda que haviam muitos ativos do Will no balanço do BRB, o que poderia causar um prejuízo ainda maior para o banco estatal. Segundo o diretor do BC, o cenário era de 11 milhões de cartões de crédito concentrados nas classes “C e D”, público alvo do Will Bank,
“Quando ‘Dona Maria’ não conseguir comprar mais com cartão de crédito, a probabilidade muito grande é que ela — e aí é um juízo de valor — não vai pagar o boleto do cartão, vai ter outro cartão. Isto aqui é baseado na nossa experiência, por isso a diretoria resolveu um Raet”, explicou Aquino.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.




